
O Chiflón del Diablo preserva, sob Lota, as galerias de uma mina de carvão que avançou em direção a camadas submarinas e encerrou a exploração em 1997. Em 25 de outubro de 2026, a página oficial do Circuito Lota informa que a mina está temporariamente fechada para obras de manutenção e conservação, que não há descidas disponíveis e que a venda de ingressos para a mina está suspensa. Portanto, não é possível fazer o percurso subterrâneo enquanto o fechamento estiver em vigor.
Quando voltar a receber visitantes, a visita descrita pelo circuito inclui orientações e equipamentos de segurança antes da descida, além do percurso pelas galerias acompanhado por guias ligados ao mundo da mineração. O Conselho de Monumentos Nacionais descreve o local como uma mina de ventilação natural e lavra por pilares; a experiência permite conhecer seu funcionamento e a história do trabalho e das comunidades carboníferas. A mina é Monumento Histórico.
O avanço em direção às camadas submarinas começou em 1869
A mineração de carvão em Lota se desenvolveu a partir de meados do século XIX, quando empresários do setor começaram a explorar as jazidas da costa do golfo de Arauco. Em 1869, o esgotamento de alguns veios levou à expansão das operações em direção a camadas submarinas. O antigo Pique Carlos, hoje conhecido como Chiflón del Diablo, faz parte dessa expansão.
A jazida viveu um período de auge associado ao carvão da camada número 5, descrito pelo Conselho de Monumentos Nacionais como carvão metalúrgico de maior potencial calorífico. A expansão do uso do petróleo e da eletricidade na indústria e no transporte, somada ao esgotamento de veios de maior qualidade, contribuiu para o declínio da exploração, encerrada definitivamente em 1997.
O nome da mina ficou ligado à literatura de Baldomero Lillo. O Circuito Lota informa que o conto “El Chiflón del Diablo” faz parte da primeira edição de Sub terra, publicada em 1904. A obra retratou o mundo carbonífero de Lota e ajudou a fixar na memória pública o nome pelo qual o antigo poço é conhecido hoje.
Galerias baixas, pilares de carvão e ventilação natural
O método de lavra por pilares deixou marcas na arquitetura subterrânea: o carvão era extraído em determinados setores, enquanto pilares eram mantidos para sustentar a estrutura. O Conselho de Monumentos Nacionais descreve pilares com altura entre 1 e 1,2 metros, onde os mineiros tinham de trabalhar de joelhos. A disposição das galerias favorecia a ventilação natural.
A história do local também é a história das condições de vida e de trabalho dos mineiros. O Conselho registra problemas como moradias inadequadas, doenças ocupacionais e tratamento abusivo, além da organização sindical e das lutas dos trabalhadores. Assim, o valor patrimonial da mina não se limita à infraestrutura: ela também preserva a memória de quem trabalhou ali e da relação entre a mineração e a cidade.
Um estudo hidrogeológico de 2024, de Cristian Javier Arias Fuentes e apresentado na Universidade de Concepción, analisou a água na mina após o encerramento da exploração. O trabalho aponta que manter o circuito turístico em funcionamento exigia bombear água diariamente do antigo poço de ventilação. Após quatro visitas, o pesquisador inventariou pontos de infiltração e concluiu que a água vinha principalmente do mar e, em menor medida, das chuvas.
O estudo identificou três pontos de entrada de água no circuito, mas considerou dois pontos de observação para as medições. Estimou uma entrada de 12.547 metros cúbicos por ano e um bombeamento para o exterior de 211.700 metros cúbicos por ano. Com base na hipótese de regime estacionário e aplicando o princípio da conservação de massa, calculou outros 199.153 metros cúbicos por ano de entrada sem origem definida. O modelo conceitual de 785 hectares é apresentado como ponto de partida para futuras simulações, não como uma medição completa do sistema hídrico.
O fechamento temporário exige confirmar o acesso antes de viajar
A página oficial descreve a descida, as orientações de segurança, os equipamentos e o acompanhamento de guias. No entanto, essas informações não significam que haja visitas disponíveis atualmente: o site mantém o aviso de fechamento temporário e informa que não há descidas disponíveis.
Horários, tarifas, restrições e medidas de segurança podem mudar, e as informações publicadas sobre a descida podem ser alteradas antes da reabertura. Antes de planejar a viagem, consulte diretamente o Circuito Lota para confirmar se a mina reabriu e quais são as condições de acesso em vigor.









