Commodities

A prata cai abaixo de US$50 e o estanho lidera perdas entre os metais industriais

Os preços internacionais registraram fortes diferenças nesta sexta-feira, 30 de outubro. Alumínio e chumbo avançaram em Londres, enquanto ouro, prata e outros metais preciosos sofreram quedas expressivas.

A prata cai abaixo de US$50 e o estanho lidera perdas entre os metais industriais

O mercado internacional de metais encerrou o pregão de referência desta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, com resultados distintos. O estanho liderou as perdas entre os principais metais industriais, com queda de 3,18%, enquanto o alumínio subiu 1,40%. Paralelamente, a prata perdeu o patamar de US$50 por onça e o ouro recuou à menor cotação em cerca de um ano durante as negociações em Nova York.

Os resultados refletem diferenças entre os metais usados principalmente em processos industriais e aqueles que também funcionam como ativos financeiros. O pregão foi marcado pela volatilidade dos mercados internacionais, pelas expectativas em relação às taxas de juros dos Estados Unidos e pelas perspectivas de demanda.

Preços dos metais industriais nesta sexta-feira, 30 de outubro

As cotações à vista da Bolsa de Metais de Londres, reunidas no relatório diário da Cochilco, tiveram o seguinte comportamento:

Metal

Preço (US$/tonelada)

Variação diária

Alumínio

US$3.114,00

+1,40%

Chumbo

US$1.890,00

+0,64%

Níquel

US$15.240,00

-0,78%

Zinco

US$3.955,50

-0,62%

Estanho

US$48.795,00

-3,18%

O estanho registrou a maior queda percentual do grupo, recuando para US$48.795 por tonelada. O metal é usado principalmente em soldas, componentes eletrônicos, revestimentos e outras aplicações industriais.

A queda contrastou com o desempenho do alumínio, que chegou a US$3.114 por tonelada. O metal é uma matéria-prima importante para os setores de transporte, construção, embalagens e fabricação de componentes elétricos.

O chumbo também encerrou o pregão em alta, com avanço de 0,64%, para US$1.890 por tonelada. Já o níquel recuou para US$15.240 e o zinco caiu para US$3.955,50 por tonelada.

Esses preços correspondem às referências à vista de Londres e não incluem necessariamente prêmios comerciais, custos de transporte ou outras condições aplicadas a operações físicas específicas.

Ouro e prata sofrem fortes quedas em Nova York

Os metais preciosos registraram oscilações ainda mais acentuadas durante a sessão nos Estados Unidos.

Às 11h47, no horário de Nova York, o ouro à vista recuava 3,1%, para US$3.897,09 por onça troy, atingindo o nível mais baixo desde outubro de 2025.

A prata caía cerca de 6%, negociada em torno de US$49 por onça. Com o movimento, o metal rompeu o patamar de US$50 pela primeira vez em aproximadamente onze meses.

A platina também operava em baixa, perto de 4%, cotada em torno de US$1.434 por onça, enquanto o paládio recuava cerca de 3%, para US$977.

Metal precioso

Preço de referência (US$/onça)

Variação aproximada

Ouro

US$3.897,09

-3,1%

Prata

US$49,00

-6,0%

Platina

US$1.434,00

-4,0%

Paládio

US$977,00

-3,0%

Os números representam cotações intradiárias, e não o fechamento definitivo do mercado americano.

A pressão sobre os metais preciosos coincidiu com a queda das ações de tecnologia e com a crescente preocupação com o retorno dos investimentos ligados à inteligência artificial.

Analistas do Commerzbank avaliaram que as perdas nas bolsas podem ter provocado vendas de ativos considerados refúgio, como o ouro, para cobrir necessidades de liquidez e exigências de garantias financeiras.

A isso se somaram as expectativas de que as taxas de juros permaneçam elevadas por mais tempo, cenário que costuma reduzir a atratividade relativa do ouro diante de instrumentos que oferecem rendimentos financeiros.

Lítio também registra recuos na China

No mercado chinês, as referências do carbonato de lítio recuaram durante o pregão.

A Shanghai Metals Market cotou o carbonato de lítio para baterias em aproximadamente US$14.015 por tonelada, uma queda de cerca de US$365 em relação à referência anterior.

Já o carbonato de lítio de grau industrial ficou em torno de US$13.521 por tonelada, também com queda de cerca de US$366.

Esses valores correspondem a referências do mercado físico chinês convertidas em dólares e não devem ser confundidos com preços de exportação da América do Sul nem com cotações de lítio metálico.

O comportamento do carbonato de lítio é especialmente relevante para produtores ligados às cadeias de fornecimento de baterias, embora as condições contratuais, a qualidade do produto e o mercado de destino possam gerar diferenças significativas nos preços efetivamente recebidos.

Um balanço dividido no fim de outubro

O pregão de sexta-feira evidenciou uma diferença marcante entre os principais grupos de metais.

Entre os metais industriais, alumínio e chumbo avançaram, enquanto estanho, níquel e zinco registraram perdas. Entre os preciosos, as quedas foram mais generalizadas e especialmente acentuadas no caso da prata.

A evolução desses mercados nos próximos pregões dependerá, entre outros fatores, das expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos, do comportamento do dólar, da atividade industrial e dos sinais de demanda vindos da China.

As referências divulgadas nesta sexta-feira mostram que as commodities metálicas não reagiram de maneira uniforme às condições financeiras internacionais, mesmo em um pregão marcado por fortes vendas de ativos.