
A empresa suíça Sika anunciou em 4 de novembro de 2026 uma parceria com a empresa de tecnologia australiana IndustryOS para distribuir mundialmente dois sistemas de sensores voltados a operações de mineração subterrânea e à construção de túneis. As soluções permitem avaliar o endurecimento do concreto e determinar quando ele atinge a resistência necessária para a retomada de determinadas atividades.
O acordo prevê a comercialização do Safecrete Qube e do Safewall, duas tecnologias que usam sensores e plataformas digitais para estimar a evolução da resistência de materiais empregados na sustentação de escavações e nas operações de preenchimento em minas.
O objetivo é fornecer informações durante a realização dessas atividades, para que os responsáveis pelas operações possam tomar decisões com base nas condições do material, e não apenas em prazos de espera definidos previamente.
Sensores integrados ao concreto permitem avaliar sua resistência
O Safecrete Qube foi desenvolvido para monitorar o concreto projetado, conhecido como shotcrete, usado para reforçar paredes e tetos de túneis e escavações subterrâneas. O material tem papel essencial na sustentação da rocha, especialmente nas primeiras etapas após a aplicação.
O sistema incorpora pequenos sensores sem fio diretamente ao concreto durante a projeção. Segundo as especificações da IndustryOS, cada dispositivo mede 20 × 20 × 16 milímetros e é protegido por resina epóxi para suportar as condições de instalação.
Os sensores registram informações sobre o processo de endurecimento, que são transmitidas posteriormente por dispositivos de comunicação a uma plataforma digital. Com base nesses dados e na calibração prévia da mistura, o sistema estima em tempo real a resistência atingida pelo concreto.
Essas informações permitem avaliar quando o revestimento desenvolveu a resistência necessária para determinadas tarefas, como a entrada de trabalhadores e máquinas após a aplicação do material.
A diferença em relação aos procedimentos baseados apenas em prazos predefinidos é que o sistema leva em conta a evolução estimada do concreto aplicado. No entanto, a autorização para entrar novamente na área também depende das condições geotécnicas, dos sistemas de sustentação e dos protocolos de segurança de cada operação.
Safewall monitora barreiras usadas no preenchimento de minas
A segunda tecnologia incluída no acordo é o Safewall, desenvolvido para monitorar as barreiras de contenção usadas em operações de preenchimento subterrâneo.
Essas estruturas precisam atingir resistência suficiente para suportar a pressão do material de preenchimento, que pode incluir misturas de resíduos de mineração, água e componentes cimentícios usadas para ocupar espaços previamente lavrados.
De acordo com a IndustryOS, o Safewall utiliza nove sensores distribuídos em três linhas e instalados na estrutura antes da aplicação do material. Os dispositivos permitem acompanhar o processo de endurecimento e estimar quando a barreira atinge a capacidade necessária para suportar as cargas previstas.
Com essas informações, as equipes operacionais podem avaliar a retomada do preenchimento com base na resistência estimada da estrutura, em vez de depender exclusivamente de um prazo fixo.
Parceria comercial para ampliar o monitoramento subterrâneo
A Sika será parceira comercial mundial da IndustryOS para as duas tecnologias. O acordo permitirá incluir os sistemas de monitoramento no portfólio de produtos e soluções da companhia para mineração e construção de túneis.
Philipp Irniger, responsável pela área de Construção da Sika, relacionou o acordo à estratégia de digitalização da companhia. Já Cameron Baker, diretor-executivo da IndustryOS, destacou a possibilidade de ampliar a comercialização internacional das tecnologias por meio da rede de distribuição da empresa suíça.
O uso de sensores para estimar a resistência inicial do concreto responde a um desafio conhecido na mineração subterrânea: determinar quando o material pode cumprir adequadamente sua função de sustentação sem manter as operações paralisadas por períodos desnecessários.
No entanto, o acordo anunciado tem caráter comercial e, por si só, não representa uma validação independente dos benefícios operacionais ou de segurança. A Sika não informou investimentos relacionados, datas específicas de implementação por país nem resultados quantificados sobre a redução dos tempos de espera ou do número de acidentes.
A próxima etapa será a comercialização internacional das duas soluções, cuja adoção efetiva dependerá da adesão de empresas de mineração e contratadas especializadas.






