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Caminhões gigantes de 230 toneladas começam a operar em uma das maiores minas de ferro da África

Os XDE260, do fabricante chinês XCMG, começaram a operar em Simandou, na Guiné. Os caminhões contam com propulsão diesel-elétrica e sistemas de frenagem de alta potência e integram uma frota destinada a ampliar a produção mineral.

Caminhões gigantes de 230 toneladas começam a operar em uma das maiores minas de ferro da África

Os gigantescos caminhões de mineração XDE260, capazes de transportar até 230 toneladas de material por viagem, entraram em operação no projeto de minério de ferro de Simandou, localizado no sudeste da Guiné, na África Ocidental. Fabricados pela empresa chinesa XCMG, os equipamentos começaram a trabalhar na operação da SimFer, responsável pelos blocos 3 e 4 da jazida. Sua incorporação representa um novo avanço no desenvolvimento de uma das maiores minas de minério de ferro de alto teor do mundo, impulsionada pela participação da Rio Tinto e de empresas chinesas, em um momento em que o complexo mineral aumenta gradualmente os volumes de extração e transporte após iniciar seus primeiros embarques internacionais no fim de 2025.

Caminhões de 230 toneladas com tecnologia diesel-elétrica e frenagem de alta potência

O XCMG XDE260 é um caminhão rígido de mineração de grande porte, projetado para transportar minério e estéril em minas a céu aberto. Sua capacidade nominal de carga chega a 230 toneladas, o equivalente a 230.000 quilogramas de material em uma única viagem, enquanto a velocidade máxima de projeto é de 64,5 quilômetros por hora. A velocidade efetiva de operação, porém, depende das condições das vias, da carga e dos protocolos de segurança. Diferentemente dos veículos convencionais, o modelo utiliza uma arquitetura diesel-elétrica, na qual um motor a combustão fornece energia a um sistema de tração elétrica que transmite a potência às rodas, permitindo controlar a força de tração durante o deslocamento com cargas pesadas.

O modelo prevê configurações com motores Cummins QSK60 ou MTU 16V4000 e sistemas de acionamento elétrico de corrente alternada, incluindo soluções da Wabtec e opções do próprio fabricante. Um de seus principais componentes é o sistema de frenagem dinâmica, projetado para controlar a velocidade em descidas prolongadas sem depender exclusivamente dos freios mecânicos. A tecnologia oferece potência máxima de frenagem de 2.910 quilowatts e capacidade contínua de 2.761 quilowatts, características especialmente importantes em minas onde os veículos percorrem rampas transportando centenas de toneladas. O sistema ajuda a reduzir o esforço térmico sobre os freios convencionais e a manter maior estabilidade no controle do veículo, mas não substitui os dispositivos de segurança nem os procedimentos operacionais estabelecidos.

A combinação de tração elétrica, frenagem de alta potência e grande capacidade de transporte atende às exigências das grandes operações de mineração, nas quais a produtividade depende da movimentação de grandes volumes de material em ciclos contínuos de carga e descarga. Apesar de contar com motores elétricos no sistema de propulsão, o XDE260 não é um veículo totalmente elétrico nem livre de emissões diretas, pois utiliza um motor a diesel como principal fonte de energia. O projeto também leva em conta as condições de trabalho típicas da mineração a céu aberto, como exposição à poeira, altas exigências mecânicas e longas jornadas operacionais.

XCMG amplia presença na mineração com contrato superior a US$110 milhões

A incorporação dos XDE260 faz parte dos equipamentos destinados a apoiar as atividades de extração da SimFer, cuja frota principal também inclui caminhões XCMG XDE130, escavadeiras hidráulicas Komatsu PC5500 e carregadeiras frontais Komatsu WA1200. Os equipamentos desempenham funções complementares no processo produtivo, da escavação e do carregamento do minério ao transporte para as instalações de processamento e expedição. A preparação das equipes inclui treinamento em simuladores avançados da Immersive Technologies, usados para familiarizar os operadores com o comportamento das máquinas e os procedimentos de segurança antes do trabalho em campo.

A mobilização faz parte de um acordo comercial anunciado em agosto de 2024, quando a XCMG confirmou um contrato de fornecimento com a Rio Tinto SimFer superior a US$110 milhões, que prevê mais de 34 caminhões de mineração da categoria de 230 toneladas, além de motoniveladoras e outros equipamentos de apoio. Em dezembro de 2025, o fabricante informou o início do envio dessas unidades de suas instalações industriais na China para a Guiné, acompanhado de um programa de assistência técnica que prevê mais de 100 especialistas para prestar serviços de manutenção, treinamento e suporte operacional. A entrada em operação representa uma etapa posterior à fabricação e ao envio dos equipamentos, mas não foi informado quantos XDE260 estão atualmente em atividade na mina.

A participação da XCMG em Simandou também tem relevância comercial para o setor de máquinas pesadas, pois permite à fabricante chinesa consolidar sua presença em operações de mineração de grande escala, segmento tradicionalmente dominado por Caterpillar e Komatsu. O fornecimento não se limita à entrega de veículos: inclui serviços de assistência técnica e manutenção, necessários para manter a disponibilidade de equipamentos submetidos a condições intensivas de operação. Para a SimFer, a incorporação dessas máquinas faz parte dos preparativos para ampliar gradualmente os volumes de extração e garantir o transporte interno do minério.

Simandou avança rumo à produção de 60 milhões de toneladas por ano

Simandou concentra importantes recursos de minério de ferro de alto teor na região montanhosa do sudeste da Guiné e é um dos maiores novos empreendimentos de mineração desse tipo no mundo. Sua exploração está organizada em duas grandes áreas: os blocos 3 e 4 são operados pela SimFer, uma parceria entre o Governo da Guiné, a Rio Tinto e o consórcio CIOH, liderado pela Chinalco, enquanto os blocos 1 e 2 são desenvolvidos pelo Winning Consortium Simandou. Os dois projetos integram um complexo que inclui infraestrutura de mineração, ferroviária e portuária para viabilizar a exportação de minério aos mercados internacionais.

Após o início dos primeiros embarques, em dezembro de 2025, o projeto começou a ampliar gradualmente suas operações comerciais. No primeiro semestre de 2026, a SimFer embarcou aproximadamente 2,2 milhões de toneladas de minério de ferro para a China, das quais 1,6 milhão correspondeu ao segundo trimestre. Mais tarde, em sua atualização operacional de 14 de outubro, a Rio Tinto informou que Simandou havia atingido, no terceiro trimestre, um ritmo de produção anualizado próximo de 10 milhões de toneladas. O indicador expressa o ritmo de produção alcançado, e não o volume total acumulado no período.

A companhia mantém a meta de atingir um ritmo de produção de 60 milhões de toneladas anuais na SimFer no segundo semestre de 2028, objetivo que exige ampliar continuamente a capacidade de extração, processamento e transporte. Considerando em conjunto os projetos da SimFer e do Winning Consortium Simandou, a infraestrutura compartilhada foi projetada para viabilizar exportações de até 120 milhões de toneladas anuais quando o complexo atingir a capacidade prevista. Esses números correspondem às metas e à capacidade de projeto, por isso não devem ser confundidos com os níveis de produção atualmente registrados pela operação.

Uma extensa malha ferroviária liga as minas ao oceano Atlântico

Um dos maiores desafios de Simandou é transportar grandes volumes de minério de uma região montanhosa no interior da Guiné até terminais marítimos capazes de receber e embarcar milhões de toneladas por ano. Para isso, o projeto prevê uma ferrovia transguineana com mais de 600 quilômetros, complementada por ramais que ligam as diferentes áreas de mineração à infraestrutura de exportação. No primeiro trimestre de 2026, foi concluída a implantação do sistema ferroviário necessária para dar suporte ao aumento gradual dos embarques da SimFer, enquanto prosseguiam as obras das instalações portuárias em Morebaya.

Em setembro, começou a entrada em operação, por etapas, dos equipamentos de armazenamento, recuperação e embarque de minério no complexo portuário. Até a conclusão das instalações próprias da SimFer, parte de sua produção utiliza a infraestrutura de exportação desenvolvida pelo Winning Consortium Simandou. Essa integração entre vias de transporte interno, sistemas de processamento, ferrovias e terminais marítimos é fundamental para sustentar o aumento previsto da produção, pois a capacidade de extração, por si só, não garante que todo o minério chegue aos mercados internacionais no prazo necessário.

Nessa cadeia logística, os novos caminhões XCMG XDE260 têm a função de transportar material das frentes de lavra até as instalações de processamento e manuseio de minério. A elevada capacidade de carga permite movimentar grandes volumes a cada ciclo, enquanto os sistemas de tração e frenagem foram projetados para atender às exigências de uma operação de grande porte. A entrada em operação desses veículos não significa que Simandou tenha atingido sua capacidade definitiva, mas confirma a incorporação de máquinas pesadas a uma operação que continua ampliando sua escala. O cumprimento da meta para os próximos anos dependerá tanto do desempenho dos equipamentos quanto do desenvolvimento e funcionamento coordenado de toda a infraestrutura de mineração, ferroviária e portuária.