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Duas perfuratrizes inteligentes chegam à Argentina preparadas para operar sem operador na cabine

As primeiras SmartROC D65 incorporadas ao país começarão em operações convencionais e avançarão gradualmente para sistemas automatizados. Os equipamentos contam com tecnologia que permite controlar as operações a partir de estações remotas.

Duas perfuratrizes inteligentes chegam à Argentina preparadas para operar sem operador na cabine

A fabricante sueca Epiroc confirmou em outubro de 2026 a chegada à Argentina das duas primeiras perfuratrizes de superfície SmartROC D65, máquinas projetadas para executar trabalhos de mineração de alta precisão e evoluir da operação manual para modalidades autônomas. A incorporação prevê uma transição tecnológica gradual, embora ainda não haja uma data confirmada para que os equipamentos comecem a operar sem profissionais nas cabines.

As perfuratrizes serão utilizadas inicialmente em atividades de pré-stripping, que envolvem a preparação e a remoção do material que cobre as áreas de interesse mineral. Depois, serão destinadas a operações de pré-corte, técnica de perfuração usada para controlar a fragmentação da rocha e definir os limites da escavação durante as detonações.

A principal característica dessa incorporação é que os equipamentos não começarão a operar de forma autônoma, apesar de contarem com recursos tecnológicos para avançar nessa direção. Na primeira etapa, as máquinas serão operadas manualmente, enquanto se desenvolve o processo necessário para incorporar níveis maiores de automação.

A Epiroc não informou publicamente em qual mina as duas perfuratrizes serão utilizadas, nem especificou quem é o proprietário, o valor da aquisição ou um cronograma definitivo para concluir a transição para operações autônomas.

Como funcionam as perfuratrizes SmartROC D65

A SmartROC D65 é uma perfuratriz de superfície desenvolvida para mineração a céu aberto e pedreiras. Ela utiliza a tecnologia de martelo de fundo, conhecida como DTH (Down-the-Hole), que transmite a energia de impacto diretamente à ferramenta de perfuração.

De acordo com as especificações técnicas do fabricante, o modelo pode realizar perfurações com diâmetros de 110 a 229 milímetros, com profundidade máxima de 56 metros, dependendo da configuração e das condições de trabalho.

A máquina tem motor de 403 quilowatts e peso aproximado de 23 toneladas para transporte. Mede 12,4 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e 2,5 metros de largura. Esses dados correspondem às especificações gerais do modelo e podem variar conforme os equipamentos instalados.

Entre seus recursos estão a perfuração automática e o manuseio automatizado de hastes, sistemas que ajudam a manter parâmetros operacionais consistentes e reduzem algumas intervenções manuais.

A máquina também conta com cabine equipada com tela sensível ao toque, pela qual o operador pode acompanhar os parâmetros de trabalho. O sistema exibe informações sobre a perfuração e dados coletados durante o avanço do furo, facilitando o monitoramento do processo.

Esses recursos formam a base tecnológica para a incorporação de funções mais autônomas, embora a disponibilidade efetiva dependa da configuração e das soluções implementadas em cada operação.

A tecnologia que permitirá controlar as perfuratrizes a distância

O processo de automação previsto para os equipamentos destinados à Argentina terá como suporte o Common Automation Panel (CAP), uma plataforma desenvolvida pela Epiroc para controlar perfuratrizes a partir de estações remotas e facilitar a operação de diferentes modelos por meio de uma interface comum.

O sistema permite integrar equipamentos das linhas SmartROC e Pit Viper, para que os operadores possam monitorar e controlar máquinas compatíveis sem necessariamente permanecer em suas cabines.

Em janeiro de 2025, a Epiroc anunciou a disponibilidade comercial do CAP para essas linhas de perfuratrizes. A plataforma tem tela sensível ao toque de 12 polegadas e controles configuráveis, que permitem adaptar a estação de operação a diferentes equipamentos.

A importância do sistema está em oferecer uma infraestrutura comum para avançar gradualmente do controle convencional para modalidades de operação remota e automatizada.

No entanto, controle remoto e operação totalmente autônoma não são a mesma coisa. No primeiro caso, uma pessoa continua enviando comandos a distância; no segundo, a máquina pode executar determinadas sequências de trabalho sem intervenção humana contínua, embora sob supervisão e seguindo procedimentos de segurança.

Pablo Nifure, gerente de Negócios da Divisão Surface Drilling & OreBody Solutions da Epiroc Cone Sul, explicou que os recursos tecnológicos incorporados permitirão avançar para novas modalidades operacionais e reduzir a exposição dos trabalhadores a determinadas atividades em campo.

A empresa não detalhou quais funções autônomas específicas serão habilitadas inicialmente nas duas máquinas destinadas à Argentina.

Uma tecnologia que já opera de forma autônoma nos Estados Unidos

A possibilidade de usar perfuratrizes SmartROC sem operadores nas cabines já foi demonstrada em outras operações internacionais.

Em setembro de 2025, a Epiroc e a empresa americana Luck Stone anunciaram a incorporação de uma SmartROC D65 MKII totalmente autônoma ao mercado de pedreiras dos Estados Unidos.

A máquina foi equipada com tecnologias que permitem executar sequências completas de perfuração sem operador na cabine, com supervisão remota por meio do Common Automation Panel e da plataforma Link Open Autonomy.

O equipamento foi apresentado como uma aplicação de autonomia de nível 4, de acordo com a classificação adotada pelo Global Mining Guidelines Group, demonstrando que a tecnologia já tem aplicações operacionais em determinados ambientes.

No entanto, esse antecedente não significa que as duas máquinas recém-chegadas à Argentina já operem com o mesmo nível de autonomia. A configuração definitiva e as condições de implementação dos equipamentos argentinos não foram detalhadas publicamente.

O que falta para as máquinas operarem de forma autônoma

A transição de uma perfuratriz operada manualmente para uma operação autônoma exige mais do que a incorporação de sistemas eletrônicos de controle.

Também é preciso considerar a comunicação entre os equipamentos e as estações remotas, a integração aos procedimentos da operação, os sistemas de segurança e a capacitação dos profissionais responsáveis por supervisionar as atividades.

No caso argentino, a Epiroc confirmou a intenção de avançar gradualmente para esse modelo, mas não informou quando a implementação começará nem quais serão as metas operacionais de cada etapa.

Também não há resultados públicos que permitam comparar a produtividade, os tempos de perfuração ou as condições de operação dessas duas máquinas com os de equipamentos convencionais usados no país.

Por enquanto, o avanço confirmado é a chegada das primeiras SmartROC D65 à Argentina e a previsão de que sejam incorporadas a trabalhos de preparação de mina. A autonomia é a próxima fase do projeto.

Epiroc amplia presença tecnológica na Argentina

A chegada dessas perfuratrizes também integra as atividades da Epiroc na Argentina, mercado em que a empresa está presente há quase seis décadas.

Victoria Larrea, gerente da filial argentina da fabricante, destacou a continuidade das operações da empresa no país e a incorporação de soluções tecnológicas para atender às necessidades da indústria de mineração.

A Epiroc desenvolve suas atividades regionais por meio da organização Cone Sul, que abrange Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. Sua estrutura inclui uma filial em San Juan e operações de suporte técnico e distribuição no território chileno.

A incorporação dos novos equipamentos abre espaço para a aplicação de tecnologias avançadas de perfuração na Argentina, embora o alcance definitivo dessa transformação dependa de sua implementação em campo.

O próximo avanço importante será verificar quando as duas perfuratrizes deixarão de depender da operação manual e quais funções poderão executar de forma autônoma, sob supervisão remota.