
La Verde South já tem um resultado de análise e um indício geológico que ainda precisa passar pelo laboratório, mas não conta, por enquanto, com um recurso mineral definido. Essa é a distinção central após o anúncio da Hot Chili de 19 de outubro de 2026: a sondagem de circulação reversa DKP084 interceptou 148 metros com 0,44% de cobre equivalente (CuEq), enquanto os 307 metros descritos na sondagem diamantada DKD100 correspondem à mineralização observada visualmente, ainda com análises pendentes.
A documentação técnica não inclui uma avaliação atribuída a um geólogo independente, e o material disponível tampouco contém uma entrevista com esse especialista. As informações de exploração foram compiladas por Christian Easterday, CEO da Hot Chili, e revisadas por ele na condição de pessoa qualificada segundo a norma canadense NI 43-101; ele também é indicado como profissional competente segundo o código JORC. Essa credencial respalda a responsabilidade técnica declarada, mas não equivale a uma revisão independente da interpretação da empresa.
DKP084 amplia a mineralização e fornece o primeiro teor de La Verde South
A Hot Chili perfurou DKP084 a cerca de 250 metros ao sul da área de mineralização de La Verde definida por teores superiores a 0,4% de cobre. O intervalo informado começa a 36 metros de profundidade e inclui 0,39% de cobre e 0,07 grama de ouro por tonelada. Dentro dele, a companhia reportou um trecho de 44 metros com 0,56% de CuEq a partir dos 138 metros. A sondagem, feita pelo método de circulação reversa, chegou a 366 metros.
O resultado não surgiu isoladamente: a sondagem foi planejada para testar a continuidade para o sul a partir de DKP024, uma perfuração anterior que interceptou 114 metros com 0,40% de CuEq a partir dos 86 metros. A empresa informa que a zona de La Verde com mais de 0,4% de cobre foi definida com mais de 40.000 metros de sondagens de circulação reversa e diamantadas. DKP084 amplia as evidências nessa direção, embora um intervalo de sondagem, por si só, não determine a espessura real, a continuidade entre perfurações nem o volume de rocha mineralizada.
Também é importante entender como se calcula o teor equivalente. O CuEq combina cobre, ouro, molibdênio e prata com preços assumidos de US$4,50 por libra de cobre, US$3.150 por onça de ouro, US$20 por libra de molibdênio e US$30 por onça de prata. Para as recuperações, a Hot Chili usa como referência Cortadera: 83% para cobre, 56% para ouro, 83% para molibdênio e 37% para prata. A companhia informa que o cálculo pressupõe que todo o intervalo seja de rocha fresca e que a referência de recuperação se baseia na semelhança da mineralização e nos testes metalúrgicos realizados até agora em La Verde. Portanto, 0,44% de CuEq não é um teor de cobre medido diretamente, nem comprova uma recuperação comercial em La Verde.
Os 307 metros de DKD100 ainda não representam um teor de cobre
A sondagem diamantada DKD100 fica outros 100 metros ao sul de DKP084. A Hot Chili descreveu visualmente mineralização de óxidos entre 40 e 172 metros — incluindo argilas com cobre, malaquita e óxidos negros — e, dos 172 metros até os 347 metros alcançados na divulgação do resultado, sulfetos disseminados e veios estreitos com calcopirita. A sondagem ainda encontrava mineralização e tinha como objetivo chegar a cerca de 500 metros.
A presença desses minerais ajuda a formular uma interpretação geológica, mas não quantifica a concentração de metal. A própria companhia alerta que a estimativa visual não substitui as análises laboratoriais e pode não revelar elementos prejudiciais a uma eventual avaliação econômica. Os resultados das análises de DKD100 ainda estavam pendentes; por isso, seus 307 metros descrevem um intervalo observado no testemunho, não 307 metros com um teor determinado.
O anúncio apresenta as interseções com um teor de corte nominal de 0,20% de cobre. Também permite incluir trechos internos abaixo desse limite, desde que o teor médio ponderado do intervalo permaneça acima do corte, inclusive com setores que tenham mais de 30 metros de largura ao longo da sondagem. Essa regra define como os resultados são apresentados; não transforma automaticamente cada trecho reportado em material economicamente lavrável. A geometria, a continuidade e a relação entre a mineralização e a rocha estéril exigem mais sondagens e modelagem.
Recurso mineral exige continuidade, análises e um modelo verificável
Para passar de descoberta a recurso, as evidências precisam permitir estimar tonelagem e teor com confiança suficiente: são necessários resultados analíticos, uma interpretação geológica que conecte as sondagens e uma malha de perfuração adequada. Depois, a classificação do recurso depende do nível de confiança que o modelo sustenta; não basta somar os metros interceptados nem identificar sulfetos nos testemunhos. No caso de La Verde South, o anúncio ainda não apresenta uma estimativa de tonelagem nem uma categoria de recurso para o novo centro.
A Hot Chili informou que mantinha quatro sondas de perfuração em La Verde: uma diamantada e uma de circulação reversa nas sondagens de extensão ao sul, e outras duas em sondagens de adensamento para apoiar a primeira estimativa de recursos do depósito. Havia 25 sondagens com resultados de análises pendentes, seis de extensão para o sul e 19 voltadas à definição de recursos. A empresa informou que a nova sondagem diamantada continuaria até a profundidade planejada e que os resultados laboratoriais seriam divulgados de acordo com o JORC 2012 e a NI 43-101.
A distinção possível com as informações disponíveis é clara: DKP084 confirmou a presença de cobre e ouro por meio de análises em um amplo intervalo; DKD100 trouxe uma observação visual que ainda precisa ser quantificada. Nenhum dos dois resultados, por si só, define o tamanho do recurso futuro nem comprova que La Verde South possa ser incorporada a um plano de lavra. O próximo avanço verificável será conhecer os resultados das análises de DKD100 e entender como os novos dados serão integrados ao modelo geológico e à estimativa inicial de La Verde.






