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Caminhão de mineração supera 1 megawatt e carregador equivale ao de 30 carros elétricos

BHP e Rio Tinto concluíram um teste de alta potência na Austrália com um gigantesco Cat 793 XE. Sua bateria tem capacidade até 20 vezes maior que a de um carro elétrico convencional.

Caminhão de mineração supera 1 megawatt e carregador equivale ao de 30 carros elétricos

A eletrificação dos gigantes da mineração alcançou um novo marco em 28 de outubro de 2026. BHP e Rio Tinto conseguiram fornecer mais de um megawatt (MW) de potência a um caminhão elétrico de mineração Caterpillar Cat 793 XE, durante um teste realizado na mina de ferro Jimblebar, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental.

O teste é o primeiro carregamento de alta potência dessa magnitude realizado no programa conjunto que as duas mineradoras desenvolvem com a Caterpillar, fabricante dos equipamentos. O objetivo é verificar se caminhões elétricos de grande porte podem substituir gradualmente os modelos a diesel sem comprometer a produtividade das operações.

A dimensão do teste ajuda a compreender um dos maiores desafios tecnológicos do setor: fornecer enormes quantidades de eletricidade a máquinas projetadas para transportar centenas de toneladas de material em condições extremas.

Um carregador com potência equivalente à de 30 carros elétricos

Um dos aspectos mais impressionantes do teste é a capacidade do sistema de alimentação utilizado.

A BHP explicou que os carregadores estáticos de alta potência instalados para esses testes podem fornecer uma potência comparável à necessária para entre 30 e 35 carros elétricos conectados simultaneamente a carregadores rápidos de 80 quilowatts (kW).

Essa comparação corresponde a uma capacidade aproximada de 2,4 a 2,8 MW. No entanto, as empresas confirmaram apenas que a potência fornecida durante o teste superou um megawatt, sem especificar o valor máximo atingido.

A diferença se explica pelas dimensões da bateria do Cat 793 XE, cuja capacidade de armazenamento de energia é de 15 a 20 vezes maior que a de um veículo elétrico de passeio convencional.

Para fornecer eletricidade nessa escala, as empresas utilizaram um sistema de carregamento de alta potência equipado com um conector MCS, sigla em inglês de Megawatt Charging System.

Essa tecnologia foi projetada para transferir grandes quantidades de energia a veículos industriais e máquinas pesadas, para os quais os carregadores convencionais não têm capacidade suficiente para atender a ciclos de operação intensivos.

O desafio não é apenas aumentar a potência. Os sistemas também precisam gerenciar temperaturas, conexões elétricas, segurança e tempos de recarga compatíveis com as exigências de uma operação de mineração.

As empresas não divulgaram quanto tempo durou o carregamento realizado em Jimblebar, qual porcentagem da bateria foi recarregada nem a autonomia alcançada pelo caminhão em seguida.

O gigantesco Cat 793 XE está em testes há meses

O caminhão usado no teste pertence à família Cat 793 XE Early Learner, desenvolvida pela Caterpillar para avaliar a viabilidade da propulsão elétrica a bateria em equipamentos de transporte de minério de grande capacidade.

Duas unidades experimentais operam em Jimblebar como parte de um programa de validação tecnológica. Os veículos chegaram à Austrália no fim de 2025, após concluírem testes controlados e verificações de segurança nas instalações da Caterpillar em Tucson, nos Estados Unidos.

A avaliação em campo começou em 2026 e, quando as unidades foram apresentadas ao público, em junho, já haviam acumulado mais de 100 horas de operação e completado mais de 200 voltas de teste.

Agora, após mais de sete meses de atividades operacionais, o programa incluiu um de seus testes mais relevantes: verificar se a infraestrutura elétrica consegue fornecer potências superiores a um megawatt diretamente à bateria desses caminhões.

Os testes são realizados em um circuito exclusivo dentro de Jimblebar, o que permite estudar o desempenho dos equipamentos sem pressupor que já estejam prontos para operar comercialmente como parte de uma frota de mineração convencional.

O programa busca reunir dados sobre consumo de energia, autonomia, desempenho das baterias, manutenção, confiabilidade, segurança e produtividade.

O grande problema: quanto tempo o caminhão fica parado durante o carregamento

Embora um carregamento acima de um megawatt demonstre avanços na infraestrutura elétrica, ainda resta resolver uma dificuldade decisiva: o tempo que os equipamentos precisam ficar parados para recuperar energia.

Na mineração em grande escala, os caminhões de transporte operam por longas jornadas, e sua disponibilidade é fundamental para manter o fluxo de minério.

A BHP quantificou esse problema em uma apresentação realizada em 16 de setembro de 2026. Com base em um modelo teórico de um caminhão elétrico pré-comercial da classe de 220 toneladas, equipado com uma bateria de 3 megawatts-hora, estimou que depender exclusivamente de carregamentos estacionários poderia representar uma perda próxima de 1.000 horas de operação por caminhão ao ano, em comparação com um modelo a diesel.

A estimativa não corresponde a perdas efetivamente registradas nos Cat 793 XE de Jimblebar. Trata-se de uma simulação usada para dimensionar as dificuldades enfrentadas pela eletrificação do transporte de mineração.

Nesse cenário, aumentar a potência dos carregadores permitiria reduzir o tempo de espera, mas a solução precisa ser adaptada aos trajetos, às necessidades de energia e aos ciclos de transporte de cada operação.

Além disso, eletrificar uma frota inteira exigiria uma infraestrutura elétrica capaz de abastecer vários caminhões simultaneamente, com sistemas adequados de distribuição, controle e segurança.

O próximo desafio será carregar os caminhões enquanto trabalham

A próxima etapa prevê avaliar uma tecnologia ainda mais complexa: fornecer energia aos caminhões enquanto estão em movimento.

BHP e Caterpillar estão preparando testes do sistema Dynamic Energy Transfer (DET), desenvolvido para transferir eletricidade durante determinados trechos do percurso dos equipamentos.

Esse mecanismo pode reduzir a necessidade de parar os caminhões para conectá-los a carregadores fixos e permitir uma operação mais contínua.

A BHP prevê testar essa tecnologia durante o exercício fiscal de 2027, como parte do desenvolvimento de sistemas que combinem recarga estática e dinâmica.

A companhia também pretende estudar como integrar esses mecanismos às frotas autônomas, à infraestrutura existente e aos sistemas de gestão de energia das operações.

A eletrificação também traz novos riscos relacionados a sistemas de alta tensão, baterias de grande capacidade e possíveis arcos elétricos em corrente contínua — aspectos que exigem procedimentos e controles específicos.

Um teste decisivo para o futuro do transporte na mineração

O programa desenvolvido pela BHP, Rio Tinto e Caterpillar busca reduzir as emissões associadas ao consumo de diesel no transporte de minério.

A substituição dos motores a combustão por propulsão elétrica permitiria eliminar as emissões diretas do escapamento desses caminhões, embora a redução total dos gases de efeito estufa também dependa da origem da eletricidade utilizada.

BHP e Rio Tinto mantêm a meta de atingir emissões operacionais líquidas zero até 2050 e consideram a eletrificação de máquinas pesadas uma das alternativas para avançar nessa direção.

Por enquanto, o teste de Jimblebar confirma que é possível fornecer mais de um megawatt a um caminhão de mineração elétrico nas condições avaliadas, mas ainda não demonstra que uma frota desse tipo possa alcançar os mesmos níveis de disponibilidade e produtividade dos equipamentos a diesel.

Os resultados dos próximos testes de recarga, autonomia e operação contínua serão determinantes para definir quando essa tecnologia poderá passar dos protótipos experimentais às grandes frotas de transporte que sustentam a mineração mundial.