
O preço do cobre fechou em alta nesta sexta-feira, 16 de outubro, com avanço de 0,39% na Bolsa de Metais de Londres (BML), até atingir US$6,620 por libra, o equivalente a US$14.595 por tonelada, segundo informou a Comissão Chilena do Cobre (Cochilco).
Com esse resultado, o metal vermelho acumula preço médio de US$6,124 por libra em 2026, alta de 40,4% em relação à média registrada no mesmo período do ano anterior.
A recuperação no pregão veio após a queda de 1,44% registrada na quinta-feira e foi sustentada pelo enfraquecimento do dólar americano e pelas persistentes preocupações com a disponibilidade de cobre no mercado internacional.
Conflitos trabalhistas e dificuldades operacionais pressionam a oferta chilena
Um dos principais focos de incerteza continua sendo a Minera Centinela, da Antofagasta Minerals, onde dois sindicatos estão em greve desde 7 de outubro, após as negociações coletivas terminarem sem acordo.
Embora as partes tenham retomado as conversas por meio de uma mediação voluntária, as divergências persistiam até quinta-feira. A companhia informou que mantém as operações conforme o planejado, enquanto os sindicatos alertam para possíveis impactos na produção caso o conflito se prolongue.
Em paralelo, a Minera Escondida, da BHP, conseguiu evitar uma paralisação após chegar a um acordo com o sindicato dos supervisores em 14 de outubro. A negociação havia gerado preocupação no mercado devido à importância dessa operação para a oferta mundial de cobre.
A esse quadro somam-se as dificuldades causadas pelas condições meteorológicas em El Teniente, da Codelco, onde uma avalanche registrada em 11 de outubro atingiu a área de lavra a céu aberto, cujas operações estavam paralisadas devido ao mau tempo. O acidente provocou a morte de dois trabalhadores terceirizados.
Dólar fraco e demanda tecnológica sustentam o cobre
Emanoelle Santos, analista de mercados da XTB, explicou que as restrições de oferta no Chile e o comportamento da moeda americana estão influenciando a evolução do preço do metal.
A especialista também destacou as expectativas de consumo associadas a novas aplicações tecnológicas.
"A isso se somam as perspectivas de demanda estrutural ligadas a centros de dados, semicondutores e sistemas de armazenamento de energia", afirmou Santos.
Essas atividades exigem grandes quantidades de cobre para infraestrutura elétrica, conexões e sistemas de distribuição de energia, o que alimenta as expectativas de crescimento da demanda nos próximos anos.
Outro indicador relevante é a evolução dos estoques. Segundo a Cochilco, os estoques de cobre na Bolsa de Metais de Londres diminuíram 1.175 toneladas no pregão, chegando a 225.425 toneladas.
O mercado continuará atento ao andamento das negociações na Centinela, à situação operacional de El Teniente e às oscilações do dólar, fatores que podem influenciar as próximas cotações do metal.









