
A companhia canadense desenvolverá uma operação-piloto subterrânea de até 40 toneladas por dia em Tolima, por meio do projeto Argentum. A iniciativa prevê processamento sem cianeto nem mercúrio e aguarda a licença ambiental, esperada para o início de 2027.
A mineradora canadense Outcrop Silver & Gold Corporation avançou no desenvolvimento do projeto de prata Santa Ana, localizado no município de Falan, no departamento de Tolima, na Colômbia, após obter a aprovação do Programa de Trabalhos e Obras (PTO) para uma operação-piloto subterrânea com capacidade para processar até 40 toneladas de minério por dia e iniciar a produção em 2027.
A autorização foi concedida pela Agência Nacional de Mineração (ANM) da Colômbia para o contrato de concessão HFL-151 e integra o Project Argentum, iniciativa apresentada em 15 de outubro de 2026 para avançar gradualmente da exploração para uma eventual etapa de produção.
O projeto prevê uma planta-piloto de prata e ouro, além de um centro de pesquisa e inovação voltado ao desenvolvimento de tecnologias de processamento, à capacitação de trabalhadores e a aplicações industriais da prata.
A autorização técnica, porém, ainda não permite o início das obras. A Outcrop Silver precisa obter a licença ambiental correspondente, cuja concessão é esperada para os primeiros meses de 2027.
Planta-piloto terá capacidade para processar até 40 toneladas de minério por dia
A instalação planejada ficará na propriedade La Ivanna, a leste de Falan, e receberá minério proveniente do sistema de veios La Porfía.
O projeto prevê uma operação subterrânea de pequena escala pelo método de corte e enchimento, técnica usada para extrair minério seletivamente em depósitos de veios estreitos.
O método permitirá trabalhar em áreas mineralizadas de pequena espessura, com o objetivo de limitar a entrada de material estéril no processo produtivo.
O minério extraído será submetido a britagem, moagem, concentração gravimétrica e flotação, antes de passar por fundição e refino para a produção de doré de prata e ouro.
Um dos aspectos técnicos do projeto é eliminar o uso de cianeto e mercúrio no circuito de processamento.
A operação também prevê a recirculação da água industrial para reduzir o consumo de água doce e o uso de um sistema de armazenamento de rejeitos filtrados ou secos.
Uma parcela significativa dos rejeitos será reutilizada como preenchimento das escavações subterrâneas, com o objetivo de reduzir a área necessária para sua disposição.
A planta ficará a aproximadamente 115 metros do veio La Porfía, em uma propriedade de 22 hectares controlada pela Outcrop Silver.
A proximidade entre a fonte de minério e a unidade de processamento pode trazer uma vantagem logística, ao reduzir as distâncias de transporte interno durante a etapa-piloto.
Santa Ana tem recursos minerais de 57,8 milhões de onças de prata equivalente
O projeto Santa Ana conta com uma estimativa atualizada de recursos minerais, divulgada em setembro de 2026, que serve de base geológica para avaliar seu eventual desenvolvimento comercial.
A estimativa aponta 29,9 milhões de onças de prata equivalente em recursos indicados e 27,9 milhões de onças em recursos inferidos, distribuídos por diferentes sistemas de veios.
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Classificação |
Minério |
Teor de prata equivalente |
Conteúdo de prata equivalente |
|---|---|---|---|
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Recursos indicados |
1,793 milhão de toneladas |
519 g/t |
29,9 milhões de onças |
|
Recursos inferidos |
2,352 milhões de toneladas |
368 g/t |
27,9 milhões de onças |
|
Total |
4,145 milhões de toneladas |
— |
57,8 milhões de onças |
Os recursos indicados apresentam teor médio de 376 gramas de prata por tonelada e 1,80 grama de ouro por tonelada.
Já os recursos inferidos têm teores médios de 266 gramas de prata e 1,29 grama de ouro por tonelada.
A mineralização identificada abrange 13 sistemas principais de veios, incluindo estruturas paralelas e áreas com maior concentração de metais preciosos.
É importante destacar que recursos minerais não equivalem a reservas comprovadas de exploração econômica. Sua eventual conversão dependerá de estudos adicionais de engenharia, fatores modificadores, avaliações econômicas e condições regulatórias.
Licença ambiental será decisiva para o início das obras
A aprovação do PTO é um requisito técnico relevante no processo de autorização minerária colombiano, mas o projeto ainda precisa passar por uma etapa regulatória decisiva.
A Outcrop Silver protocolou seu Estudo de Impacto Ambiental na Corporação Autônoma Regional de Tolima (CORTOLIMA), responsável por avaliar os impactos ambientais da iniciativa.
A construção da planta e o início das atividades produtivas dependem da aprovação ambiental e da emissão da licença correspondente.
A empresa espera obter a autorização no início de 2027, o que permitiria começar naquele ano as atividades de construção, pesquisa e comissionamento.
O cronograma dependerá dos procedimentos de avaliação e de eventuais exigências ambientais estabelecidas pela autoridade.
Além disso, a decisão de implementar a operação-piloto não está respaldada por um estudo de viabilidade com base em reservas minerais que comprove de forma abrangente sua viabilidade econômica e técnica.
Essa condição traz riscos relacionados à recuperação metalúrgica, à diluição na lavra, aos custos operacionais e ao desempenho do circuito de processamento.
Assim, a produção prevista para 2027 é uma meta de desenvolvimento, e não um início de operação garantido.
Outcrop Silver prepara avaliação econômica para ampliar a operação
A planta-piloto é a primeira etapa de uma estratégia que considera a possibilidade de desenvolver, posteriormente, uma operação subterrânea de médio porte.
Para isso, a Outcrop Silver prepara uma Avaliação Econômica Preliminar (PEA) para analisar alternativas de lavra, processamento e infraestrutura de mineração.
O estudo será desenvolvido após a apresentação do relatório técnico associado à estimativa atualizada dos recursos minerais de Santa Ana.
A operação-piloto terá um papel relevante nesse processo, pois permitirá obter informações diretas sobre comportamento metalúrgico, recuperações, diluição, produtividade e custos.
Esses dados poderão ser usados para aprimorar os parâmetros de projeto de uma eventual operação de maior capacidade.
Na Colômbia, operações subterrâneas de metais preciosos que extraem mais de 15.000 e até 300.000 toneladas anuais de material mineralizado são classificadas como mineração de médio porte.
Qualquer expansão de Argentum para essa categoria exigirá novos estudos, disponibilidade de financiamento e as autorizações correspondentes.
O desenvolvimento por etapas busca reduzir as incertezas técnicas antes de comprometer investimentos de maior porte.
Exploração continua com campanha de 35.000 metros
Paralelamente ao desenvolvimento de Argentum, a Outcrop Silver mantém uma campanha de exploração com 35.000 metros de sondagem, destinada a ampliar e aprimorar o conhecimento sobre os recursos minerais de Santa Ana.
Os trabalhos incluem a avaliação de estruturas conhecidas e a investigação de novos alvos em um corredor mineralizado de aproximadamente 17 quilômetros, que conta com títulos minerários.
Atualmente, a companhia trabalha com quatro sondas no projeto.
O objetivo é identificar extensões da mineralização, aprimorar a classificação dos recursos e fortalecer as informações geológicas usadas em futuros estudos econômicos.
Santa Ana abrange aproximadamente 28.000 hectares, considerando títulos minerários e requerimentos, no distrito de Mariquita.
A região tem histórico de exploração de prata que remonta ao século XVI, o que faz dela um território de longa tradição mineradora.
A combinação de exploração moderna, informações históricas e infraestrutura disponível representa uma oportunidade para investigar sistemas mineralizados que não foram avaliados com tecnologias atuais.
Inovação e formação técnica também fazem parte de Argentum
A iniciativa inclui ainda o Centro de Pesquisa e Inovação da Prata, inaugurado oficialmente em 4 de outubro de 2026, em Falan.
O espaço prevê atividades de pesquisa aplicada, formação técnica e colaboração com universidades colombianas.
Entre as áreas previstas estão as aplicações da prata em energias renováveis, armazenamento de energia, eletrônica avançada e tecnologias industriais.
O projeto também prevê programas de capacitação, oficinas especializadas e espaços para estágios profissionais.
A formação de profissionais locais poderá facilitar a disponibilidade de mão de obra para futuras atividades de mineração e processamento, embora ainda não haja uma estimativa confirmada de empregos que a operação vai gerar.
Colômbia busca ampliar sua participação na mineração de prata
O avanço de Santa Ana abre uma alternativa para o desenvolvimento da mineração primária de prata na Colômbia, país cuja indústria extrativa tem forte presença de carvão, ouro, níquel e outros minerais.
A possibilidade de estabelecer uma operação de prata tecnicamente viável permitiria diversificar a produção mineral e criar novas oportunidades para fornecedores de serviços, engenharia e processamento de minerais.
Para a Outcrop Silver, o principal desafio será transformar os recursos identificados em um projeto com parâmetros operacionais e econômicos comprováveis.
A autorização técnica para a operação-piloto representa um avanço concreto, embora ainda seja necessário concluir o processo ambiental, executar a construção e validar o funcionamento do circuito metalúrgico.
O ano de 2027 será decisivo para Santa Ana, tanto pela possibilidade de iniciar a produção-piloto quanto pelo desenvolvimento da avaliação econômica, que determinará as alternativas de crescimento.
Se a companhia conseguir cumprir as etapas regulatórias e técnicas previstas, Argentum poderá se tornar a primeira fase de um projeto subterrâneo de maior escala, acrescentando nova produção de prata e ouro ao setor de mineração colombiano.






