
A australiana Gekko Systems começou a fabricar um conjunto de equipamentos de mineração capazes de separar, de acordo com as metas de projeto, até 75% da massa do material recebido antes de encaminhá-lo às etapas seguintes do processamento. A tecnologia será instalada na mina de tungstênio e estanho Hemerdon, em Devon, na Inglaterra, como parte de um programa de modernização voltado a aumentar a eficiência de uma operação que está retomando a produção.
O avanço foi confirmado em 22 de outubro de 2026 pela Gekko Systems, que está fabricando os equipamentos em suas instalações em Ballarat, na Austrália. O sistema utiliza concentradores gravimétricos chamados InLine Pressure Jig (IPJ), projetados para separar partículas minerais por diferenças de densidade, sem submeter toda a alimentação a etapas posteriores mais complexas.
A instalação terá capacidade prevista de até 150 toneladas por hora e integra a estratégia da Tungsten West, proprietária de Hemerdon, para retomar a produção comercial em um dos maiores depósitos conhecidos de tungstênio fora da China.
Como funciona a máquina que separa o material de valor da rocha
O princípio de funcionamento dos equipamentos InLine Pressure Jig é aproveitar as diferenças de densidade entre os minerais de interesse econômico e os componentes de menor valor presentes na rocha.
Em vez de encaminhar todo o material britado diretamente às etapas convencionais de concentração, o sistema faz uma separação preliminar que permite obter um fluxo enriquecido em minerais de valor.
Para Hemerdon, a Gekko Systems está preparando um circuito especializado em partículas de 0,8 a 7 milímetros, uma fração que exige tratamento adequado para recuperar o tungstênio e reduzir a quantidade de material desnecessário que segue para a usina.
O conjunto prevê duas linhas de separação primária e secundária, conhecidas tecnicamente como etapas rougher e scavenger. Elas serão complementadas por etapas adicionais de limpeza e relimpeza para aumentar a concentração dos minerais recuperados.
O objetivo é obter um produto com maior teor de tungstênio, que exija menos operações posteriores para atingir as especificações de um concentrado comercializável.
O índice de rejeição de 75% refere-se especificamente à massa alimentada ao circuito de pré-concentração. Isso não significa que a mina eliminará 75% de todo o minério extraído, nem que esse resultado já tenha sido comprovado operacionalmente em Hemerdon.
Sistema também busca reduzir o consumo de água e energia
Além de diminuir o volume de material que segue para as etapas seguintes, a tecnologia incorpora recursos voltados à redução dos recursos necessários para fazer a separação.
A Gekko Systems afirma que seus equipamentos InLine Pressure Jig consomem cerca de 20% menos energia que os concentradores gravimétricos convencionais e utilizam apenas 10% do volume de água consumido por esses equipamentos.
Isso representa uma redução comparativa de até 90% no uso de água pelo equipamento de separação, mas não necessariamente uma economia equivalente no consumo hídrico de toda a operação de mineração.
A tecnologia opera por meio de uma câmara pressurizada e de um sistema de pulsação que favorece a separação das partículas de acordo com sua densidade.
O material entra por uma corrente de polpa mineral em uma estrutura circular. As partículas mais densas tendem a se deslocar para a área de recuperação, enquanto as mais leves são removidas por outra corrente.
A configuração permite ajustar diferentes parâmetros operacionais, como a frequência de pulsação, o tamanho das partículas e as condições de alimentação, conforme as características mineralógicas do material.
Em uma operação como Hemerdon, a vantagem potencial é reduzir a quantidade de rocha que precisa passar pelos equipamentos existentes, diminuindo a carga de trabalho das instalações e as necessidades associadas ao processamento.
No entanto, os percentuais de economia de energia e água divulgados correspondem às características comparativas da tecnologia. Ainda não são resultados de medições verificadas do novo circuito em funcionamento na mina britânica.
Hemerdon adota novas tecnologias para retomar a produção
A incorporação dos equipamentos australianos faz parte de uma transformação mais ampla do sistema de processamento de Hemerdon.
A Tungsten West adquiriu a operação em dezembro de 2019, depois que a antiga proprietária, Wolf Minerals, enfrentou dificuldades que levaram ao fechamento da mina em 2018.
Desde então, a empresa trabalha em uma reorganização técnica e financeira para corrigir problemas do sistema original de processamento e estabelecer uma operação economicamente sustentável.
Em fevereiro de 2026, a Tungsten West formalizou contratos com a Gekko Systems e o Duo Group para executar componentes fundamentais de seu programa de modernização.
O projeto inclui novos equipamentos de britagem primária e secundária, instalações para armazenar minério britado e um sistema de classificação por sensores desenvolvido com tecnologia da TOMRA Mining.
O objetivo desse sistema é identificar e separar o material de menor valor antes que ele entre na usina convencional. Segundo o projeto apresentado pela Tungsten West, a classificação prévia pretende reduzir em cerca de 70% a quantidade de material que precisaria ser processada nas instalações existentes.
Posteriormente, o circuito InLine Pressure Jig realizará uma etapa adicional de pré-concentração sobre a fração granulométrica correspondente.
Os dois percentuais se referem a etapas diferentes do processo e não devem ser somados nem interpretados como uma única taxa de rejeição do minério extraído.
A mina já começou a produzir, mas a modernização continua
O desenvolvimento dos novos equipamentos coincide com um avanço importante na recuperação operacional de Hemerdon.
Em 15 de setembro de 2026, a Tungsten West confirmou que havia retomado o processamento de minério, como parte da partida gradual de suas instalações.
A empresa também informou que havia obtido concentrados de tungstênio e estanho com a reativação do circuito de concentração de finos.
Essa produção inicial não significa que todas as instalações previstas já estejam operacionais. O plano prevê incorporar gradualmente os circuitos restantes e concluir a partida da planta no primeiro trimestre de 2027.
A empresa projeta atingir uma produção estável no segundo semestre daquele ano, dependendo do cumprimento das etapas de construção, instalação e comissionamento.
Portanto, os equipamentos que a Gekko Systems está fabricando fazem parte de uma etapa de modernização cujos resultados industriais em Hemerdon ainda precisam ser comprovados.
Projeto conta com apoio do governo britânico
A retomada de Hemerdon também é importante para a estratégia de abastecimento de minerais críticos do Reino Unido.
O tungstênio tem alta resistência térmica, grande densidade e propriedades que o tornam relevante para ferramentas de corte, perfuração de rochas, componentes aeroespaciais, fabricação industrial e aplicações de defesa.
O interesse em desenvolver fontes alternativas de abastecimento cresceu depois que a China adotou controles de exportação de produtos de tungstênio, em fevereiro de 2025.
Nesse contexto, o National Wealth Fund do Reino Unido anunciou, em agosto de 2026, um pacote de financiamento de até 71 milhões de libras esterlinas para apoiar a retomada de Hemerdon.
A estrutura prevê um investimento de 36 milhões de libras em capital e financiamento por meio de empréstimos de até 35 milhões, incluindo uma parcela adicional não comprometida.
Em 23 de setembro, a Tungsten West firmou um acordo comercial vinculante de oito anos com a americana Elmet Technologies, que prevê o fornecimento anual de 1.000 toneladas de trióxido de tungstênio contido.
O acordo fortalece as perspectivas comerciais do projeto, embora as entregas futuras dependam de Hemerdon atingir os níveis de produção necessários.
O desafio será comprovar quanto material a mina consegue descartar
O principal atrativo do sistema desenvolvido pela Gekko Systems é sua capacidade projetada de reduzir significativamente a massa enviada às etapas seguintes de concentração.
Se o circuito atingir seus objetivos, a Tungsten West poderá processar uma corrente de minério mais enriquecida, utilizando menos capacidade das instalações posteriores para tratar material de baixo valor econômico.
No entanto, o desempenho final dependerá de fatores como as características do minério alimentado, a eficiência da separação, a recuperação efetiva do tungstênio e a estabilidade dos equipamentos durante a operação contínua.
A fabricação já começou, mas a capacidade de processar 150 toneladas por hora e rejeitar até 75% da alimentação continua sendo uma meta de projeto para esta instalação, e não um resultado já alcançado em escala industrial.
A incorporação do sistema a Hemerdon permitirá verificar se a separação antecipada do material pode ajudar a reduzir os custos de processamento e aumentar a eficiência de uma mina que busca recuperar uma posição estratégica no abastecimento internacional de tungstênio.






