
Em Zaruma, no Equador, o risco de subsidência se concentra em áreas onde coincidem galerias subterrâneas, materiais de cobertura suscetíveis a deformações e registros anteriores de afundamento. Um estudo publicado em 2026 pela Revista Científica GeoLatitud identificou os maiores recalques entre La Inmaculada e La Colón; registros oficiais também classificaram como de risco muito alto a área da cratera formada em dezembro de 2021. No entanto, a localização das galerias não pode ser reconstruída com base em um único mapa: é preciso combinar observações em campo com informações geológicas e minerárias do subsolo.
La Inmaculada e La Colón concentram sinais de subsidência
O artigo “Aplicación del Método Semiempírico en Asentamientos Máximos para Establecer el Comportamiento del Material que Genera Sobrecarga posterior a los Eventos de Subsidencia en el cantón Zaruma” foi publicado em 22 de abril de 2026, no volume 9, número 1, da GeoLatitud. Os autores são Jonathan Fernando Tobar Torres, Iván Núñez Pérez, Diego Mauricio Alquinga López, Tito Salvador Vélez Suquilanda, Ángel Fernando Bonilla e Danny Burbano Morillo, ligados ao Instituto de Investigación Geológico y Energético (IIGE), à Universidad Central del Ecuador ou atuantes como pesquisadores independentes.
O estudo analisa subsidências registradas entre 2016 e 2022 em La Inmaculada, Gonzalo Pizarro e La Colón. Examina a sobrecarga — os materiais situados acima das galerias — após as obras de mitigação realizadas em 2022 e aplica um método semiempírico, baseado em teoria e observação, combinado ao monitoramento dos recalques e a critérios de danos à infraestrutura na superfície. O resumo aponta os maiores recalques entre La Inmaculada e La Colón e os relaciona ao relaxamento dos materiais da cobertura litológica terciária e à presença de aterros.
O resumo disponível não informa valores numéricos para esses recalques nem faixas de incerteza. Por isso, o resultado permite indicar onde se concentraram os maiores valores na área estudada, mas não estabelecer, por si só, uma medida de deslocamento nem o nível de risco atual de cada imóvel.
Galerias, camadas geológicas e rocha orientam a avaliação
Um estudo técnico anterior do IIGE, publicado em 2020 na mesma revista, analisou o afundamento que atingiu parte da Unidade Educativa La Inmaculada Fe y Alegría. A equipe realizou inspeções na superfície e no interior da mina, levantamentos geológico-geotécnicos e geofísicos, além de sondagens rotativas diamantadas com recuperação de testemunhos. Os testemunhos foram submetidos a ensaios de mecânica das rochas. A integração dos dados de campo, laboratório e escritório permitiu elaborar um modelo geológico-geotécnico para subsidiar o projeto das obras de recuperação.
Essa combinação é necessária porque a localização de uma cavidade subterrânea não basta para explicar a resposta da superfície: também são importantes a espessura e as propriedades das camadas que a recobrem, as condições da rocha e o estado dos aterros. No episódio de 15 de dezembro de 2021, o Servicio Nacional de Gestión de Riesgos y Emergencias (SNGRE) registrou o afundamento no cruzamento das ruas 29 de Noviembre, Colón e Ernesto A. Castro, dentro da área classificada como de risco muito alto no mapa de deslocamentos do terreno entregue em março de 2020. A avaliação preliminar descreveu camadas de argila entre 15 e 25 metros de profundidade sobre andesitos fraturados e brechas vulcânicas com propriedades geomecânicas desfavoráveis, além de galerias de mineração a poucos metros da superfície.
Mapa de risco é elaborado com várias camadas, não apenas com crateras visíveis
O mapeamento de perigos é uma ferramenta de triagem territorial: indica quais áreas precisam de investigação e avaliação mais detalhadas, mas não equivale a uma planta completa de cada galeria nem determina, por si só, a estabilidade de cada edifício. Em 2021, o mapa preliminar de subsidência da área afetada foi analisado pelas entidades técnicas; o relatório de emergência apontou que a delimitação deveria ser confrontada com análises do IIGE e do Ministerio de Desarrollo Urbano y Vivienda e ajustada por meio de verificações periódicas.
Para aprimorar essa base, o IIGE propôs uma zonificação geotécnica de Zaruma e Portovelo na escala 1:5.000. A metodologia do projeto prevê integrar dados de topografia, geofísica, hidrogeologia, sondagens exploratórias e ensaios de campo e laboratório. Entre as atividades informadas em 2023 estava a georreferenciação das galerias subterrâneas e a determinação de sua extensão e volume — trabalho importante em áreas onde os registros históricos ou a dificuldade de acesso aos túneis impedem reconstruir diretamente toda a rede sob a cidade.
As obras de recuperação na superfície da cratera de 2021 foram concluídas em 2022, mas o levantamento de informações do solo e do subsolo prosseguiu como parte do planejamento anunciado naquele ano. A precisão do diagnóstico depende da integração desses dados com o monitoramento das deformações: os estudos publicados descrevem áreas e mecanismos observados, mas não garantem estabilidade uniforme em toda a área urbana.






