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O mármore da Patagônia chilena parece esculpido à mão: o que o deixou assim?

No lago General Carrera, as paredes de mármore aparecem polidas e perfuradas exatamente onde a água toca a rocha.

O mármore da Patagônia chilena parece esculpido à mão: o que o deixou assim?

As cavernas e colunas das Capelas de Mármore, no lago General Carrera, não foram esculpidas por ferramentas: formaram-se quando a água dissolveu lentamente a rocha. O processo ocorre em mármores ricos em carbonato de cálcio e teria modelado as formas visíveis após o recuo das geleiras na região.

A paisagem fica a cerca de 5 quilômetros a sudeste de Puerto Río Tranquilo, na Região de Aysén. O Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin) classifica o local como um geossítio de interesse geomorfológico e petrológico; o conjunto foi declarado Santuário da Natureza em junho de 1994.

A idade exata do mármore do lago General Carrera é desconhecida

A rocha é muito mais antiga que as cavernas. O Sernageomin situa os mármores da região entre o Devoniano Superior e o Carbonífero Superior, no Complexo Metamórfico Andino Oriental. A ficha geológica da Sociedade Geológica do Chile os descreve como parte do embasamento metamórfico regional e estima uma idade próxima de 300 milhões de anos; também ressalta que a idade exata desses mármores é desconhecida.

O mármore se forma quando rochas carbonáticas, como o calcário, são transformadas por pressão e temperatura no interior da Terra. Nas Capelas, o mármore aparece junto a outras rochas metamórficas, entre elas os xistos calcários. O guia geológico do local estima que o carbonato de cálcio represente cerca de 94% dessas rochas; o dado descreve sua composição predominante, não uma medição específica de cada caverna.

A água dissolveu o carbonato e abriu cavidades na rocha

O processo que explica essas formas é a carstificação: a dissolução gradual de rochas ricas em carbonato de cálcio pelo contato com a água. O Sernageomin atribui a esse processo a formação de cavernas, fraturas, cavidades, colunas e outras estruturas. As faixas de diferentes tonalidades que percorrem o mármore correspondem a variações nos minerais e nas estruturas cristalinas, e a luz refletida pelo lago realça essas cores.

O estudo de José Miguel Benado, Felipe Andrade e Paulo Quezada, elaborado pela Fundação Centro de Estudos de Montanha e pela Seremi de Mineração de Aysén, caracteriza o santuário como uma paisagem cárstica e aponta a dissolução química como o principal processo responsável pela formação das cavidades. O trabalho é uma descrição geológica e um levantamento de valores e ameaças para a gestão do local; não apresenta uma medição experimental da velocidade de dissolução nem a datação individual das galerias.

Os 12.000 anos se referem à modelagem da paisagem, não à idade de cada caverna

A estimativa do Sernageomin situa o início da modelagem lacustre há cerca de 12.000 anos, pouco antes do começo do Holoceno. Trata-se de uma idade aproximada para a ação da água sobre a paisagem, associada ao recuo glacial e à configuração do lago; isso não significa que todas as cavidades tenham começado a se formar no mesmo ano nem que tenham sido datadas separadamente.

Assim, o aspecto de rocha recém-esculpida combina duas escalas distintas: um mármore formado há centenas de milhões de anos e cavidades que a água vem ampliando ao longo do período posterior à última glaciação.