
O petróleo Brent voltou a subir nesta terça-feira, 3 de novembro, após recuar mais de 7% no pregão anterior. A tensão militar no Estreito de Ormuz e as dificuldades para um acordo entre Washington e Teerã mantêm volátil o mercado de energia.
O preço internacional do petróleo voltou a subir nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, com o Brent acima de US$106 por barril e o WTI perto de US$98, após uma nova operação militar dos Estados Unidos contra alvos iranianos na ilha de Qeshm, próxima ao estratégico Estreito de Ormuz. O episódio reacendeu as preocupações com a segurança do transporte marítimo de hidrocarbonetos e as perspectivas de abastecimento energético internacional.
Nas operações da manhã, os contratos futuros do Brent avançavam 1,3%, para US$106,13 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subia 1,5%, chegando a US$97,91. O movimento recuperou parte das perdas acentuadas de segunda-feira, quando ambos os indicadores recuaram mais de 7% diante das expectativas de uma possível solução diplomática para o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
A alta traz um novo fator de incerteza para os mercados internacionais e para economias importadoras de combustíveis, como o Chile, onde as variações do petróleo afetam os custos do transporte, da geração termelétrica e de diversas atividades industriais.
Na mineração, o possível impacto é especialmente relevante devido ao consumo de diesel em caminhões de mineração, equipamentos auxiliares, máquinas pesadas e operações logísticas ligadas ao transporte de minérios e insumos.
Brent e WTI recuperam parte das perdas de segunda-feira
O comportamento do mercado nas últimas duas sessões mostra a sensibilidade dos preços do petróleo aos acontecimentos geopolíticos no Oriente Médio.
Na segunda-feira, 2 de novembro, o Brent fechou a US$104,77 por barril, após recuar 7,63%. A queda foi influenciada pelas expectativas de avanços diplomáticos, após contatos entre autoridades iranianas e representantes do Catar.
No entanto, as novas ações militares dos Estados Unidos e as dificuldades para chegar a um acordo de paz alteraram novamente as expectativas dos operadores.
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Indicador |
Cotação em 3 de novembro |
Variação |
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Petróleo Brent |
US$106,13 por barril |
+1,3% |
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Petróleo WTI |
US$97,91 por barril |
+1,5% |
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Queda dos dois referenciais em 2 de novembro |
Superior a 7% |
Pregão anterior |
Valores intradiários registrados às 10h43 GMT de 3 de novembro de 2026. Não correspondem aos preços de fechamento.
A recuperação confirma que o mercado continua incorporando um prêmio de risco geopolítico, enquanto persistem dúvidas sobre a evolução das operações militares e a possibilidade de restabelecer condições normais no comércio de energia.
O Brent, usado como referência em uma parcela importante do comércio internacional de petróleo, permanece em níveis elevados, que podem ser repassados gradualmente aos combustíveis refinados, conforme os custos de importação e as condições de cada mercado.
Ataque em Qeshm reacende riscos para o transporte marítimo
A ilha de Qeshm fica em uma área de grande importância estratégica, próxima ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás natural liquefeito do mundo.
A operação militar dos Estados Unidos ocorreu na noite de segunda-feira, em meio a confrontos e negociações diplomáticas destinadas a reduzir as hostilidades.
Autoridades americanas descreveram as ações como operações limitadas, com o objetivo de impedir ataques a embarcações comerciais que utilizam essa rota marítima.
O episódio preocupa porque uma nova escalada do conflito pode afetar a circulação de navios petroleiros, elevar os custos dos seguros marítimos e prolongar as interrupções no abastecimento de energia.
A situação também evidencia a dificuldade dos mercados para prever uma trajetória estável dos preços quando decisões militares e diplomáticas podem alterar rapidamente as expectativas de abastecimento.
O principal risco econômico não está associado apenas ao ataque, mas à possibilidade de as tensões manterem restrições prolongadas em uma das rotas de energia mais importantes do planeta.
Como o petróleo afeta os custos da mineração chilena
O Chile depende da importação de petróleo para atender boa parte de sua demanda por combustíveis líquidos. Por isso, as variações internacionais podem afetar os custos de produção e transporte de diferentes setores da economia.
Na mineração de cobre, o diesel continua sendo um insumo importante, sobretudo nas operações a céu aberto.
Caminhões de mineração de grande porte consomem volumes expressivos de combustível para transportar material das frentes de lavra até britadores, pilhas de estéril e instalações de processamento.
Também há demanda por diesel para máquinas auxiliares, carregadeiras, perfuratrizes e diferentes equipamentos de apoio, dependendo da configuração tecnológica de cada operação.
Uma tendência prolongada de preços elevados pode aumentar os custos operacionais das mineradoras, principalmente daquelas que operam grandes frotas de transporte convencional.
O impacto final depende das condições de compra dos combustíveis, da eficiência dos equipamentos, dos contratos de fornecimento e dos mecanismos de gestão de riscos adotados em cada operação.
Por isso, uma variação pontual do Brent não necessariamente provoca um aumento imediato e equivalente nos custos da mineração.
No entanto, a permanência dos preços em patamares elevados por várias semanas ou meses pode pressionar os orçamentos operacionais.
Transporte, fornecedores e cadeias logísticas sob pressão
O impacto potencial também alcança fornecedores e contratados que prestam serviços à mineração.
O transporte terrestre de concentrados, cátodos, reagentes, explosivos, peças de reposição e equipamentos industriais depende de uma ampla rede de operadores logísticos.
Quando os preços dos combustíveis sobem, as transportadoras podem enfrentar custos mais altos para manter seus serviços, especialmente se os contratos não preveem mecanismos de reajuste.
Minas situadas longe dos centros industriais ou dos portos podem ficar ainda mais expostas devido às distâncias de transporte.
Em regiões como Antofagasta, Atacama e Tarapacá, a infraestrutura logística é essencial para a continuidade das operações de mineração.
Além disso, os fretes marítimos internacionais podem ficar mais caros quando sobem os preços dos combustíveis usados pelos navios ou dos seguros associados a determinadas rotas.
A variação do preço do petróleo pode afetar ao mesmo tempo o custo direto da extração e o preço de serviços indispensáveis à mineração.
Eletrificação e eficiência energética ganham relevância
A volatilidade do mercado petrolífero reforça o interesse da mineração em tecnologias que reduzam a dependência de combustíveis fósseis.
Entre as alternativas estão a eletrificação de equipamentos, a adoção de sistemas de transporte por correias, a otimização das rotas de caminhões e o desenvolvimento de máquinas de mineração com menores emissões.
Também avançam as pesquisas sobre baterias, sistemas híbridos e novas soluções de fornecimento de energia para máquinas de grande porte.
Essas tecnologias podem ajudar a reduzir a exposição de determinadas operações às oscilações do diesel.
No entanto, sua implementação exige investimentos, infraestrutura elétrica e soluções técnicas compatíveis com as condições de cada jazida.
Nas operações em atividade, a transição também enfrenta limitações relacionadas à vida útil dos equipamentos e ao tempo necessário para renovar as frotas.
Por isso, a gestão dos combustíveis convencionais continua sendo um componente fundamental do planejamento financeiro e operacional de muitas mineradoras.
O que o mercado de energia acompanhará em novembro
A evolução dos preços dependerá principalmente da intensidade do conflito no Oriente Médio, das condições de navegação pelo estreito de Ormuz e dos resultados das negociações diplomáticas.
Um avanço efetivo rumo a um acordo poderia reduzir parte da incerteza embutida nas cotações. Em contrapartida, novas operações militares ou interrupções do comércio marítimo poderiam intensificar as pressões sobre o abastecimento.
No Chile, também será importante acompanhar o comportamento do câmbio, os preços internacionais dos combustíveis refinados e a forma como essas variáveis são repassadas ao mercado interno.
A combinação de petróleo caro e dólar valorizado poderia elevar os custos de importação, embora esse efeito dependa da evolução efetiva das duas variáveis.
No caso da mineração, as empresas terão de avaliar se a alta do petróleo é passageira ou marca o início de um período mais prolongado de preços elevados.
O petróleo Brent volta a superar US$106 por barril em um cenário internacional marcado pela incerteza geopolítica. Para a mineração chilena, essa evolução merece atenção pelos possíveis efeitos sobre o transporte, os custos operacionais e a competitividade da produção.
A continuidade das tensões no Oriente Médio pode manter o mercado de energia entre as principais variáveis externas a serem consideradas pelas operações de mineração e seus fornecedores nos próximos meses.









