
Uma sondagem na Colômbia identificou um intervalo com alta concentração de prata, acompanhado de tungstênio, cobre e ouro. A descoberta abre novas possibilidades de exploração no depósito Apollo.
Uma campanha de exploração mineral na Colômbia descobriu uma zona de rocha com uma concentração excepcional de prata: 1.283 gramas por tonelada, o equivalente a mais de um quilo do metal por tonelada de material mineralizado. O resultado foi anunciado em 13 de outubro de 2026 pela empresa Collective Mining, que também identificou quantidades relevantes de tungstênio e cobre no mesmo intervalo de sondagem, no sistema Apollo, localizado no departamento de Caldas.
A descoberta veio da sondagem diamantada APC-186, que interceptou 5,50 metros com 1.283 gramas de prata por tonelada, 0,83% de trióxido de tungstênio (WO₃), 0,57% de cobre e 0,17 grama de ouro por tonelada.
A combinação desses elementos é relevante porque amplia o potencial de exploração de um depósito já conhecido por sua mineralização de ouro, prata e cobre.
No entanto, os resultados correspondem a um intervalo específico de uma sondagem e ainda não permitem determinar quantas toneladas de material apresentam concentrações semelhantes.
Uma tonelada de rocha contém mais de um quilo de prata
O dado mais expressivo da descoberta é o teor de prata registrado na sondagem APC-186.
Na mineração, o teor representa a quantidade de metal contida em determinada massa de rocha.
Uma concentração de 1.283 gramas por tonelada significa que cada tonelada de material desse intervalo contém, em termos matemáticos, 1,283 quilo de prata.
O mesmo trecho apresenta teor de cobre de 0,57%, equivalente a aproximadamente 5,7 quilos de cobre contido por tonelada de rocha.
Quanto ao tungstênio, a concentração de 0,83% de WO₃ representa cerca de 8,3 quilos de trióxido de tungstênio por tonelada. Essa medição expressa o conteúdo na forma de óxido e não deve ser confundida com uma quantidade equivalente de tungstênio metálico.
O intervalo também contém 0,17 grama de ouro por tonelada.
Esses números ajudam a dimensionar a concentração dos diferentes elementos, mas não representam quantidades que possam ser recuperadas comercialmente.
Para determinar quanto metal poderia ser obtido em uma operação de mineração, é necessário conhecer as características metalúrgicas do material, as perdas durante o processamento e a continuidade do corpo mineralizado.
A descoberta foi encontrada a cerca de 89 metros ao longo da sondagem
O intervalo de maior concentração foi encontrado entre 89,15 e 94,65 metros, medidos ao longo da sondagem APC-186.
Essa distância corresponde ao trajeto da perfuração e não necessariamente à profundidade vertical exata em relação à superfície.
O trecho faz parte de uma zona mineralizada mais extensa.
Na mesma sondagem, a Collective Mining identificou 26,10 metros com 286 gramas de prata por tonelada, além de 0,18% de WO₃, 0,22% de cobre e 0,11 grama de ouro por tonelada.
Esse intervalo, por sua vez, está dentro de uma interseção ainda maior, de 87,60 metros, que registrou teor médio de 99 gramas de prata por tonelada.
A diferença entre essas medições é importante.
Enquanto o trecho de 5,50 metros apresenta uma concentração especialmente elevada, a zona mineralizada mais extensa tem teores médios menores.
Os dados mostram uma distribuição variável dos metais no sistema, característica que deverá ser estudada por meio de novas sondagens.
A empresa estima que as espessuras verdadeiras das interseções correspondam a entre 60% e 100% dos comprimentos informados, dependendo da orientação dos corpos mineralizados.
Portanto, os 5,50 metros interceptados não devem ser interpretados automaticamente como a largura real da mineralização.
Também encontraram tungstênio em outras sondagens
A sondagem APC-186 não foi a única a apresentar resultados relevantes.
Na perfuração APC-184, a empresa identificou um intervalo de 1,50 metro com 351 gramas de prata por tonelada e 0,42% de WO₃, além de cobre e ouro.
Outra sondagem, denominada APC-193, interceptou 1,35 metro com 120 gramas de prata por tonelada e 0,15% de WO₃.
Esses resultados correspondem à chamada Shallow Halo Zone, uma extensa zona de mineralização relativamente superficial que circunda parte do depósito Apollo.
As novas interseções de prata e tungstênio estão no setor norte dessa zona, cerca de 600 metros ao norte de um domínio identificado anteriormente por seu teor de tungstênio.
Os pesquisadores associam a mineralização à presença de minerais como scheelita, calcocita e sulfossais de prata.
A scheelita é um mineral que contém tungstênio e constitui uma das principais fontes industriais desse elemento.
Já a calcocita é um sulfeto de cobre que pode apresentar altas concentrações do metal.
A associação desses minerais fornece informações sobre os processos hidrotermais envolvidos na formação do depósito.
O tungstênio amplia o interesse pelo projeto
Embora a prata se destaque por sua alta concentração, a presença de tungstênio acrescenta outra dimensão econômica à descoberta.
Esse metal é conhecido por seu alto ponto de fusão, dureza e resistência ao desgaste, propriedades que o tornam um insumo importante para diferentes atividades industriais.
É usado em ferramentas de corte, equipamentos de perfuração, componentes resistentes a altas temperaturas e aplicações ligadas às indústrias aeroespacial e de defesa.
Na mineração, os carbonetos de tungstênio são usados em ferramentas para perfurar e trabalhar materiais de alta dureza.
Sua importância também está relacionada à concentração internacional da produção e do processamento desse mineral.
No entanto, identificar tungstênio em uma sondagem não garante que ele possa ser recuperado comercialmente.
O potencial econômico depende de sua distribuição, mineralogia, concentração e comportamento durante o processamento.
A Collective Mining realizou testes metalúrgicos preliminares em Apollo, mas ainda precisará comprovar a viabilidade de recuperar os diferentes metais em um plano industrial definitivo.
Uma zona de 2,4 quilômetros ainda tem grande parte de sua área sem sondagens
A zona superficial investigada em Apollo apresenta extensão interpretada de aproximadamente 2,4 quilômetros de comprimento e 200 metros de largura.
A mineralização aflora na superfície e se estende até profundidades aproximadas de 150 metros nos setores estudados.
No entanto, a empresa informou que apenas 29% dessa área havia sido investigada por meio de sondagens.
Isso significa que cerca de 71% permanecia sem sondagens no momento do anúncio.
A companhia mantém três sondas de perfuração dedicadas à investigação das áreas ainda não estudadas.
Os novos resultados também são importantes para a estimativa de recursos minerais do projeto.
Das 23 sondagens realizadas nessa zona desde a publicação da primeira estimativa de recursos de Apollo, 22 identificaram intervalos mineralizados acima do teor de corte utilizado no modelo de lavra a céu aberto.
Parte desses setores havia sido considerada anteriormente material sem valor econômico no modelo geológico.
As novas sondagens abrem a possibilidade de reclassificar determinadas zonas, caso estudos futuros confirmem continuidade e concentração mineral suficientes.
No entanto, esses materiais ainda não podem ser considerados automaticamente recursos adicionais.
Apollo já conta com uma estimativa inicial de recursos minerais
O projeto Apollo faz parte de Guayabales, uma propriedade de exploração da Collective Mining situada em uma região de atividade mineradora no departamento colombiano de Caldas.
Em 8 de setembro de 2026, a companhia apresentou sua primeira estimativa formal de recursos minerais.
O depósito contém 37 milhões de toneladas de recursos indicados, com teor médio de 2,17 gramas de ouro equivalente por tonelada.
Além disso, registra 48,2 milhões de toneladas de recursos inferidos, com teor médio de 1,83 grama de ouro equivalente por tonelada.
Essas estimativas combinam o valor relativo de diferentes metais por meio de uma metodologia de equivalência que considera preços e premissas de recuperação metalúrgica.
A empresa também informou que o intervalo de alto teor da sondagem APC-186 chega a aproximadamente 1.999 gramas de prata equivalente por tonelada.
Esse indicador não significa que a rocha contenha fisicamente essa quantidade de prata, mas expressa o valor combinado dos metais presentes por meio de uma unidade de comparação.
A nova mineralização ainda precisa ser avaliada para determinar como poderá ser incorporada a futuras atualizações do modelo de recursos.
O que vem pela frente para a descoberta de prata e tungstênio
A Collective Mining mantém uma extensa campanha de exploração em Guayabales, com treze sondas de perfuração em operação no momento em que os resultados foram divulgados.
A companhia também informou que aguardava os resultados de laboratório de 99 sondagens, das quais 23 pertenciam à chamada Ramp Zone.
Paralelamente, prevê iniciar, no quarto trimestre de 2026, a construção de uma galeria de exploração para viabilizar novos trabalhos subterrâneos.
A apresentação do pedido de licença ambiental para o desenvolvimento de Apollo está prevista para o segundo semestre de 2027.
Essas datas são metas da empresa e não constituem autorizações definitivas nem compromissos de início da produção.
A descoberta de um intervalo com mais de um quilograma de prata por tonelada confirma a presença localizada de mineralização de alto teor, enquanto o tungstênio e o cobre ampliam o conjunto de elementos de interesse do sistema.
O desafio agora é determinar se essas concentrações se repetem em áreas suficientemente extensas para justificar sua incorporação a um projeto de mineração.
Por enquanto, a descoberta demonstra que Apollo contém novas zonas com altas concentrações de prata e tungstênio, mas seu tamanho real e seu potencial econômico dependerão das próximas sondagens, dos estudos geológicos e das avaliações metalúrgicas.









