
Um sistema de vedação desenvolvido pela Martin Engineering reduziu entre 65% e 75% o desgaste registrado em uma correia transportadora de minério de ferro em uma instalação portuária operada pela Vale, em Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Os resultados, divulgados em 30 de outubro de 2026, abrem a possibilidade de ampliar a vida útil do equipamento de cerca de seis meses para mais de 18 meses, embora esse último número ainda seja uma projeção.
A intervenção foi realizada no terminal da Companhia Portuária Baía de Sepetiba (CPBS), parte do complexo logístico Portos Sul, da Vale. O desgaste acelerado das correias e o derramamento de minério causavam problemas recorrentes de manutenção.
Problema fazia correias serem substituídas a cada seis meses
As correias transportadoras têm papel essencial na mineração e nos terminais de exportação, pois permitem movimentar grandes volumes de minério entre diferentes equipamentos e instalações.
Um dos pontos mais vulneráveis, porém, fica nas áreas de transferência, onde o material cai de uma moega sobre uma correia em movimento.
Nessas áreas, o acúmulo de partículas, os derramamentos laterais e o atrito podem deteriorar gradualmente a superfície de transporte.
Esse era justamente o problema identificado no terminal CPBS, usado para embarcar minério de ferro proveniente das operações da Vale.
O material se acumulava em uma área crítica do sistema, acelerando o desgaste da correia e aumentando a frequência das substituições.
A situação também provocava perdas de minério pelas laterais da área de carregamento, o que ampliava os trabalhos de limpeza e manutenção.
O problema ganha relevância diante da dimensão das operações portuárias da Vale. O complexo Portos Sul, formado pelos terminais CPBS e Ilha Guaíba, tem capacidade conjunta de embarque superior a 75 milhões de toneladas por ano.
Solução usa poliuretano e sistema de ajuste automático
Para enfrentar o desgaste, a Martin Engineering e os responsáveis pela instalação avaliaram as condições de operação e instalaram um conjunto de componentes para melhorar a contenção do minério.
A intervenção combinou duas tecnologias: Martin Skirtboard Liner, um revestimento protetor instalado na área de transferência, e GravitySeal Self-Adjusting Skirting, um sistema de vedação lateral autoajustável.
O primeiro componente funciona como uma barreira que protege o sistema de vedação contra o impacto e a abrasão do material transportado.
O segundo mantém o contato de vedação com a correia por meio de um mecanismo que se adapta às variações de operação e ao desgaste da própria vedação, reduzindo a necessidade de ajustes manuais.
As duas soluções foram projetadas para impedir que partículas de minério se acumulem em áreas onde possam gerar atrito adicional.
Em vez de fazer uma alteração estrutural em toda a instalação, a intervenção se concentrou no ponto em que o minério chega à correia.
O novo conjunto de vedação foi instalado ao mesmo tempo que a correia transportadora foi substituída. Portanto, o resultado reflete o funcionamento combinado desses componentes.
Desgaste caiu de 2 milímetros para menos de um
Os primeiros resultados apontaram uma diferença expressiva em relação às condições anteriores.
Segundo informações divulgadas pela Martin Engineering, após um mês de operação com o novo sistema, o desgaste registrado caiu de cerca de 2 milímetros para um intervalo entre 0,5 e 0,7 milímetro.
Isso representa uma redução calculada entre 65% e 75% em relação à referência inicial.
A empresa também informou que os derramamentos laterais de minério praticamente desapareceram no ponto em que o sistema foi instalado.
O menor acúmulo de material e a redução do atrito são os principais fatores técnicos associados à melhoria.
Com base nesses resultados, a estimativa de vida útil da correia passou de cerca de seis meses para mais de 18 meses.
No entanto, há uma diferença importante entre os dois indicadores: a redução do desgaste corresponde a medições feitas após um mês, enquanto a vida útil superior a 18 meses ainda não foi comprovada ao longo desse período.
As informações disponíveis também não permitem determinar uma economia definitiva, embora a menor frequência de substituições possa reduzir os gastos com peças de reposição, manutenção e paradas de equipamentos.
Martin Engineering amplia tecnologia para novos mercados
A experiência no Brasil coincide com a expansão comercial da Martin Engineering para a Europa, o Oriente Médio, a África e o subcontinente indiano.
A empresa anunciou a oferta de um portfólio de sistemas de vedação de poliuretano que já havia sido lançado nos mercados da América do Norte e da América do Sul.
A linha inclui diferentes configurações para enfrentar problemas de abrasão, derramamentos e dispersão de poeira em instalações de transporte de materiais a granel.
Entre elas estão versões reforçadas do GravitySeal para aplicações mais exigentes e o sistema ApronSeal Urethane Skirting, que combina vedações primárias e secundárias para conter partículas finas.
A empresa mira aplicações na mineração, em pedreiras, cimenteiras, siderúrgicas e outros setores que dependem do transporte contínuo de materiais.
Reiner Fertig, responsável pelo desenvolvimento de negócios de produtos para transportadores da Martin Engineering nesses mercados, destacou que a ampliação da oferta busca melhorar a contenção de material e reduzir as intervenções de manutenção.
A expansão corresponde à comercialização de tecnologias existentes em novas regiões, e não à instalação simultânea em todas elas.
O desafio de comprovar uma vida útil maior em condições reais
O resultado observado no Brasil apresenta uma alternativa para enfrentar um dos problemas recorrentes dos sistemas transportadores: o desgaste prematuro das correias em áreas sujeitas ao atrito e ao acúmulo de minério.
O apelo industrial está no fato de que uma modificação localizada no sistema de transferência poderia prolongar a vida útil de um componente de grande importância operacional.
No entanto, para confirmar uma vida útil superior a 18 meses, será necessário acompanhar o sistema por um período mais longo e comprovar que a menor taxa de desgaste se mantém nas condições habituais de operação.
Até o momento, o dado confirmado pelas medições divulgadas é a redução do desgaste durante o primeiro mês, enquanto a possibilidade de triplicar a vida útil da correia continua sendo uma expectativa técnica.
Se essa projeção se confirmar, o caso do terminal da Vale poderá servir de referência para outras instalações minerárias e portuárias que enfrentam problemas semelhantes de manutenção e desgaste acelerado.









