
A empresa avança na implementação de seu sistema de transporte autônomo em uma pedreira de Oklahoma, nos Estados Unidos, com caminhões Cat 777 da classe de 90 toneladas. Utilizada há anos em grandes minas, a tecnologia começa a chegar a operações de agregados de menor escala.
A Caterpillar está ampliando o uso de caminhões de mineração sem motorista para operações menores que as grandes minas tradicionais. A empresa iniciou, junto com a Dolese Bros. e a distribuidora Warren CAT, a implementação de seu sistema Cat MineStar Command for hauling na pedreira Richards Spur, perto de Elgin, no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos. O projeto prevê uma frota de caminhões Cat 777 capazes de transportar material de forma autônoma, sem a necessidade de um operador na cabine.
O desenvolvimento faz parte de uma estratégia para levar a automação do transporte pesado a pedreiras e operações de agregados, onde as frotas costumam ser menores e as condições de trabalho diferem das grandes minas a céu aberto.
A iniciativa foi anunciada no fim de setembro de 2026 e está em fase de implementação. Até o momento, as empresas não informaram publicamente quantos caminhões serão automatizados em Richards Spur nem quando começará a operação autônoma regular.
Como funcionam os caminhões gigantes sem motorista
A tecnologia utilizada é a Cat MineStar Command for hauling, uma plataforma que permite coordenar o deslocamento de caminhões de mineração sem que uma pessoa precise dirigi-los.
O sistema combina posicionamento por satélite de alta precisão, sensores para percepção do entorno, comunicação e ferramentas de gestão do tráfego.
Com esses recursos, os veículos podem receber instruções para se deslocar até os equipamentos de carregamento, posicionar-se, transportar material e seguir até os pontos de descarga por rotas previamente definidas.
Também estão preparados para respeitar limites de velocidade, prioridades em cruzamentos e distâncias de segurança em relação a outros equipamentos.
Uma das tecnologias utilizadas pela Caterpillar é o LiDAR, que usa sensores a laser para identificar objetos e obstáculos ao redor dos caminhões. Essas informações permitem que os sistemas de condução reajam a determinadas condições do entorno, inclusive reduzindo a velocidade ou parando o veículo quando necessário.
A plataforma inclui dispositivos de parada autônoma, que permitem imobilizar os equipamentos dentro de uma área determinada quando há uma situação de risco.
No entanto, autonomia não significa que toda a pedreira funcione sem trabalhadores. As atividades de supervisão, manutenção, gestão do tráfego e coordenação operacional continuam exigindo profissionais especializados.
Caminhões de 90 toneladas chegam a operações de menor escala
A frota escolhida para Richards Spur usa o Cat 777, caminhão rígido de mineração com capacidade de carga de aproximadamente 90 toneladas métricas.
É um equipamento projetado para transportar grandes volumes de material em operações de mineração e pedreiras. A configuração atual do modelo 777 tem capacidade nominal de carga de 91,7 toneladas métricas, embora as especificações possam variar conforme a versão do equipamento.
A diferença em relação aos grandes projetos de mineração não está necessariamente no tamanho de cada caminhão, mas na escala da operação e nas condições em que o sistema autônomo precisa funcionar.
Em uma grande mina a céu aberto, dezenas ou até centenas de caminhões podem operar 24 horas por dia. Já muitas pedreiras trabalham com frotas menores, jornadas limitadas e interação frequente entre equipamentos de carregamento, veículos auxiliares e trabalhadores.
Essas diferenças exigem adaptações na tecnologia, na infraestrutura e nos procedimentos de segurança para que sua adoção seja viável do ponto de vista técnico e econômico.
Para a Dolese Bros., o objetivo é reduzir a exposição dos trabalhadores a tarefas e ambientes de maior risco, além de melhorar a regularidade dos ciclos de transporte e a confiabilidade operacional.
A empresa afirma que a automação busca reforçar a segurança e desenvolver novas habilidades entre os trabalhadores, e não eliminar a participação humana na operação.
Caterpillar já transportou milhões de toneladas em outra pedreira
A implementação em Richards Spur tem como antecedente o projeto desenvolvido pela Caterpillar com a Luck Stone na pedreira Bull Run, em Chantilly, na Virgínia.
Quatro caminhões Cat 777 autônomos começaram a operar nessa unidade em novembro de 2024, permitindo testar a tecnologia em uma operação de agregados.
Os resultados deram início a uma nova etapa de expansão.
Em setembro de 2026, a Caterpillar confirmou que a frota autônoma de Bull Run havia transportado mais de 3,5 milhões de toneladas americanas de material, o equivalente a aproximadamente 3,18 milhões de toneladas métricas, ao longo de mais de 18 meses de operação.
A empresa também destacou ganhos na regularidade das operações e oportunidades para que os trabalhadores assumissem funções ligadas à supervisão e à gestão da tecnologia.
Com base nessa experiência, Caterpillar e Luck Stone anunciaram a expansão da automação para outras duas pedreiras da Virgínia: Boscobel e Bealeton.
Nas duas unidades, está prevista a adoção do sistema autônomo em frotas de caminhões Cat 775, modelo de menor capacidade que o 777.
Esse desenvolvimento amplia a gama de veículos compatíveis com a tecnologia e abre possibilidades para operações que não precisam transportar os mesmos volumes de uma grande mina de cobre ou ferro.
Mais empresas adotam o transporte autônomo
Ao longo de 2026, a Caterpillar também avançou em outro projeto em parceria com a Carmeuse, empresa internacional ligada à produção de cal e pedra calcária.
Em maio, as duas empresas anunciaram um acordo para incorporar o Command for hauling a uma frota de caminhões Cat 777 na pedreira Drummond Island, localizada em Michigan.
O projeto também prevê ferramentas complementares do MineStar para integrar as atividades das carregadeiras e de outros equipamentos que continuam sendo operados por trabalhadores.
Com os projetos da Luck Stone, da Carmeuse e da Dolese Bros., a Caterpillar está ampliando a oferta de suas soluções autônomas para diferentes operações nos Estados Unidos.
A expansão também envolve distribuidores regionais de máquinas, responsáveis pelo suporte técnico durante a implantação desses sistemas.
Em Richards Spur, essa função cabe à Warren CAT.
O que muda para a mineração e as pedreiras
A incorporação do transporte autônomo em operações menores representa uma nova etapa para uma tecnologia que, durante anos, esteve concentrada principalmente em grandes jazidas.
Um dos desafios é reduzir a complexidade e o custo de implantação, já que uma pedreira com poucos caminhões não pode diluir o investimento em tecnologia da mesma forma que uma operação com centenas de veículos.
A Caterpillar vem trabalhando para simplificar determinadas funções e procedimentos do MineStar e adaptá-los a instalações menores, sem necessariamente levar toda a infraestrutura usada nas grandes minas.
Entre os benefícios potenciais estão ciclos de transporte mais regulares, melhor aproveitamento dos equipamentos e menor exposição dos trabalhadores a determinadas tarefas de condução.
No entanto, esses resultados dependem das características de cada operação e exigem avaliações operacionais específicas.
Até o momento, não foram divulgados dados que permitam medir ganhos de produtividade, redução de custos ou mudanças nos tempos de transporte em Richards Spur.
Até o momento, o avanço confirmado é a inclusão de uma nova pedreira no processo de implantação dos caminhões autônomos da Caterpillar.









