
O preço do ouro subiu 2,1% nesta segunda-feira, 2 de novembro, chegando a US$ 3.954,41 por onça no mercado à vista, após uma forte queda no fim da semana passada. A recuperação ocorre às vésperas das eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira, 3 de novembro. O resultado pode alterar as expectativas em relação à política fiscal e ao desempenho dos ativos considerados refúgio.
A alta recuperou parte das perdas acumuladas pelo metal em um ano particularmente volátil. Depois de superar US$ 5.500 por onça no início de 2026, o ouro recuou com a valorização do dólar, a alta dos rendimentos dos títulos americanos e as expectativas de novos aumentos nas taxas de juros. O avanço dos investimentos em inteligência artificial também impulsionou a demanda por outros ativos, reduzindo parte da atratividade relativa do metal precioso.
A recuperação desta segunda-feira esteve relacionada principalmente à queda de quase 8% nos preços do petróleo, que contribuiu para aliviar as preocupações com a inflação. Ainda assim, o cenário continua desafiador para o ouro: os mercados ainda atribuem probabilidade próxima de 77% a uma alta dos juros pelo Federal Reserve em dezembro, situação que favorece os instrumentos financeiros que oferecem rendimento.
O déficit americano pode mudar as expectativas do mercado
Um dos principais fatores que podem alterar as perspectivas para o ouro é a deterioração das contas fiscais dos Estados Unidos. De acordo com os registros do governo americano, o déficit orçamentário chegou a US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, ante cerca de US$ 1,78 trilhão no exercício anterior. Os gastos federais somaram US$ 7,40 trilhões, enquanto a arrecadação totalizou US$ 5,40 trilhões.
O resultado das eleições legislativas pode influenciar a capacidade do governo de Donald Trump de aprovar novas medidas de gastos ou alterar a política tributária. Um Congresso dividido pode restringir algumas iniciativas, mas também dificultar a aprovação de reformas para reduzir o déficit. Os dois cenários têm consequências distintas para o ouro, a depender dos efeitos sobre o dólar, a inflação e os rendimentos dos títulos.
O Conselho Mundial do Ouro alertou, em análise publicada em 22 de outubro, que os resultados eleitorais não tiveram historicamente um efeito automático nem consistente sobre o preço do metal. Segundo a organização, o fator determinante será a orientação das políticas econômicas após a votação. Uma redução crível do déficit pode diminuir a demanda por proteção por meio do ouro, enquanto novas preocupações fiscais podem fortalecê-la.
Essa relação traz um desafio adicional. Quando os investidores exigem rendimentos maiores para financiar a dívida americana, os títulos se tornam relativamente mais atrativos que o ouro, que não gera juros. No entanto, se essas mesmas taxas elevadas refletirem uma perda de confiança na sustentabilidade fiscal, alguns investidores podem buscar proteção fora dos títulos da dívida pública.
Os dados recentes mostram que a demanda por ouro não desapareceu completamente. Em setembro, o preço internacional do metal caiu 8,5%, mas os fundos negociados em bolsa lastreados em ouro registraram entradas de aproximadamente US$ 10 bilhões, equivalentes a 67 toneladas, segundo o Conselho Mundial do Ouro. Essa divergência mostra que diferentes participantes do mercado reagiram de maneiras distintas às condições financeiras.
Agora, a atenção se volta para o resultado das eleições de 3 de novembro e seu possível impacto sobre as expectativas para a economia americana. A trajetória dos juros, do dólar e da situação fiscal determinará se a recente alta do ouro vai se consolidar ou será apenas uma recuperação passageira dentro de uma tendência de baixa.









