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Sessenta caminhões elétricos operam sem motorista a mais de 5.400 metros e superam a produtividade da condução manual

A mina de cobre Zhibula, no Tibete, concluiu a implantação autônoma de sua frota em setembro de 2026. A EACON informa redução de 80% na necessidade de motoristas e mais horas efetivas de operação.

Sessenta caminhões elétricos operam sem motorista a mais de 5.400 metros e superam a produtividade da condução manual

A mais de 5.400 metros acima do nível do mar, em uma das áreas de mineração mais desafiadoras da China, 60 caminhões de mineração totalmente elétricos realizam operações de transporte sem motoristas a bordo. A tecnologia, desenvolvida pela EACON Mining Technology e implementada na mina de cobre Zhibula, alcançou uma nova etapa operacional em setembro de 2026, após um ano de testes e ajustes em condições de frio extremo, escassez de oxigênio e estradas cobertas de neve. A operação faz parte do complexo cuprífero Julong, ligado ao grupo chinês Zijin Mining, e combina duas tecnologias que ainda apresentam desafios importantes para a mineração em grandes altitudes: a propulsão por baterias e os sistemas de condução autônoma.

As novas informações divulgadas pela EACON em 2 de novembro indicam que a frota superou a produtividade registrada na condução manual, enquanto a necessidade de motoristas caiu 80%. O resultado representa um avanço em relação às primeiras etapas do projeto, quando os veículos ainda precisavam de ajustes para alcançar o desempenho dos operadores humanos, e demonstra o progresso de uma tecnologia que busca transformar o transporte de minério em operações localizadas em condições geográficas extremas.

Dos primeiros testes a 60 caminhões sem motorista

O desenvolvimento começou com testes em campo em setembro de 2025, quando os veículos foram submetidos a avaliações para verificar sua capacidade de se deslocar, transportar material e completar trajetos de forma autônoma nas condições particulares de Zhibula. Nos meses seguintes, os caminhões incorporaram gradualmente as funções necessárias para integrar as operações regulares de transporte. Em março de 2026, 52 caminhões já operavam de forma autônoma e alcançavam aproximadamente 90% da produtividade registrada na condução manual, uma diferença que mostrava a necessidade de aperfeiçoar ainda mais os ciclos operacionais antes de igualar o desempenho dos motoristas.

Seis meses depois, em setembro, a operação havia alcançado uma nova etapa: os 60 veículos faziam parte da implantação autônoma da mina e, segundo dados fornecidos pela EACON, sua produtividade superava a obtida com a condução humana. A empresa não informou o percentual exato dessa vantagem nem divulgou uma comparação completa das toneladas transportadas por hora. Por isso, o resultado deve ser entendido como um indicador de desempenho informado pelo fornecedor da tecnologia, e não como uma medição independente de produtividade.

Uma mina onde a neve permanece durante boa parte do ano

O ambiente é uma das características mais marcantes dessa operação. Zhibula fica na região do Tibete, em uma área onde as atividades de mineração ocorrem a altitudes superiores a 5.400 metros e sob condições meteorológicas especialmente complexas. A EACON afirma que a região permanece coberta de neve por cerca de 330 dias ao ano, enquanto as estradas passam por ciclos repetidos de congelamento e degelo, que afetam a aderência, o tráfego de equipamentos pesados e os trabalhos de manutenção. A menor disponibilidade de oxigênio também representa uma exigência fisiológica considerável para quem precisa cumprir turnos prolongados nessa altitude.

Em uma mina convencional, o transporte de minério exige motoristas disponíveis nos diferentes turnos, além de medidas de proteção e adaptação às condições ambientais. A condução autônoma muda esse modelo: os caminhões percorrem suas rotas com sistemas de percepção, posicionamento e controle, enquanto a equipe supervisiona o funcionamento da frota a partir de centros de controle. A tecnologia desenvolvida pela EACON inclui soluções de percepção do ambiente, controle de movimento e gerenciamento da frenagem para lidar com as condições operacionais. No entanto, a automação não elimina a necessidade de supervisão humana, manutenção nem procedimentos de segurança.

A necessidade de motoristas caiu 80%

Uma das mudanças mais importantes ocorreu na organização do trabalho. Os dados do projeto indicam que a implantação autônoma permitiu reduzir em 80% a necessidade de motoristas nas tarefas de transporte, embora isso não signifique necessariamente que a empresa tenha demitido essa proporção de trabalhadores. A EACON explicou anteriormente que parte da equipe deixou de dirigir os veículos diretamente e passou a exercer funções de supervisão e despacho, afastando-se das condições mais difíceis da área de extração. A mudança também permite manter uma frota em operação sem depender da presença de um operador em cada caminhão durante todo o ciclo de transporte.

Em termos operacionais, a empresa também informou um aumento de 16% nas horas efetivas de trabalho por dia, dado que aponta para um melhor aproveitamento dos veículos e a redução de determinadas interrupções associadas ao sistema convencional. No entanto, as informações divulgadas não detalham completamente a metodologia de cálculo, os períodos usados na comparação nem as condições específicas que explicam o resultado. Por isso, embora os indicadores mostrem uma evolução positiva do projeto, ainda não permitem determinar com precisão quanto dessa melhoria se deve exclusivamente à condução autônoma.

Caminhões elétricos: a segunda mudança no transporte de minério

A operação de Zhibula não se limita a substituir motoristas por sistemas autônomos. Os 60 veículos também são movidos totalmente a eletricidade, por meio de baterias, em vez de motores a diesel convencionais. Com isso, é possível eliminar as emissões diretas de escapamento durante a operação. O impacto ambiental total, porém, depende de outros fatores, como a origem da eletricidade usada para recarregar os equipamentos, a fabricação das baterias e as necessidades de manutenção ao longo de sua vida útil.

A combinação de eletrificação e automação também traz desafios relacionados à disponibilidade de energia e ao planejamento dos trajetos. Uma frota elétrica precisa coordenar os períodos de recarga com as demandas de produção, evitando que as paradas prejudiquem desnecessariamente o transporte de material. Os sistemas autônomos podem contribuir para essa coordenação ao tornar mais uniformes os deslocamentos, as velocidades e os ciclos operacionais. Ainda assim, os dados disponíveis sobre Zhibula não permitem determinar quanto o consumo total de energia foi reduzido nem qual economia específica a implementação gerou.

Zijin Mining acelera a transformação de suas operações

O projeto faz parte de um processo mais amplo de modernização promovido pela Zijin Mining. Em agosto de 2026, a mineradora informou que sua frota de caminhões elétricos havia chegado a 1.314 unidades no primeiro semestre, considerando diferentes operações do grupo. A empresa também afirmou que os equipamentos elétricos já representavam mais da metade dos caminhões usados em suas minas a céu aberto na China. No mesmo balanço, estabeleceu como meta concluir a operação autônoma de Zhibula até o fim de setembro, prazo que coincide com a implantação posteriormente informada pela EACON.

A relevância desse avanço também está ligada à escala do complexo Julong. Em 2025, as operações de cobre reunidas sob Julong, incluindo Julong e Zhibula, produziram aproximadamente 194.000 toneladas de cobre. Para 2026, a Zijin estabeleceu uma meta conjunta de 300.000 toneladas, apoiada pela expansão de suas instalações. Esses números se referem ao complexo, e não apenas a Zhibula; portanto, não podem ser usados para calcular a contribuição produtiva dos 60 caminhões autônomos nem para atribuir diretamente a eles o crescimento previsto.

O desafio de operar sem motorista nas minas de maior altitude

A experiência de Zhibula é uma referência relevante para outras regiões mineradoras com condições geográficas exigentes. No Chile, operações como Collahuasi, situada a aproximadamente 4.400 metros de altitude, também enfrentam os efeitos da altitude sobre os trabalhadores e as exigências de continuidade operacional. No entanto, o desempenho da mina chinesa não garante que os mesmos níveis de produtividade possam ser reproduzidos em outras operações, já que a configuração das vias, as distâncias de transporte, as inclinações, a infraestrutura de recarga e as condições climáticas influenciam diretamente os resultados de cada projeto.

A EACON também participa de trabalhos de automação relacionados ao projeto de cobre Zhunuo, controlado pela Zijin Mining, onde as altitudes chegam a aproximadamente 5.800 metros. A iniciativa ainda está em fase de preparação para incorporar gradualmente o transporte autônomo e ampliar o uso dessas soluções em ambientes ainda mais exigentes. Por enquanto, o resultado de Zhibula demonstra que uma frota de dezenas de caminhões elétricos pode ser incorporada às operações rotineiras de uma mina situada acima de 5.400 metros, sem motoristas a bordo. O próximo desafio será manter os níveis de produtividade divulgados por períodos prolongados e obter informações verificáveis sobre custos, consumo de energia, confiabilidade e resultados em segurança.