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Cem caminhões sem cabine descarregam em mina chinesa onde o inverno chega a −36 °C

A operação de Yimin combina veículos elétricos autônomos com um sistema hidráulico digital desenvolvido pela Hyva e pela XCMG. Cada caminhão pode transportar até 90 toneladas de material por viagem.

Cem caminhões sem cabine descarregam em mina chinesa onde o inverno chega a −36 °C

Uma frota de 100 caminhões elétricos de mineração circula e descarrega material sem motorista a bordo na mina de carvão a céu aberto de Yimin, na Mongólia Interior, no norte da China. Os veículos ZNK95 contam com um sistema de controle digital desenvolvido pela Hyva e pela XCMG para acionar as caçambas durante a descarga.

A frota entrou em operação em maio de 2025 como parte de um projeto da China Huaneng com a XCMG, a Huawei e a State Grid Smart Internet of Vehicles. Em 2026, a Hyva divulgou detalhes do sistema que permite automatizar o movimento das caçambas.

Yimin fica em uma região onde as temperaturas no inverno podem chegar a −36 °C. Esse dado descreve as condições que a operação pode enfrentar: não significa que cada descarga seja feita a essa temperatura nem que todos os ciclos tenham sido medidos em um frio tão intenso.

Sistema digital para movimentar a caçamba

A solução desenvolvida pela Hyva e pela XCMG se chama DTS Tip by Wire. Sua função é conectar as instruções do software do caminhão ao sistema hidráulico que levanta e abaixa a caçamba, onde o material é transportado.

O conjunto inclui cilindros hidráulicos, uma válvula de controle elétrico, sensores e um controlador central. Com esses componentes, o movimento da caçamba pode ser acionado por instruções digitais, sem que alguém precise operar uma alavanca dentro do veículo.

Um dos desafios da descarga é que parte do material pode ficar grudada na caçamba. Segundo a Hyva, o sistema detecta essa situação e ajusta a velocidade de descida para reduzir os esforços sobre a estrutura e o chassi.

A tecnologia também permite registrar a carga transportada em cada viagem e usar essas informações para analisar o desempenho dos equipamentos. Entre suas funções estão o diagnóstico remoto e a atualização de software, de acordo com as exigências do cliente e as normas aplicáveis.

A Hyva pretende ampliar o uso da solução para outros fabricantes e operações. As informações divulgadas sobre Yimin não detalham a taxa de falhas do sistema de descarga nem apresentam uma avaliação independente dos resultados.

Transporte autônomo com supervisão humana

Os ZNK95 de Yimin não têm cabine e cada um tem capacidade nominal de carga de 90 toneladas. Esse número se refere ao material que podem transportar, não ao peso total do veículo.

Para se deslocar, os caminhões usam câmeras, radares e outros sensores que fornecem informações sobre o entorno. A Huawei participa com uma plataforma que atualiza os dados de localização e ajuda a coordenar as rotas da frota e as áreas de carga e descarga.

A mina também conta com uma rede 5G avançada, que facilita a comunicação entre os veículos e os sistemas de coordenação. A automação dos trajetos e das caçambas faz parte de uma operação mais ampla, que mantém funções de supervisão e apoio sob responsabilidade de pessoas.

A intenção é reduzir a exposição dos motoristas a condições como frio, neve, poeira e baixa visibilidade. Isso não elimina todos os riscos de uma operação de mineração: os veículos, as rotas e os sistemas de comunicação continuam exigindo controle e manutenção.

Baterias intercambiáveis e menor uso de diesel

A frota usa estações que substituem automaticamente as baterias descarregadas por outras carregadas. Segundo a XCMG, a troca pode ser concluída em menos de seis minutos, permitindo que o caminhão retome o trabalho sem esperar o fim de uma recarga convencional.

A eletrificação elimina a queima de diesel nesses veículos. A Huawei afirma que a eletricidade usada pelos caminhões vem de energia solar e estima que uma frota convencional precisaria de mais de 15.000 toneladas de diesel por ano para realizar um trabalho equivalente, com emissões de cerca de 48.000 toneladas de CO₂.

Essa comparação é uma estimativa da empresa, não uma medição independente das emissões evitadas. Além disso, Yimin continua sendo uma mina de carvão: eletrificar o transporte não elimina as emissões associadas ao restante da atividade nem ao uso posterior do combustível extraído.

A implantação foi precedida por testes com caminhões a diesel adaptados, iniciados em 2020, e por uma etapa posterior com veículos elétricos, antes da entrada em operação das 100 unidades. A Huawei afirmou que, no futuro, a cobertura da mina poderá dar suporte a mais de 300 caminhões autônomos. Esse número é uma projeção e não confirma que essas unidades já tenham sido incorporadas.