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Petróleo volta a subir após ataque dos Estados Unidos ao Irã, e Brent supera US$106

O petróleo recuperou parte das perdas superiores a 7% registradas na segunda-feira, enquanto aumentam as dúvidas sobre um acordo entre Washington e Teerã e prossegue a mediação diplomática do Catar.

Petróleo volta a subir após ataque dos Estados Unidos ao Irã, e Brent supera US$106

Os preços internacionais do petróleo registraram alta nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, depois que os Estados Unidos realizaram novos ataques contra alvos iranianos na ilha de Qeshm, localizada no estratégico estreito de Ormuz. A operação militar coincidiu com sinais contraditórios sobre as negociações destinadas a pôr fim ao conflito no Oriente Médio, o que voltou a gerar incertezas sobre o abastecimento mundial de petróleo.

Durante as operações da manhã, os contratos futuros do Brent chegaram a US$106,13 por barril, com alta de 1,3%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 1,5%, para US$97,91. As cotações são das 7h43 no horário do Chile e representam uma recuperação parcial após a forte queda do pregão anterior.

Na segunda-feira, 2 de novembro, os dois indicadores haviam recuado mais de 7% diante das expectativas de uma solução diplomática. O Brent encerrou aquela sessão a US$104,77, com queda de 7,63%, enquanto o WTI fechou a US$96,46. A ação militar dos Estados Unidos e as divergências que persistem entre os países envolvidos voltaram a alterar as expectativas do mercado.

Ataque no estreito de Ormuz aumenta incertezas

A operação dos Estados Unidos ocorreu na segunda-feira contra alvos em Qeshm, ilha iraniana próxima a uma das principais rotas marítimas do comércio internacional de hidrocarbonetos. Autoridades norte-americanas, que forneceram informações sob condição de anonimato, descreveram os ataques como medidas defensivas contra forças iranianas que representavam uma ameaça a ativos militares de Washington na região.

As autoridades dos Estados Unidos afirmaram que as ações buscavam impedir novas ameaças no estreito de Ormuz. No entanto, não há um balanço independente que permita determinar a extensão dos danos causados pela operação nem suas possíveis consequências para instalações de energia ou para o tráfego comercial.

A importância dessa região explica a sensibilidade dos preços diante de novos confrontos. Segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA), no primeiro semestre de 2025 passaram pelo estreito de Ormuz cerca de 20,9 milhões de barris por dia de petróleo e outros líquidos, o equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial no período. Os dados são anteriores à guerra e não representam o fluxo atual de embarcações.

O risco para o mercado é que uma intensificação dos ataques prolongue as restrições ao transporte de hidrocarbonetos a partir do golfo Pérsico. Por enquanto, a alta das cotações reflete principalmente as incertezas sobre os rumos do conflito e não comprova, por si só, uma nova redução da produção ou do abastecimento.

Negociações entre Estados Unidos e Irã continuam sem acordo

A alta do petróleo também esteve relacionada a declarações de um alto funcionário iraniano, que afirmou nesta terça-feira que Washington e Teerã ainda estão longe de chegar a um entendimento que permita encerrar a guerra. O representante disse que seu país não aceitará as exigências dos Estados Unidos que considera excessivas, apesar dos contatos diplomáticos realizados nos últimos dias.

No Catar, país que participa dos esforços de mediação, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed al-Ansari, confirmou que os dois lados continuam analisando propostas para reduzir suas divergências. Embora tenha dito que há disposição para manter as conversas, ele não anunciou um acordo definitivo nem medidas concretas para pôr fim às hostilidades.

A incerteza coincide com as eleições legislativas de meio de mandato realizadas nesta terça-feira nos Estados Unidos. O aumento dos preços dos combustíveis e as consequências econômicas da guerra se tornaram temas relevantes para o governo do presidente Donald Trump, que manifestou disposição para buscar uma saída negociada.

Enquanto prosseguem os esforços diplomáticos, o mercado de petróleo continua sujeito a novas oscilações, relacionadas tanto aos acontecimentos militares quanto às possibilidades de um acordo. O andamento das conversas e as condições de navegação no estreito de Ormuz continuarão sendo fatores determinantes nos próximos pregões.