
O fabricante chinês de máquinas pesadas Lingong Heavy Machinery (LGMG) anunciou em 21 de outubro que apresentará uma nova geração de equipamentos de mineração durante a bauma China 2026, que será realizada em novembro, em Xangai. Entre os principais destaques estão sua primeira escavadeira de mineração totalmente elétrica, um caminhão rígido híbrido com configuração 4×2 e um caminhão articulado com sistema de transmissão redesenhado.
A apresentação faz parte de uma exposição com mais de 30 produtos, que incluirá máquinas de mineração, plataformas elevatórias e equipamentos de movimentação de materiais. Cerca de 95% das novas máquinas anunciadas terão sistemas de propulsão híbridos ou totalmente elétricos.
A empresa busca ampliar sua oferta de equipamentos para operações que exigem alta potência, disponibilidade mecânica e capacidade de trabalho contínuo, mas que também enfrentam pressões para reduzir o consumo de combustíveis e as emissões.
A primeira escavadeira de mineração totalmente elétrica da LGMG
Uma das novidades mais relevantes será a inclusão de uma escavadeira de mineração totalmente elétrica, desenvolvida para ampliar as opções de máquinas pesadas que não dependem diretamente de motores a combustão durante a operação.
A empresa confirmou que será sua primeira escavadeira de mineração desse tipo, mas ainda não divulgou suas especificações técnicas.
Ainda não foram informados dados como peso operacional, capacidade da caçamba, potência instalada, sistema de alimentação elétrica e condições de autonomia ou continuidade operacional.
Também não foi especificado se a máquina usará baterias recarregáveis, conexão permanente a uma fonte externa de eletricidade ou outra configuração de fornecimento de energia.
Essas informações serão determinantes para definir em quais operações ela poderá competir com as escavadeiras convencionais a diesel.
Na mineração a céu aberto, as escavadeiras precisam movimentar grandes volumes de material durante jornadas prolongadas. Por isso, a capacidade de manter ciclos constantes de escavação e carregamento é tão importante quanto a potência nominal da máquina.
A eletrificação permite eliminar as emissões diretas do escapamento de um motor a diesel quando o equipamento funciona exclusivamente com eletricidade. No entanto, os benefícios econômicos e ambientais dependem de fatores como a origem da energia, as necessidades de infraestrutura e os custos operacionais.
Até o momento, a LGMG não divulgou resultados de testes comparativos que permitam quantificar essas vantagens para sua nova escavadeira.
Um caminhão de mineração híbrido com configuração 4×2
A segunda novidade será um caminhão rígido de mineração híbrido com configuração 4×2, equipado com um motor elétrico síncrono de ímãs permanentes, conhecido pela sigla PMSM.
Essa tecnologia usa campos magnéticos permanentes para gerar movimento, uma arquitetura que pode oferecer vantagens de eficiência e controle em aplicações de alta potência.
A designação 4×2 identifica uma configuração com quatro posições de roda, das quais duas recebem tração. Embora esse arranjo seja usado em veículos industriais, a LGMG destaca como novidade sua aplicação no sistema híbrido do caminhão que prepara para a feira.
O fabricante apresenta o desenvolvimento como pioneiro em seu segmento e afirma que ele foi projetado para melhorar a eficiência, a confiabilidade e a segurança operacional.
Ainda assim, faltam dados técnicos essenciais para avaliar seu desempenho.
A LGMG não divulgou a capacidade de carga do veículo, a potência do sistema de propulsão, o tamanho das baterias nem o consumo de combustível esperado.
Também não especificou como a potência será distribuída entre os componentes elétricos e a combustão durante as operações de transporte.
Essas informações permitirão determinar as vantagens reais do novo projeto em relação aos caminhões de mineração convencionais e a outros modelos híbridos disponíveis.
Outro caminhão híbrido busca melhorar a tração em terrenos difíceis
A terceira inovação é um caminhão articulado híbrido com uma arquitetura de transmissão redesenhada.
Diferentemente dos caminhões rígidos, os articulados têm uma articulação entre suas seções, o que facilita as manobras em terrenos irregulares e em áreas de operação complexas.
A LGMG afirma que a nova configuração permitirá lidar com problemas comuns de confiabilidade do sistema de transmissão e melhorar a capacidade de tração em superfícies enlameadas ou em condições difíceis.
A proposta responde a uma exigência operacional concreta: manter o deslocamento de equipamentos carregados quando as condições do terreno dificultam a transferência de potência para o solo.
A empresa ainda não divulgou números sobre capacidade de transporte, inclinação máxima de operação, consumo de energia ou resultados de testes do novo sistema.
Assim, as melhorias anunciadas são objetivos de projeto que precisarão ser confirmados pelo desempenho efetivo da máquina.
Energia solar, armazenamento e robôs de recarga para máquinas de mineração
A estratégia da LGMG não se limita a substituir motores a diesel por componentes elétricos.
Durante a bauma China 2026, a empresa também exibirá soluções que integram geração solar, armazenamento de energia e infraestrutura de recarga para equipamentos industriais.
A proposta inclui estações móveis e robôs de recarga, além de sistemas destinados a coordenar o fornecimento de eletricidade nas operações.
O objetivo é enfrentar um dos desafios da eletrificação na mineração: fornecer energia suficiente para equipamentos de alta potência sem provocar interrupções prolongadas nos ciclos produtivos.
A empresa já realizou uma demonstração relacionada a essa estratégia entre 9 e 11 de outubro, em Ordos, Mongólia Interior, China.
Na atividade, realizada em uma operação de mineração, exibiu caminhões elétricos, sistemas de gestão de frotas, geração solar, armazenamento e carregadores de alta potência.
A LGMG informou que um de seus caminhões elétricos conseguiu elevar o nível de carga da bateria de 20% para 90% em 23 minutos, em condições de teste.
A empresa também comunicou que sua tecnologia de carregamento atingiu potência máxima de aproximadamente 3,6 megawatts em determinados ensaios.
Esses números correspondem a um sistema de transporte elétrico apresentado anteriormente, e não às novas máquinas anunciadas para a bauma China. Portanto, não permitem antecipar seu desempenho.
Fabricante chinês também avança na América do Sul
A apresentação dos novos equipamentos ocorre em meio à expansão internacional da LGMG, inclusive na América do Sul.
Em fevereiro de 2026, a fabricante informou o embarque, a partir da China, de máquinas de mineração destinadas ao Brasil, em uma operação comercial que incluía caminhões híbridos RTH100, escavadeiras ME109, caminhões de transporte CMT106 e equipamentos de apoio CMS50.
O RTH100 faz parte da linha híbrida que a LGMG já comercializa, enquanto a ME109 é uma escavadeira de mineração de grande porte, diferente do novo modelo totalmente elétrico.
Esse antecedente demonstra que a empresa tem atividade comercial no mercado sul-americano, embora não signifique que os equipamentos que serão apresentados em novembro tenham contratos de fornecimento na região.
Até o momento, não foram confirmados compradores, preços nem datas de entrega para as novas máquinas.
Quando serão apresentadas as novas máquinas de mineração
A bauma China 2026 será realizada em dois locais de Xangai. O Shanghai World Expo Exhibition & Convention Center funcionará de 23 a 26 de novembro, enquanto o Shanghai New International Expo Centre realizará atividades de 24 a 27 do mesmo mês.
A feira reunirá fabricantes e fornecedores de máquinas para construção e mineração, com destaque para sistemas elétricos, automação e novas tecnologias industriais.
Para a LGMG, será a oportunidade de apresentar seus novos desenvolvimentos em operação e fornecer informações técnicas que ainda não estão disponíveis.
Entre as principais dúvidas estão a autonomia e a potência da escavadeira elétrica, a capacidade de transporte do caminhão híbrido 4×2, o desempenho do novo caminhão articulado e os custos associados à sua utilização.
Também será preciso saber se as máquinas serão oferecidas imediatamente ao mercado, se passarão por etapas adicionais de validação ou se a produção comercial começará mais adiante.
O anúncio confirma a incorporação de novas tecnologias ao portfólio da LGMG, mas ainda não comprova sua implantação comercial. A apresentação de novembro permitirá saber o quanto esses desenvolvimentos avançaram rumo à utilização em operações reais de mineração.









