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Hitachi prepara caminhões gigantes com sistema que interrompe a elevação da caçamba diante do risco de tombamento

Os novos veículos terão um sistema que detecta inclinações perigosas durante a descarga e interrompe automaticamente a elevação da caçamba. Três modelos chegarão aos Estados Unidos e ao Canadá em 2027.

Hitachi prepara caminhões gigantes com sistema que interrompe a elevação da caçamba diante do risco de tombamento

A Hitachi Construction Machinery Americas anunciou, em 29 de outubro de 2026, uma nova geração de caminhões articulados para operações de mineração, pedreiras e grandes projetos de terraplenagem. Os equipamentos, desenvolvidos em parceria com a Bell Equipment, terão uma tecnologia capaz de interromper automaticamente a elevação da caçamba ao detectar uma inclinação que aumente o risco de tombamento.

Inicialmente, a empresa lançará os modelos ZD30, ZD45 e ZD50, nas categorias de 30 a 50 toneladas. A comercialização está prevista para o início do verão de 2027 no hemisfério norte, com distribuição e suporte técnico pela rede de concessionárias da Hitachi nos Estados Unidos e no Canadá.

O principal recurso de segurança é a capacidade de intervir em uma das manobras mais delicadas do transporte de materiais: a descarga de grandes volumes de terra, rocha ou minério.

Sistema impede que a caçamba continue se elevando

O dispositivo, chamado Bin Tip Prevention, monitora a inclinação do chassi traseiro enquanto o operador eleva a caçamba para descarregar o material.

Quando identifica um ângulo excessivo que aumenta o risco de tombamento, o sistema emite um alerta no monitor da cabine e interrompe automaticamente a elevação da caçamba.

A intervenção busca evitar que o operador continue erguendo a estrutura quando o veículo está em uma posição potencialmente instável.

O problema é especialmente relevante em operações em que os caminhões precisam descarregar em superfícies irregulares ou terrenos com desníveis.

Durante a descarga, a elevação da caçamba altera a distribuição do peso e eleva o centro de gravidade do conjunto. Se o veículo estiver com inclinação lateral excessiva, a manobra pode comprometer sua estabilidade.

A tecnologia funciona como uma camada adicional de segurança: não corrige a inclinação do terreno nem garante que o caminhão não tombe, mas limita a elevação da caçamba quando o sistema detecta uma situação perigosa.

A solução já é usada pela Bell Equipment em outras linhas de caminhões articulados. A novidade é sua incorporação aos modelos que a Hitachi comercializará em sua nova linha de equipamentos para a América do Norte.

A Hitachi não informou os limites de inclinação que acionarão o sistema nem divulgou dados específicos sobre a redução de acidentes com os futuros modelos ZD30, ZD45 e ZD50.

Caminhões também vão monitorar a carga e as áreas de operação

A prevenção de tombamentos fará parte de um conjunto mais amplo de tecnologias para monitorar o funcionamento desses veículos.

Os três modelos terão sistema de pesagem embarcado, que permite ao operador saber em tempo real a carga transportada enquanto o caminhão é carregado por uma escavadeira ou carregadeira.

Essas informações ajudam a controlar as quantidades carregadas e a identificar possíveis excessos em relação aos parâmetros operacionais definidos para o equipamento.

Outro recurso será o sistema de geocercas digitais, integrado à plataforma de gestão de frotas.

A tecnologia permitirá estabelecer restrições de circulação, definir limites de velocidade para determinadas áreas e identificar locais onde a descarga não deve ser feita.

O recurso também inclui ferramentas para prevenir o uso não autorizado e o roubo dos equipamentos.

Na cabine, os operadores terão um monitor colorido de 10 polegadas, que exibirá informações operacionais, alertas de segurança, diagnósticos de funcionamento e opções de configuração do veículo.

Na parte mecânica, a Hitachi destacou que as articulações foram projetadas para suportar cargas elevadas, com componentes de aço de alta resistência e rolamentos de rolos cônicos amplamente espaçados.

Os novos equipamentos também terão pontos de lubrificação centralizados, acessíveis a partir do solo, para facilitar a manutenção.

Hitachi mira mercado de até 6.000 caminhões por ano

O acordo com a Bell Equipment faz parte de uma estratégia comercial mais ampla.

A Hitachi estima que a América do Norte é o maior mercado mundial de caminhões articulados, com uma demanda anual de 5.000 a 6.000 unidades.

A empresa calcula que as categorias em que seus três primeiros modelos vão competir representam cerca de 90% desse mercado.

A chegada dos modelos ZD30, ZD45 e ZD50 ampliará a oferta da empresa em um segmento no qual os clientes usam caminhões articulados para transportar materiais em vias de operação, pedreiras, obras de infraestrutura e projetos de terraplenagem.

Diferentemente dos caminhões de mineração rígidos de grande porte, esses veículos têm uma articulação entre a parte dianteira e a traseira, configuração que facilita as manobras em espaços reduzidos e terrenos complexos.

A estratégia também busca permitir que empreiteiras adquiram escavadeiras, carregadeiras frontais e caminhões articulados pela mesma rede comercial, com acesso integrado a peças de reposição, manutenção e assistência técnica.

A Bell Equipment contribuirá com sua experiência no projeto e na fabricação desses veículos. Fundada na África do Sul em 1954, a empresa atua há mais de 26 anos no mercado norte-americano de caminhões articulados e já tem histórico de parceria com a Hitachi.

Primeiros modelos chegam em 2027 com nova marca

A apresentação dos caminhões coincidirá com uma transformação corporativa da Hitachi Construction Machinery.

A partir de 1º de abril de 2027, a companhia adotará oficialmente o nome LANDCROS, mudança que também será aplicada às suas operações nas Américas.

Os novos caminhões articulados serão incorporados a essa identidade comercial.

Após o lançamento inicial dos três modelos, a empresa prevê ampliar seu catálogo com veículos de categorias entre 20 e 60 toneladas.

Por enquanto, a Hitachi não divulgou preços, volumes de produção previstos nem um cronograma de comercialização fora dos Estados Unidos e do Canadá.

A empresa também não anunciou datas para a eventual chegada desses equipamentos ao mercado chileno.

O projeto ainda está em fase de preparação comercial. O desempenho em campo e o alcance efetivo dos sistemas automáticos de segurança poderão ser avaliados quando os novos modelos começarem a operar em condições reais, em 2027.