
O projeto de ouro e prata em Nevada prevê investimento inicial de US$98,1 milhões, produção média anual de 44.400 onças de ouro equivalente e valor presente líquido de US$415 milhões. A empresa avança na avaliação para reativar uma antiga operação de mineração.
A canadense Bravada Gold Corporation apresentou o relatório técnico de sua Avaliação Econômica Preliminar (PEA) para o projeto Wind Mountain, localizado no norte de Nevada, Estados Unidos, com investimento total estimado em US$139 milhões e vida útil projetada de 11,2 anos.
O documento, apresentado em 16 de outubro de 2026, aponta valor presente líquido após impostos de US$415 milhões, calculado com taxa de desconto de 5%, e taxa interna de retorno (TIR) de 60% no cenário econômico-base.
A avaliação também prevê investimento inicial de US$98,1 milhões e prazo estimado de retorno do capital de dois anos a partir do início das operações comerciais.
O relatório foi elaborado pelas consultorias técnicas RESPEC Company LLC e Woods Process Services LLC, de acordo com os padrões canadenses NI 43-101, com data-base de 15 de outubro de 2026.
A apresentação formal do estudo representa um avanço na avaliação do projeto, mas ainda não significa uma decisão definitiva de construção.
Wind Mountain prevê produzir 454.000 onças de ouro e 3,1 milhões de onças de prata
O modelo de desenvolvimento de Wind Mountain prevê lavra a céu aberto, combinada ao processamento de material existente em antigos depósitos.
A operação empregaria métodos convencionais de mineração, com caminhões e equipamentos de carregamento, além de uma estrutura de lixiviação em pilhas e recuperação de metais pelo processo Merrill-Crowe.
A capacidade nominal de processamento prevista é de 22.680 toneladas métricas por dia, o equivalente a 25.000 toneladas curtas.
Ao longo dos 11,2 anos de vida útil projetados, o projeto poderá produzir aproximadamente 454.000 onças de ouro e 3,1 milhões de onças de prata.
A produção anual média está estimada em 40.700 onças de ouro e 280.000 onças de prata, equivalentes a aproximadamente 44.400 onças de ouro equivalente.
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Indicador |
Avaliação econômica de 2026 |
|---|---|
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Investimento inicial |
US$98,1 milhões |
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Capital de sustentação |
US$41 milhões |
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Investimento total |
US$139 milhões |
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Valor presente líquido após impostos (5%) |
US$415 milhões |
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Taxa interna de retorno |
60% |
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Prazo estimado de retorno do investimento |
2 anos |
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Vida útil projetada |
11,2 anos |
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Produção anual de ouro |
40.700 onças |
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Produção anual de prata |
280.000 onças |
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Produção total de ouro |
454.000 onças |
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Produção total de prata |
3,1 milhões de onças |
Esses números são estimativas econômicas preliminares e dependem de validações técnicas adicionais, das condições de mercado e de futuras decisões de investimento.
Rentabilidade depende dos preços do ouro e da prata
O cenário econômico-base considera preços de US$3.600 por onça de ouro e US$48 por onça de prata.
Com essas premissas, o projeto apresenta fluxo de caixa acumulado após impostos, sem desconto, de aproximadamente US$593 milhões ao longo de toda a vida útil.
A avaliação também considera um cenário de preços mais altos, com valores de US$4.500 por onça de ouro e US$70 por onça de prata.
Nesse caso, o valor presente líquido após impostos sobe para US$681 milhões, enquanto a taxa interna de retorno chega a 86%.
O prazo de retorno do investimento cairia para aproximadamente 1,5 ano.
A diferença entre os dois cenários demonstra a sensibilidade de Wind Mountain à evolução das cotações internacionais dos metais preciosos.
Ainda assim, esses resultados dependem de premissas técnicas, financeiras e comerciais que deverão ser atualizadas à medida que o projeto avançar.
Recursos minerais superam 96 milhões de toneladas
A avaliação de Wind Mountain se baseia em uma estimativa atualizada de recursos minerais, que considera 56 milhões de toneladas na categoria indicada e outras 40 milhões de toneladas classificadas como inferidas.
Os recursos indicados contêm aproximadamente 574.400 onças de ouro, com teor médio de 0,32 grama por tonelada, enquanto os recursos inferidos incluem 192.400 onças de ouro, com teor de 0,15 grama por tonelada.
Em ouro equivalente, a estimativa totaliza 623.700 onças indicadas e 210.200 onças inferidas.
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Classificação |
Toneladas |
Teor de ouro |
Ouro equivalente contido |
|---|---|---|---|
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Indicados |
56 milhões |
0,32 g/t |
623.700 onças |
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Inferidos |
40 milhões |
0,15 g/t |
210.200 onças |
A estimativa de recursos considera um modelo de lavra a céu aberto otimizado com preços de US$3.100 por onça de ouro e US$36 por onça de prata.
Uma característica do depósito é o baixo teor do minério, o que exige custos competitivos de extração e processamento.
O modelo prevê uma relação estéril-minério de apenas 0,20:1, ou seja, a projeção é remover aproximadamente 0,20 tonelada de material estéril para cada tonelada de minério extraída.
Esse indicador pode favorecer a economia operacional, mas seu desempenho efetivo deverá ser comprovado em estudos posteriores.
É importante destacar que os recursos indicados e inferidos não são reservas minerais. A avaliação econômica inclui material inferido, cuja continuidade geológica está sujeita a maior incerteza.
Custos operacionais e recuperação metalúrgica
O estudo estima custo operacional direto de US$1.504 por onça de ouro equivalente e custo total de sustentação, conhecido como AISC, de US$1.653 por onça.
O processo de recuperação prevê lixiviação em pilhas, tecnologia amplamente utilizada em depósitos de ouro de baixo teor e com mineralização oxidada.
Para o material oxidado, a recuperação metalúrgica média projetada é de 62% para o ouro e 15% para a prata.
Essas taxas são relevantes para o desempenho econômico, já que a quantidade de metal recuperado determina a receita efetiva da operação.
O modelo estima que aproximadamente 99,8% do material processado corresponderia a minério oxidado, favorável ao circuito metalúrgico considerado.
O investimento inicial seria destinado principalmente a equipamentos e infraestrutura de mina, à planta de processamento, às plataformas de lixiviação, às instalações auxiliares e à engenharia.
Os US$41 milhões em capital de sustentação seriam destinados principalmente à ampliação das instalações de lixiviação ao longo da vida útil da mina.
Antiga operação minerária conta com infraestrutura existente
Wind Mountain fica a aproximadamente 160 quilômetros a nordeste de Reno, em uma região com histórico de exploração de ouro e prata.
A mina operou entre 1989 e 1999, principalmente sob a AMAX, e posteriormente esteve ligada à Kinross Gold Corporation.
O projeto mantém antigas cavas, estradas de mina, pilhas de estéril e infraestrutura elétrica nas proximidades.
Essas instalações representam uma possível vantagem em relação a projetos totalmente novos, pois parte das necessidades de acesso e conexão já conta com infraestrutura implantada.
No entanto, a reutilização das instalações existentes exigirá a verificação de suas condições técnicas, ambientais e regulatórias.
O projeto ainda precisará avançar nas avaliações necessárias para determinar sua viabilidade de construção e operação.
O que o estudo representa para o desenvolvimento de Wind Mountain
A atualização econômica muda as perspectivas de Wind Mountain em relação a avaliações anteriores, ao considerar uma vida útil maior, novos recursos minerais e premissas de preços mais elevados.
Para a Bravada Gold, o desafio será transformar essa avaliação preliminar em uma base técnica que permita definir o financiamento, a construção e as licenças necessárias para retomar a exploração.
A companhia também terá de avaliar os riscos relacionados à recuperação metalúrgica, ao comportamento dos custos, à disponibilidade de empreiteiras e às condições de mercado.
Do ponto de vista industrial, Wind Mountain é um exemplo do interesse em recuperar antigas operações minerárias com projetos de lavra e processamento adaptados às condições econômicas atuais.
A apresentação do PEA fortalece a avaliação econômica do projeto, mas não garante sua rentabilidade futura nem define uma data para o início da produção.
A evolução dos próximos estudos, as autorizações pendentes e as condições de financiamento determinarão se a Bravada Gold conseguirá transformar Wind Mountain em uma operação comercial de ouro e prata em Nevada.






