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Por que uma mina subterrânea não ventila todos os túneis ao máximo?

Em uma mina profunda, manter o ar circulando em túneis sem atividade também consome energia.

Por que uma mina subterrânea não ventila todos os túneis ao máximo?

Uma mina subterrânea não precisa do mesmo fluxo de ar em cada galeria e em todos os turnos. A ventilação sob demanda (VoD, na sigla em inglês) ajusta o fluxo à presença de trabalhadores e equipamentos e às condições ambientais monitoradas. O objetivo é evitar o funcionamento desnecessário dos ventiladores sem reduzir o fluxo de ar abaixo do necessário para controlar gases, poeira, calor e emissões de motores a diesel.

A ventilação não se resume a ligar um ventilador principal: o ar precisa percorrer uma rede de galerias, chegar às frentes de trabalho ativas e remover contaminantes. Os sistemas VoD combinam sensores de fluxo e de gases com dados sobre a localização de pessoas e máquinas. Com essas informações, os controles ajustam ventiladores — por exemplo, por meio de inversores de frequência — e reguladores que distribuem o ar entre os setores. O fluxo mínimo não é universal: depende da operação, dos riscos e das exigências aplicáveis em cada jurisdição.

Sensores e controles direcionam o ar para as áreas ativas

Um artigo de revisão de Mahesh Shriwas e Christopher Pritchard, publicado em 2020 na revista Mining, Metallurgy & Exploration, analisou tecnologias de monitoramento e controle e documentou aplicações em minas do Canadá, da Austrália e dos Estados Unidos. Entre as variáveis consideradas estão a velocidade e a direção do ar, a temperatura e a umidade, além de gases como monóxido e dióxido de carbono, óxidos de nitrogênio e oxigênio. O sistema também pode usar o rastreamento de trabalhadores e equipamentos para estimar onde a ventilação é necessária.

A revisão reúne resultados operacionais distintos, que não devem ser interpretados como uma taxa de economia aplicável a qualquer mina. Em Nickel Rim, no Canadá, um teste realizado em 2011 combinou sensores ultrassônicos de fluxo, detectores de gases, rastreamento por radiofrequência, ventiladores de velocidade variável e reguladores; o estudo registrou uma economia anual de 10.140 MWh. Em Gwalia, na Austrália, o controle automático ajustava ventiladores e reguladores às necessidades de produção de cada turno. No local, foram informadas reduções anuais nos custos de ventilação de US$7,2 milhões nos ventiladores principais e de US$230.000 nos secundários. O mesmo caso registrou uma demora de até 10 minutos para estabilizar o fluxo após algumas mudanças.

Esses exemplos mostram por que o projeto da rede é tão importante quanto a potência do ventilador. Se um setor fica sem atividade, os controles podem reduzir ou redirecionar parte do fluxo; quando o trabalho é retomado, o sistema precisa responder a tempo e garantir as condições necessárias na frente de trabalho. Um estudo de otimização publicado em Applied Energy em 2015 por Arnab Chatterjee, Lijun Zhang e Xiaohua Xia modelou uma rede de ventilação subterrânea com base nas leis de Kirchhoff e Tellegen, além das leis dos ventiladores. No caso analisado, o estudo estimou que a combinação de VoD com mudanças nos horários de produção permitiria economizar 2.540.035 kWh por ano. Trata-se de um resultado de modelagem para aquele caso, que não pode ser aplicado diretamente a outras operações.

A economia tem limites: fluxo mínimo, falhas e demora na circulação do ar

O controle automático não determina, por si só, quanto ar é seguro. Os valores mínimos são definidos considerando os contaminantes que precisam ser diluídos, a atividade, os equipamentos em uso e as normas e os planos de ventilação de cada mina. Nos Estados Unidos, por exemplo, o NIOSH indica que as operações de carvão devem especificar em seus planos o fluxo mínimo necessário para manter o metano abaixo de 1% nas frentes de trabalho; esse limite se aplica àquele contexto e não é uma regra universal para toda a mineração.

Também há limitações dos instrumentos. Shriwas e Pritchard alertam que um sensor com defeito ou descalibrado pode fornecer dados incorretos e que uma medição pontual da velocidade pode não representar bem o fluxo em toda a galeria. Além disso, os autores apontam dificuldades para estimar as condições atmosféricas nas áreas entre os sensores e para incorporar o monitoramento contínuo e acessível de poeira de sílica e material particulado de motores a diesel. O estudo destaca a necessidade de supervisão humana e de levar em conta o tempo que a ventilação demora para responder às mudanças.

Um estudo posterior, publicado em 2024 na revista Engineering Applications of Artificial Intelligence por Ahmad Ihsan, Nuhindro Priagung Widodo, Jianwei Cheng e En-yuan Wang, testou dois modelos neurodifusos adaptativos (ANFIS): um estimava a potência ideal do ventilador e o outro, o tempo necessário para diluir o metano. Foram usados sensores em um túnel de laboratório em escala que representava as condições de uma frente de desenvolvimento em uma mina de carvão. Os modelos alcançaram valores de R² de 0,84 e 0,96, respectivamente, e o teste registrou redução de até 43% no consumo de potência. Esse resultado corresponde às condições experimentais de laboratório, e não a uma economia comprovada em uma mina inteira.

Por isso, ventilação sob demanda não significa deixar os túneis inativos sem ar nem desligar o sistema de segurança. Significa ajustar a distribuição com base em informações confiáveis, mantendo os mínimos definidos para a operação e verificando se os controles respondem adequadamente. As evidências publicadas incluem testes de campo e modelos; os resultados de economia não são diretamente comparáveis, pois variam as condições iniciais, os limites do sistema e o método de avaliação.