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Estados Unidos: Ophir retoma exploração de ouro em Idaho após identificar mineralização de até 25,2 g/t no projeto Breccia

Um corredor mineralizado separado do núcleo de Breccia concentra a nova campanha da Ophir, mas sua conexão com as zonas conhecidas ainda não foi comprovada.

Estados Unidos: Ophir retoma exploração de ouro em Idaho após identificar mineralização de até 25,2 g/t no projeto Breccia

A mineradora canadense mobilizou equipes de campo para investigar a extensão de um corredor mineralizado localizado 800 metros a noroeste da zona principal. O programa busca ampliar o conhecimento geológico de um sistema com histórico de altos teores de ouro e prata.

A Ophir Metals Corp. retomou as atividades de exploração na superfície de seu projeto aurífero Breccia Gold, localizado no estado de Idaho, nos Estados Unidos, com o objetivo de investigar novas extensões mineralizadas e avaliar o potencial de expansão das zonas conhecidas de ouro e prata.

A companhia confirmou, em 26 de outubro de 2026, o deslocamento de equipes técnicas para a propriedade, situada a aproximadamente 40 quilômetros a sudoeste da cidade de Salmon, no condado de Lemhi.

Os trabalhos serão concentrados na extensão norte-noroeste da Breccia Gold Zone, onde uma campanha realizada em 2021 identificou afloramentos mineralizados com resultados de até 25,2 gramas de ouro por tonelada (g/t Au).

A retomada das atividades marca uma mudança nas prioridades de exploração da Ophir, que, nos últimos anos, também destinou recursos ao desenvolvimento de oportunidades relacionadas ao lítio e ao césio.

A nova campanha pretende determinar se as estruturas identificadas na superfície fazem parte de um sistema mineralizado mais amplo, com continuidade em áreas ainda pouco exploradas.

Exploração busca extensão de 800 metros

O principal alvo geológico está localizado a aproximadamente 800 metros ao norte-noroeste da área central de Breccia Gold.

Nesse setor, trabalhos históricos identificaram uma ocorrência de brechas mineralizadas que pode corresponder a uma ramificação estrutural da chamada Meadows Fault Zone, uma das principais estruturas geológicas reconhecidas na propriedade.

Durante a campanha de 2021, foram coletadas 16 amostras de afloramentos distribuídos ao longo de pelo menos 200 metros no sentido leste-oeste.

Entre os resultados históricos, destaca-se uma amostra de rocha com concentração de 25,2 g/t de ouro.

O resultado é de uma amostra superficial histórica, e não de uma nova descoberta em outubro de 2026. Também não representa o teor médio do depósito nem permite, por si só, estabelecer a existência de recursos minerais economicamente lavráveis.

Sua importância está em confirmar a presença localizada de mineralização aurífera fora do núcleo central reconhecido anteriormente.

A distância entre as duas áreas é um dos principais aspectos que a Ophir pretende investigar na nova campanha, especialmente para estabelecer possíveis conexões entre estruturas mineralizadas.

Breccia registra amostras históricas com até 84,3 g/t de ouro

O projeto conta com histórico de exploração superficial, que inclui altas concentrações de ouro e prata em diferentes setores da propriedade.

Os resultados disponíveis indicam mineralização em várias tendências geológicas, embora ainda seja necessário determinar sua continuidade, distribuição e características em profundidade.

Entre as amostras superficiais mais relevantes, destacam-se:

Zona mineralizada

Ouro (g/t)

Prata (g/t)

Meadows Fault Trend

84,3

31,3

East Breccia Zone

57,6

19,6

Musgrove Trend

16,4

15,1

Extensão norte-noroeste

25,2

Não especificada

Esses valores correspondem a resultados pontuais de amostragem e não representam teores médios de uma reserva ou recurso mineral.

A presença de diferentes zonas com mineralização aurífera indica a possibilidade de Breccia incluir vários corredores estruturais associados a um mesmo sistema geológico.

No entanto, a avaliação de seu potencial econômico exigirá informações adicionais sobre espessura, continuidade lateral, profundidade, características metalúrgicas e distribuição dos teores.

Geofísica identifica corredores com potencial de continuidade

Um dos componentes técnicos importantes de Breccia é a integração de dados geoquímicos, levantamentos magnéticos e estudos geofísicos pelo método CSAMT, utilizado para investigar variações da resistividade elétrica no subsolo.

Os resultados permitiram delimitar um corredor estrutural que se prolonga em direção ao noroeste e coincide espacialmente com tendências mineralizadas identificadas na superfície.

Essa relação é relevante porque pode direcionar a exploração para áreas onde as estruturas geológicas favoreceram a circulação de fluidos mineralizantes.

Os dados também indicam a possibilidade de corredores paralelos ao norte e a leste da Breccia Gold Zone.

No entanto, uma anomalia geofísica, por si só, não confirma a existência de mineralização economicamente recuperável.

O próximo desafio será confrontar as interpretações geofísicas com observações geológicas, amostragem e, eventualmente, novas perfurações.

O modelo de exploração do projeto considera a possibilidade de um sistema aurífero epitermal de baixa sulfetação, caracterizado por processos de mineralização associados à circulação de fluidos hidrotermais.

Esse tipo de sistema pode apresentar variações significativas de teor entre estruturas próximas, por isso é essencial compreender os controles geológicos antes de definir alvos de perfuração.

Projeto abrange 422 hectares em distrito mineiro histórico

Breccia Gold compreende 52 concessões de mineração que cobrem aproximadamente 422 hectares no distrito mineiro de Blackbird, em Idaho.

A propriedade inclui áreas associadas à histórica mina Gahsmith Gold, onde há registros de atividade mineradora desde a década de 1930.

A área conta com acesso por rodovias pavimentadas e estradas de cascalho, condição favorável à organização de campanhas de exploração e ao deslocamento de equipes de campo.

A propriedade inclui a estrutura Meadows Fault Zone e a tendência paralela Musgrove Mine Trend, esta última ainda pouco explorada.

Em campanhas realizadas entre 2018 e 2020, foram feitos trabalhos de mapeamento geológico e amostragem que contribuíram para definir o modelo de mineralização utilizado atualmente.

A Breccia também está situada em uma tendência geológica relacionada ao projeto vizinho Challis Gold, um antecedente regional que reforça o interesse exploratório pela área, embora não garanta continuidade econômica entre as propriedades.

A combinação de mineração histórica, estruturas identificadas e resultados geoquímicos explica por que a Ophir decidiu retomar as pesquisas na região.

Ophir volta a concentrar esforços em ouro e prata

A retomada dos trabalhos na Breccia faz parte de uma reorganização das prioridades de exploração da mineradora canadense.

A Ophir mantém um portfólio diversificado de ativos, entre eles o projeto de lítio Pilipas, localizado em James Bay, Quebec, e uma iniciativa ligada ao projeto BlackFyre, com potencial para cobre, níquel e cobalto.

Nos últimos anos, o interesse do mercado por minerais críticos levou diversas empresas juniores a avaliar oportunidades relacionadas a baterias, armazenamento de energia e eletrificação.

No entanto, a exploração de metais preciosos continua relevante para empresas que possuem ativos com histórico geológico favorável.

Nesse cenário, a Breccia representa uma oportunidade para revisar informações históricas e desenvolver novos alvos de exploração sem partir completamente do zero.

A propriedade conta com trabalhos anteriores, amostras analisadas e dados geofísicos que podem ser usados para direcionar novas campanhas.

Do ponto de vista financeiro, essas informações podem contribuir para definir programas de exploração mais seletivos, embora não eliminem os riscos associados à descoberta e ao desenvolvimento posterior de um depósito.

Até o momento, não foi divulgado um orçamento específico para esta campanha, nem um número definido de perfurações, metros perfurados ou investimentos associados aos trabalhos iniciados recentemente.

O que a nova campanha precisará demonstrar

O principal desafio da Ophir será determinar se os afloramentos localizados ao norte-noroeste correspondem a ocorrências isoladas ou se fazem parte de estruturas mineralizadas com continuidade suficiente para justificar uma exploração mais intensiva.

Para avançar nessa definição, a empresa precisará integrar os novos dados de campo aos resultados históricos de geoquímica e geofísica.

Também será importante determinar a orientação e a extensão das estruturas, identificar possíveis zonas com maior concentração de metais e priorizar as áreas com melhores perspectivas geológicas.

Os resultados poderão contribuir para o planejamento de futuras campanhas de perfuração, desde que as condições técnicas, financeiras e regulatórias permitam avançar para essa etapa.

Do ponto de vista do desenvolvimento da mina, a Breccia segue em fase de exploração, e os resultados superficiais disponíveis não permitem antecipar produção, vida útil, investimentos em construção ou geração de empregos operacionais.

Para o mercado de empresas juniores de mineração, há uma diferença substancial entre identificar amostras de alto teor e comprovar a existência de um depósito com potencial econômico.

O valor de um projeto não depende apenas das concentrações de ouro observadas em amostras individuais, mas também do volume, da continuidade e da acessibilidade da mineralização, além das condições metalúrgicas e econômicas de uma eventual exploração.

Idaho continua atraente para a exploração de ouro

A retomada das atividades na Breccia volta a chamar a atenção para o potencial de exploração de distritos mineiros históricos dos Estados Unidos.

Nessas áreas, a disponibilidade de dados geológicos e de antigas operações de mineração pode facilitar a identificação de novos alvos, embora as exigências ambientais, as licenças e as características geológicas continuem sendo fatores determinantes.

Para a Ophir, os próximos resultados deverão esclarecer se o corredor mineralizado identificado na superfície se estende além das áreas investigadas anteriormente.

A empresa dispõe de amostras históricas de alto teor e de um modelo estrutural que aponta alvos concretos, mas ainda precisa comprovar a continuidade e a dimensão do sistema.

A mobilização de equipamentos marca o início de uma nova etapa de exploração, não a confirmação de uma descoberta comercial.

A evolução do projeto dependerá da capacidade de transformar esses dados geológicos em alvos verificáveis, que permitam definir o verdadeiro potencial aurífero e argentífero da Breccia Gold no distrito mineiro de Idaho.