
Um terremoto pode parecer breve e, ainda assim, levar à avaliação de risco de tsunami, porque a percepção em terra não basta para determinar se o movimento deslocou o fundo do mar nem que efeitos poderia causar na costa. No Chile, essa avaliação técnica cabe ao Servicio Hidrográfico y Oceanográfico de la Armada (SHOA); a resposta para proteger a população é coordenada com o Servicio Nacional de Prevención y Respuesta ante Desastres (SENAPRED).
A duração sentida por alguém não é, por si só, um indicador oficial para descartar ou confirmar a ameaça. O sistema considera dados do terremoto, modelos de cenários e medições do nível do mar; em seguida, as autoridades comunicam as medidas cabíveis. Por isso, um alerta não significa necessariamente que uma onda destrutiva já tenha sido observada: indica uma condição de ameaça que deve ser tratada de acordo com as instruções oficiais.
O SHOA combina dados sísmicos, cenários modelados e medições do mar
O Sistema Nacional de Alarma de Maremotos (SNAM), operado pelo SHOA, avalia a ameaça para o litoral chileno. Sua ferramenta de apoio, o Sistema de Suporte a Decisões / Sistema Integrado de Predição e Alerta de Tsunamis (SSD/SIPAT), recebeu uma atualização que entrou em operação em 11 de dezembro de 2025. O desenvolvimento principal ficou a cargo da seção de modelagem de tsunamis do Departamento de Oceanografia do SHOA, com a participação de profissionais de engenharia e oceanografia.
A versão 2 ampliou a base de cenários sísmicos pré-modelados e acrescentou um método de interpolação para estimar as amplitudes associadas a cada cenário com potencial tsunamigênico. Também expandiu a área de análise do México até o sul do Peru, com o objetivo de avaliar eventos em zonas de subducção distantes que poderiam afetar o Chile. A autoridade marítima informou que a ferramenta foi validada com cenários históricos e avaliação de especialistas; as informações públicas consultadas não detalham o número de cenários nem divulgam limites numéricos de magnitude ou profundidade para cada nível de ameaça.
A avaliação não se limita a terremotos. No caso de tsunamis provocados por movimentos de massa ou erupções vulcânicas, se não houver informações técnicas para uma modelagem em tempo real, o SHOA pode estabelecer o nível de ameaça com base nas amplitudes registradas pelas estações de medição do nível do mar. Isso permite incorporar observações instrumentais e atualizar a resposta à medida que novos dados são conhecidos.
Precaução, alerta e alarme definem respostas diferentes
O protocolo tripartite entre SHOA, SENAPRED e o Centro Sismológico Nacional (CSN) estabelece a avaliação técnica e a coordenação das ações. Os níveis são aplicados a setores específicos: a precaução está associada aos efeitos esperados em uma zona de precaução; alerta e alarme indicam uma ameaça maior e preveem a evacuação para áreas seguras. A abrangência territorial e as instruções são comunicadas nos boletins oficiais e podem mudar caso sejam recebidos novos dados sísmicos ou medições do mar.
Há também uma medida preventiva específica para as regiões de Aysén e Magallanes: enquanto aguarda a avaliação do SHOA, o SENAPRED determina a evacuação preventiva para áreas seguras quando é registrada intensidade VII ou superior na escala Mercalli em uma zona costeira. É uma medida localizada, não um limite geral aplicável automaticamente a todo o litoral chileno.
Se o terremoto dificultar ficar em pé, não espere por um aviso
O SENAPRED recomenda que quem estiver em uma área de evacuação por tsunami se desloque imediatamente para terrenos elevados, um ponto de encontro ou uma área segura se o terremoto dificultar ficar em pé. Também orienta a evacuação sem esperar por instruções quando, após o tremor, o mar recuar de forma incomum e deixar o fundo exposto. A evacuação horizontal é prioritária; a vertical, para um edifício de pelo menos oito andares, subindo o máximo possível, é uma alternativa caso não seja possível chegar a um local seguro.
Antes de uma emergência, é recomendável consultar os mapas de evacuação e identificar as rotas e os pontos de encontro da comuna. Durante um alerta, siga os canais oficiais, mantenha distância de desembocaduras de rios e não volte para casa até que as autoridades autorizem. Tsunamis próximos podem atingir a costa em poucos minutos e seus efeitos podem durar horas: a brevidade do tremor sentido não substitui a avaliação técnica nem os sinais naturais de evacuação.






