
A avaliação ambiental do projeto de cobre, ouro e molibdênio entrará em uma etapa de participação cidadã em Salta. A futura operação prevê produzir 291.000 toneladas anuais de cobre durante sua primeira década e tem vida útil inicial estimada em 35 anos.
A mineradora canadense First Quantum Minerals enfrentará, em 12 de novembro de 2026, uma etapa decisiva para o desenvolvimento de Taca Taca, um dos maiores projetos de cobre da Argentina, cujo investimento total está estimado em US$5.250 milhões. A Secretaria de Mineração de Salta convocou uma audiência pública para avaliar o Relatório de Impacto Ambiental e Social (IIAS) referente à fase de lavra da jazida, localizada no departamento de Los Andes, em plena Puna argentina.
A audiência será realizada às 15h no Ginásio Municipal de Tolar Grande e permitirá que comunidades, organizações e cidadãos apresentem observações sobre o futuro desenvolvimento da mineração.
A convocação foi oficializada por meio do Diário Oficial de Salta N.º 22.289, publicado em 16 de outubro, e corresponde ao processo administrativo N.º 0090.302-229.995/23-0, apresentado pela Corriente Argentina S.A., empresa responsável pelo projeto.
A audiência representa um avanço no processo provincial de avaliação ambiental, mas sua realização não constitui autorização definitiva para construir ou explorar a mina.
Taca Taca prevê produzir 291.000 toneladas de cobre por ano
Localizada a cerca de 230 quilômetros a oeste da cidade de Salta e a 55 quilômetros da fronteira com o Chile, Taca Taca é uma das jazidas de cobre, ouro e molibdênio de maior porte identificadas na Argentina.
A jazida está a cerca de 3.500 metros acima do nível do mar e prevê lavra convencional a céu aberto, além de instalações para o processamento de concentrados minerais.
O relatório técnico atualizado pela First Quantum em fevereiro de 2026 estabelece uma capacidade inicial de processamento de 40 milhões de toneladas de minério por ano, com expansão prevista para 60 milhões de toneladas anuais a partir do quinto ano de operação.
Nos primeiros dez anos, o projeto prevê uma produção média de 291.000 toneladas anuais de cobre e aproximadamente 133.000 onças de ouro.
Ao longo da vida útil inicial de 35 anos, a produção média estimada é de 209.000 toneladas anuais de cobre, com pico previsto de 323.000 toneladas em determinados períodos.
Esses números colocam Taca Taca entre os projetos com potencial para transformar a produção de cobre da Argentina e gerar novos volumes de exportação para os mercados internacionais.
Investimento em mineração supera US$5.000 milhões
A atualização técnica da First Quantum prevê um capital inicial de desenvolvimento de aproximadamente US$4.232 milhões, destinado à construção da infraestrutura de mineração e processamento.
Posteriormente, a expansão da capacidade de 40 milhões para 60 milhões de toneladas anuais exigiria um investimento adicional próximo de US$1.019 milhões.
Com isso, o capital total previsto chega a aproximadamente US$5.250 milhões.
Os principais números do projeto são:
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Indicador |
Projeção |
|---|---|
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Investimento inicial |
US$4.232 milhões |
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Investimento total com expansão |
US$5.250 milhões |
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Vida útil inicial |
35 anos |
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Capacidade inicial da usina |
40 milhões t/ano |
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Capacidade após a expansão |
60 milhões t/ano |
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Produção média de cobre nos primeiros 10 anos |
291.000 t/ano |
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Produção média de ouro nos primeiros 10 anos |
133.000 oz/ano |
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Reservas provadas e prováveis |
1.990 milhões de toneladas |
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Teor médio de cobre nas reservas |
0,42% |
O relatório técnico também identifica aproximadamente 8,43 milhões de toneladas de cobre contido em reservas minerais provadas e prováveis, além de 5,53 milhões de onças de ouro.
As reservas atualizadas representam um aumento de 13% em relação à estimativa apresentada em 2021, refletindo uma revisão do modelo geológico e dos parâmetros técnicos usados para avaliar a jazida.
O desenvolvimento continua condicionado às autorizações ambientais, ao financiamento e à decisão final de investimento da First Quantum.
Audiência pública avaliará impactos ambientais da futura mina
A audiência de 12 de novembro será realizada conforme o artigo 49 da Lei Provincial N.º 7.070, que prevê mecanismos de participação pública nos processos de avaliação ambiental.
O processo abrange a lavra projetada de cobre, prata, ouro e molibdênio nas propriedades que compõem o Grupo Mineiro Taca Taca.
Entre os aspectos relevantes para a avaliação estão a gestão dos recursos hídricos, os impactos territoriais, as instalações de processamento, a disposição de rejeitos de mineração e as medidas de monitoramento ambiental.
A disponibilidade de água é um fator especialmente relevante para uma operação de grande porte na Puna, dadas as condições de aridez e as características dos sistemas hídricos alto-andinos.
Também são importantes a infraestrutura de energia, o transporte de concentrados e a interação do projeto com as atividades econômicas e as comunidades locais.
A convocação estabelece 3 de novembro de 2026 como prazo para que os interessados se apresentem formalmente como parte do processo e apresentem provas à Direção de Audiências Públicas do Ministério da Produção e Mineração.
O processo ambiental poderá ser consultado tanto nas repartições provinciais da cidade de Salta quanto na Prefeitura de Tolar Grande.
As observações recebidas farão parte do processo que a autoridade deverá considerar antes de decidir sobre a viabilidade ambiental da fase de lavra.
Emprego e fornecedores podem transformar a economia de Salta
A dimensão do projeto também representa um potencial impacto sobre o emprego e a atividade das empresas fornecedoras.
As projeções para Taca Taca preveem até 4.000 postos de trabalho no período de pico das obras e cerca de 2.000 empregos diretos durante a operação.
Essas estimativas dizem respeito a cenários futuros e dependem da efetiva realização do investimento.
A execução de um empreendimento dessa magnitude exigiria serviços de construção industrial, terraplenagem, engenharia, transporte, manutenção, montagem eletromecânica e fornecimento de equipamentos especializados.
Também poderia impulsionar a contratação de empresas de alimentação, hospedagem, logística e serviços de apoio em Salta e em outras províncias do noroeste argentino.
Para Tolar Grande e as localidades ligadas ao corredor de mineração, o planejamento antecipado da infraestrutura e da formação profissional será decisivo para aproveitar as oportunidades econômicas que a operação poderá gerar.
A First Quantum mantém ações de relacionamento com fornecedores locais e organizações comunitárias, voltadas ao desenvolvimento de capacidades que possam ser incorporadas às diferentes etapas do projeto.
No entanto, o volume definitivo de contratações dependerá do cronograma das obras e dos pacotes de investimento que vierem a ser aprovados.
First Quantum avalia financiamento e incentivos para grandes investimentos
Além de concluir a avaliação ambiental, a First Quantum trabalha na estruturação financeira necessária para desenvolver Taca Taca.
A atualização técnica apresentada em fevereiro de 2026 é um dos principais subsídios para avaliar as alternativas de financiamento do projeto.
A empresa também considera aderir ao Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) da Argentina, mecanismo que prevê condições tributárias, aduaneiras e cambiais específicas para investimentos que atendam aos requisitos estabelecidos.
Uma eventual adesão ao regime poderá integrar a estrutura econômica do projeto, mas não substituirá as licenças ambientais nem as autorizações setoriais exigidas para a construção e a operação.
Em abril de 2026, a First Quantum firmou uma parceria com a Corporação Financeira Internacional (IFC), ligada ao Grupo Banco Mundial, para fortalecer aspectos ambientais e sociais do desenvolvimento de Taca Taca.
O avanço regulatório, a gestão de riscos e a disponibilidade de financiamento serão fatores decisivos para que a empresa tome uma decisão final sobre o investimento.
Argentina busca consolidar uma nova oferta de cobre
Taca Taca faz parte de um portfólio de projetos argentinos que poderão ampliar significativamente a produção de cobre na América do Sul nas próximas décadas.
O país dispõe de recursos importantes de cobre, especialmente nas províncias andinas, mas ainda enfrenta desafios para transformar essas jazidas em operações produtivas de grande escala.
Nesse cenário, projetos como Taca Taca, Los Azules, El Pachón e os empreendimentos ligados ao distrito de Vicuña representam oportunidades de investimento que dependem de infraestrutura, financiamento e autorizações regulatórias.
O potencial de Taca Taca é particularmente relevante por sua proximidade com o Chile, país que ocupa posição central na produção mundial de cobre e tem experiência industrial, tecnológica e logística em grandes operações de mineração.
A construção de novas minas na Argentina também poderá criar oportunidades para fornecedores especializados que hoje participam da cadeia de valor da mineração chilena.
Entre as áreas com maior potencial de integração estão equipamentos de processamento, automação, engenharia de projetos, serviços de manutenção e tecnologias de eficiência energética.
A eventual entrada da Argentina no grupo dos produtores de cobre de maior escala também diversificaria a oferta regional diante do crescimento da demanda ligado à eletrificação, à transmissão de energia e à infraestrutura industrial.
Novembro marcará uma nova etapa para Taca Taca
A audiência pública é um dos procedimentos mais importantes ainda pendentes para o avanço da avaliação ambiental do projeto.
Para a First Quantum, concluir essa etapa com êxito permitirá dar continuidade ao processo regulatório e reduzir parte das incertezas relacionadas ao desenvolvimento da futura operação.
Ainda assim, será necessário obter as resoluções administrativas pertinentes, concluir os licenciamentos aplicáveis e garantir as condições comerciais e financeiras para viabilizar o investimento.
O projeto conta com uma base de reservas atualizada, configuração produtiva definida e estimativa de capital superior a US$5.000 milhões.
Em 12 de novembro, não será decidida automaticamente a construção de Taca Taca, mas terá início uma etapa decisiva para sua avaliação ambiental e social.
Para a mineração argentina, o resultado desse processo será importante para a possibilidade de transformar uma de suas maiores jazidas de cobre em uma nova operação de escala internacional, com possíveis impactos sobre exportações, emprego, infraestrutura e desenvolvimento de fornecedores na província de Salta.









