Commodities

Minério de ferro se recupera após dois meses de perdas, mas ameaça limita avanço

O preço do minério de ferro voltou a subir nesta segunda-feira nos mercados asiáticos. A resistência da produção siderúrgica chinesa sustenta as cotações, embora persistam sinais de fraqueza industrial e excesso de oferta.

Minério de ferro se recupera após dois meses de perdas, mas ameaça limita avanço

O minério de ferro registrou alta nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, impulsionado por uma queda da demanda chinesa menor que a esperada. O movimento deu um respiro ao mercado após dois meses consecutivos de perdas, embora a expectativa de maior disponibilidade do minério no último trimestre do ano continue limitando as possibilidades de recuperação.

Nas primeiras negociações do dia, o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian, na China, avançou 0,59%, para 679 yuans por tonelada, o equivalente a aproximadamente US$ 102,05.

Já o contrato de referência para dezembro na Bolsa de Cingapura subiu 0,61%, para US$ 91,30 por tonelada, refletindo uma recuperação moderada após as fortes pressões de baixa registradas em setembro e outubro.

Os números correspondem às negociações da madrugada de segunda-feira, no horário GMT, e não representam os preços finais de fechamento.

Produção de aço na China surpreende o mercado

O principal fator por trás da alta foi o desempenho da atividade siderúrgica chinesa, considerada determinante para as perspectivas de consumo global de minério de ferro.

Nas últimas semanas, diferentes produtores de aço iniciaram trabalhos de manutenção em suas instalações devido às margens de rentabilidade reduzidas.

Paralelamente, várias siderúrgicas no norte da China reduziram temporariamente suas operações para contribuir com a melhoria da qualidade do ar.

Os dois fatores haviam alimentado a expectativa de uma queda considerável na produção de ferro-gusa, também conhecido como ferro líquido ou hot metal, um dos principais indicadores usados para medir a demanda de minério de ferro na indústria siderúrgica.

No entanto, os números apontaram uma retração bem mais moderada.

Dados da consultoria especializada Mysteel mostraram que a produção diária média das siderúrgicas chinesas pesquisadas caiu apenas 0,2% em relação à semana anterior, ficando em cerca de 2,32 milhões de toneladas em 29 de outubro.

O resultado aliviou parte das preocupações dos investidores, pois indica que a atividade dos altos-fornos permanece relativamente estável, apesar das restrições operacionais e das dificuldades econômicas que afetam o setor.

Essa resistência é especialmente relevante porque os altos-fornos exigem abastecimento contínuo de minério de ferro, coque e outros insumos industriais.

No entanto, a menor queda da produção não significa que o consumo de aço na China tenha retomado uma trajetória de crescimento.

Minério acumula fortes perdas desde setembro

A alta registrada nesta segunda-feira ocorre após um período especialmente desfavorável para as cotações internacionais.

Na Bolsa de Dalian, os contratos futuros de minério de ferro acumularam perdas de 3,4% em setembro e de 4,3% em outubro.

A queda foi ainda mais acentuada em alguns contratos negociados em Cingapura, onde as perdas mensais chegaram a 6,1% e 2,6%, respectivamente.

A pressão levou o minério a registrar, em 27 de outubro, os níveis mais baixos em mais de dois anos.

Naquele pregão, o contrato mais ativo em Dalian chegou a 661,5 yuans por tonelada, enquanto a referência para novembro em Cingapura recuou para US$ 89,30.

A piora esteve associada à fraqueza da demanda por aço, às margens reduzidas das siderúrgicas e à perspectiva de aumento da oferta internacional.

Analistas da Guoxin Futures avaliam que os fundamentos do minério continuam apontando riscos de queda, embora reconheçam uma recuperação parcial do sentimento do mercado depois que os preços se aproximaram de níveis considerados de suporte.

Assim, a alta recente pode ser interpretada como um sinal de estabilização, mas ainda não permite confirmar uma mudança sustentada de tendência.

Estoques na China continuam pressionando os preços

Um dos principais obstáculos a uma recuperação mais expressiva continua sendo o acúmulo de minério de ferro nos portos chineses.

Dados da Shanghai Metals Market (SMM) mostraram que, em 30 de outubro, os estoques em 35 dos principais portos do país somavam 148,05 milhões de toneladas.

A mesma medição apontou uma queda no volume médio diário de retiradas das instalações portuárias, que ficou em 3,175 milhões de toneladas.

A combinação de maiores chegadas de minério e compras cautelosas por parte das siderúrgicas aumenta a pressão sobre o equilíbrio entre oferta e demanda.

O comportamento das importações também ajuda a explicar esse cenário.

Nos primeiros nove meses de 2026, a China importou cerca de 954,97 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O aumento das compras externas contrasta com as dificuldades da indústria siderúrgica para manter os níveis de produção e rentabilidade.

A isso se somam as expectativas de maior oferta no quarto trimestre, incluindo o aumento gradual da produção do projeto Simandou, na Guiné, e os embarques dos principais produtores internacionais.

Uma expansão da oferta sem crescimento equivalente da demanda pode manter as cotações sob pressão.

Fraqueza industrial chinesa continua preocupando

O desempenho geral da economia chinesa também não permite prever uma recuperação imediata do mercado siderúrgico.

O Escritório Nacional de Estatísticas da China informou que o índice de gerentes de compras do setor manufatureiro recuou para 49,3 pontos em outubro, ante 50,1 pontos em setembro.

Uma leitura abaixo de 50 pontos indica contração da atividade manufatureira.

O setor da construção também deu sinais de enfraquecimento: o índice de atividade ficou em 48 pontos em outubro, após recuar 2,3 pontos em relação ao mês anterior.

Esses dados são relevantes porque a construção e a atividade industrial são importantes fontes de consumo de produtos de aço.

A fragilidade do mercado também se refletiu nas cotações de outros insumos siderúrgicos.

Nos primeiros negócios de segunda-feira, o carvão metalúrgico recuou 0,95%, enquanto o coque caiu 1,6%.

Na Bolsa de Futuros de Xangai, os vergalhões para construção caíram 0,59% e as bobinas laminadas a quente recuaram 0,57%. Em contrapartida, o aço inoxidável avançou 0,34%.

O desempenho desigual desses produtos mostra que a recuperação do minério de ferro ainda não se estende a toda a cadeia siderúrgica.

Nas próximas semanas, a evolução da produção de gusa, das margens das siderúrgicas, dos estoques nos portos e das chegadas de minério à China será determinante para avaliar se a alta de novembro se sustenta ou volta a ceder diante da pressão de uma oferta abundante.