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Uma usina nuclear de 600 MW no mar: o ambicioso projeto que busca autorização nos Estados Unidos

A dinamarquesa Saltfoss quer gerar eletricidade com reatores de sais fundidos instalados em plataformas flutuantes. A Coreia do Sul fabricaria as estruturas, enquanto os Estados Unidos ficariam responsáveis pela montagem nuclear.

Uma usina nuclear de 600 MW no mar: o ambicioso projeto que busca autorização nos Estados Unidos

A dinamarquesa Saltfoss deu mais um passo no desenvolvimento de uma usina nuclear flutuante capaz de gerar até 600 megawatts (MW) de eletricidade, ao comunicar, em 3 de novembro de 2026, à Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos (NRC) sua intenção de iniciar conversas preliminares ao processo de licenciamento. A proposta busca transferir parte da construção de usinas nucleares de instalações em terra para estaleiros industriais, por meio de plataformas que, posteriormente, poderiam ser instaladas em locais costeiros.

O projeto prevê reatores modulares de sais fundidos, uma tecnologia que utiliza combustível nuclear dissolvido em sais a altas temperaturas. Ao contrário das grandes usinas convencionais, a Saltfoss propõe fabricar plataformas padronizadas, transportá-las por mar e conectá-las a redes elétricas ou instalações industriais que precisem de fornecimento contínuo de energia.

No entanto, a usina ainda não tem autorização para ser construída nem operar. A empresa concluiu o projeto conceitual do reator em 2025 e atualmente trabalha no desenvolvimento tecnológico e nos procedimentos regulatórios necessários para avançar rumo a uma eventual comercialização.

Até seis reatores nucleares em uma única plataforma

O sistema desenvolvido pela Saltfoss se chama seaMSR-100 e foi projetado para fornecer 100 MW de potência elétrica por reator. Sua configuração modular permitiria instalar várias unidades em uma mesma estrutura flutuante, com capacidade entre 100 e 600 MW elétricos.

Em sua configuração máxima, uma plataforma poderia abrigar seis reatores e atingir uma potência comparável à de uma usina convencional de porte médio. O projeto também prevê a produção de calor para processos industriais, com capacidade térmica de até 1.500 MW na configuração de maior porte.

Uma das características mais impressionantes é a vida útil projetada. A Saltfoss afirma que seus reatores foram projetados para funcionar por 24 anos sem reabastecimento de combustível nuclear, embora essa capacidade ainda não tenha sido comprovada em uma operação comercial com essa duração.

O modelo prevê que as plataformas permaneçam estacionárias em locais costeiros e sejam conectadas à infraestrutura elétrica em terra. Ao fim de sua vida útil, elas poderiam ser levadas de volta a instalações especializadas para descomissionamento e eventual tratamento do combustível.

Entre os possíveis consumidores estão complexos industriais costeiros, redes elétricas e grandes centros de dados, cujas operações exigem fornecimento constante de energia.

Coreia do Sul fabricaria as plataformas e os Estados Unidos integrariam os reatores

Para desenvolver sua proposta, a Saltfoss planeja dividir a fabricação entre dois países com diferentes capacidades industriais. A sul-coreana Samsung Heavy Industries ficaria responsável pela produção das plataformas flutuantes, aproveitando sua infraestrutura de estaleiros e sua experiência com grandes estruturas marítimas.

Posteriormente, instalações nos Estados Unidos fariam a montagem dos reatores, o carregamento do combustível nuclear e a integração final dos sistemas de geração.

A estratégia busca aproveitar processos industriais padronizados e reduzir a quantidade de obras que normalmente precisam ser realizadas diretamente no local de uma usina nuclear.

A empresa afirma que a construção repetitiva em estaleiros poderia reduzir custos e prazos em comparação com projetos convencionais. Entre seus objetivos comerciais está entregar plataformas cerca de três anos após o recebimento de um pedido, embora esse prazo ainda seja uma estimativa e não se baseie em experiência comprovada com usinas operacionais desse tipo.

A iniciativa também prevê cooperação tecnológica com instituições dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Em setembro de 2026, a Saltfoss anunciou um acordo de dois anos com o Instituto Coreano de Pesquisa de Energia Atômica (KAERI) para avançar na fabricação de combustível, nos testes de circulação de sais fundidos e na avaliação da corrosão de materiais submetidos a altas temperaturas.