
A pergunta sobre quanto pode valer o cobre de La Coipita não se responde apenas com um alto teor: também são necessários dados que indiquem o grau de continuidade e o volume do minério, como ele se comporta no processamento e se pode ser convertido em um recurso estimado. As informações mais recentes da AbraSilver, divulgadas em 15 de junho de 2026, ampliaram as evidências geológicas do projeto argentino, mas ainda não permitem definir seu potencial econômico.
O melhor intervalo informado foi de 747,5 metros com 0,69% de cobre, a partir de 396 metros de profundidade, no furo DDH-LC26-010. A empresa também reportou intervalos incluídos de 108 metros com 1,06% de cobre e 184 metros com 0,78%. São comprimentos medidos ao longo do furo: a AbraSilver ressalta que eles não equivalem à espessura real, pois a geometria da mineralização ainda não está definida.
Os furos de Yaretas mostram extensão, mas não a espessura real
Os resultados são do programa de 2026, que concluiu 5.248 metros de sondagem diamantada em sete furos. O trabalho buscou testar os limites e a continuidade vertical da mineralização conhecida em Yaretas, além de avaliar novos alvos indicados por um levantamento geofísico magnetotelúrico, o primeiro realizado na propriedade. A nota técnica foi aprovada por David O’Connor, geólogo-chefe da AbraSilver e pessoa qualificada nos termos da norma canadense NI 43-101.
O furo DDH-LC26-011 forneceu outro dado para avaliar a continuidade: interceptou 250,6 metros com 0,39% de cobre entre 550 e 800,6 metros de profundidade. A AbraSilver interpreta que o intervalo conecta setores previamente perfurados em Yaretas. Essa interpretação ajuda a construir um modelo geológico, mas não comprova, por si só, que toda a zona intermediária tenha teor e espessura uniformes; para isso, é necessário integrar mais furos e definir a orientação do corpo mineralizado.
O programa também identificou mineralização em Yaretas Sur, a cerca de 1,9 quilômetro ao sul da área principal. O furo DDH-LC26-012 interceptou 42 metros com 1,03% de cobre, 0,63 grama de ouro por tonelada e 41 gramas de prata por tonelada; dentro desse intervalo, 28 metros registraram 1,45% de cobre. A interseção abre uma nova área a ser investigada: o resultado de um único furo ainda não comprova continuidade entre Yaretas e Yaretas Sur nem define o tamanho de um eventual corpo mineralizado comum.
A amostragem e o QA/QC respaldam os resultados dos ensaios, não uma avaliação econômica
Para os resultados de 2026, a empresa informa que coletou amostras dos testemunhos a cada dois metros e as enviou à ALS para preparação e análise. Os múltiplos elementos foram medidos por digestão com quatro ácidos e ICP-MS; o ouro foi analisado por ensaio ao fogo com leitura por ICP-MS, com métodos adicionais para valores acima da faixa. Na zona de enriquecimento secundário, foram usados barriletes de tubo triplo, e evitou-se o contato dos testemunhos com água ou serras para reduzir a perda de cobre durante a amostragem.
A divulgação de 2025 sobre o furo DDH-LC25-006 descreveu controles de referência inseridos na proporção de um para cada 20 amostras: 33 brancos, 33 padrões e 32 duplicatas. Esse furo havia interceptado 114 metros com 0,70% de cobre em uma zona interpretada como de enriquecimento secundário, além de intervalos mais profundos de mineralização do tipo pórfiro e de alta sulfetação. Esses procedimentos permitem avaliar a confiabilidade analítica das amostras, mas não substituem as informações necessárias para estimar toneladas de minério ou antecipar a recuperação metalúrgica.
Há outra ressalva importante: falar em “alto teor” descreve a concentração de cobre medida na rocha, não a pureza de um produto comercial. As análises informam porcentagens de cobre e de outros elementos; não indicam a qualidade de um concentrado produzido nem quanto metal poderia ser recuperado em uma planta. Além disso, a empresa afirma que seus intervalos correspondem a comprimentos de perfuração sem aplicação de teor de corte ou diluição e que não é possível determinar as espessuras reais devido à geometria incerta da mineralização.
Sem recurso mineral publicado, ainda faltam dados sobre tonelagem e recuperação
Para converter os resultados dos ensaios em uma estimativa do potencial econômico, os próximos passos geológicos são definir a geometria tridimensional, verificar a continuidade dos teores entre os furos e calcular a densidade e o volume. Com esses dados, seria possível avaliar uma estimativa de recursos segundo um padrão reconhecido. Nas informações públicas da AbraSilver consultadas até 25 de outubro de 2026, La Coipita ainda não tem um recurso mineral publicado; a empresa descreve os resultados como parte de uma etapa de exploração voltada a avançar rumo a uma eventual delimitação de recursos.
Também falta conhecer o comportamento metalúrgico do minério: que proporção do cobre pode ser recuperada, quais processos seriam necessários e como a resposta varia entre as zonas de enriquecimento secundário, pórfiro e alta sulfetação identificadas nos furos. Sem ensaios metalúrgicos e uma base geológica suficiente, não é possível passar de um teor medido em laboratório para uma projeção de produção, custos ou valor do projeto.
La Coipita abrange mais de 70.000 hectares na província argentina de San Juan, junto à fronteira com o Chile, no cinturão de pórfiros e sistemas epitérmicos do Mioceno. A Teck financia e opera a exploração por meio de um acordo de opção: a divulgação de junho de 2026 contabiliza cerca de US$23 milhões em despesas de exploração, diante de um compromisso de investimento de US$20 milhões, e informa que ainda faltam pagamentos contratuais a serem feitos antes da formação de uma joint venture prevista, com 80% para a Teck e 20% para a AbraSilver.
Por enquanto, as perfurações indicam mineralização em vários setores, mas ainda não permitem definir o volume de um recurso nem quanto cobre poderia ser recuperado.










