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Robô soldador com alcance de oito metros supera testes e se prepara para fabricar grandes estruturas de mineração

A empresa FBR concluiu com sucesso os testes de seu robô soldador Mantis, que promete revolucionar a fabricação de estruturas metálicas para a mineração e outros setores.

Robô soldador com alcance de oito metros supera testes e se prepara para fabricar grandes estruturas de mineração
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A australiana FBR concluiu os testes de aceitação do Mantis, sistema robótico capaz de realizar soldas automatizadas enquanto compensa vibrações e movimentos. A tecnologia foi desenvolvida para fabricar estruturas industriais destinadas à mineração, à construção naval e a outros setores.

A empresa australiana FBR Limited informou em 8 de outubro de 2026 que seu robô soldador Mantis foi aprovado nos testes de aceitação em fábrica, etapa que abre caminho para sua comercialização. O equipamento tem alcance operacional de oito metros e conta com uma tecnologia de estabilização que corrige movimentos e vibrações durante a soldagem, com o objetivo de automatizar a fabricação de grandes estruturas metálicas usadas em setores como a mineração.

Os testes foram realizados nas instalações da FBR em Perth, na Austrália Ocidental, onde o robô demonstrou capacidade para executar soldas automatizadas com alta taxa de deposição por meio de um sistema de duplo arame.

A avaliação também incluiu inspeções independentes de qualidade. Os resultados confirmaram que as juntas examinadas atenderam aos critérios de aceitação estabelecidos pela norma norte-americana para soldagem estrutural em aço.

Com o resultado, a FBR superou uma exigência técnica que ainda impedia a aceitação comercial de sua primeira unidade.

Como funciona o robô soldador de oito metros

O Mantis foi desenvolvido para soldar componentes metálicos de grandes dimensões, nos quais os sistemas robóticos convencionais podem enfrentar limitações de alcance, espaço ou mobilidade.

Sua principal característica é o alcance operacional de oito metros, que permite acessar diferentes pontos de uma estrutura sem a necessidade de movimentar constantemente a peça.

O robô utiliza uma base fixa que ocupa aproximadamente três por três metros. Diferentemente de outras soluções industriais, não exige necessariamente grandes estruturas de deslocamento, como pórticos ou trilhos, para cobrir sua área de operação.

Essa configuração permite organizar o trabalho em diferentes estações de fabricação. Enquanto o equipamento solda uma estrutura, os operadores podem preparar outra peça em um espaço próximo.

Assim, a automação busca reduzir o tempo de espera associado ao posicionamento dos materiais e aumentar o aproveitamento efetivo do equipamento.

O Mantis também conta com um scanner a laser para localizar e acompanhar as juntas a serem soldadas. A tecnologia permite ajustar o trajeto de trabalho à geometria dos componentes.

Sistema compensa vibrações e movimentos durante a soldagem

Um dos principais desafios do uso de braços robóticos de grande alcance é manter a precisão na extremidade da ferramenta.

Vibrações, oscilações do braço e outros movimentos podem alterar a posição da tocha e afetar a uniformidade da solda.

Para lidar com essas condições, a FBR incorporou sua tecnologia Dynamic Stabilisation Technology (DST), um sistema que mede perturbações dinâmicas e faz correções durante a operação.

A solução foi desenvolvida anteriormente para o Hadrian, robô de construção automatizada da mesma empresa, projetado para assentar blocos com um braço de grande comprimento.

No Mantis, a tecnologia busca manter a tocha de soldagem estável, mesmo quando opera em seu alcance máximo.

Durante os testes de aceitação, a FBR verificou o funcionamento do sistema de compensação de movimentos, além da estabilidade operacional, da velocidade de deslocamento e da regularidade do material depositado.

Testes confirmaram a qualidade das soldas

Os testes de aceitação em fábrica, conhecidos como Factory Acceptance Testing (FAT), incluíram verificações de funcionamento e uma avaliação externa das juntas produzidas.

A empresa especializada InSpec NDT Pty Ltd realizou ensaios não destrutivos nas soldas de teste. As inspeções permitiram avaliar a qualidade por meio de diferentes procedimentos, sem destruir as peças examinadas.

Os resultados confirmaram o atendimento aos critérios aplicáveis da norma AWS D1.1/D1.1M:2025, usada para soldagem estrutural em aço.

A avaliação abrangeu critérios de inspeção visual, superficial, volumétrica e por partículas magnéticas.

O atendimento a esses requisitos é relevante para aplicações que exigem juntas metálicas submetidas a especificações técnicas rigorosas.

A aprovação, porém, diz respeito às soldas examinadas durante os testes. Isso não significa que qualquer estrutura fabricada posteriormente será automaticamente certificada, já que cada projeto pode exigir controles e procedimentos específicos.

Qual é a capacidade do Mantis para fabricar grandes estruturas

O sistema pode ser configurado para soldar com um ou dois arames. A opção de alta taxa de deposição utiliza dois equipamentos de soldagem Fronius TPS 500i.

A FBR informa que essa configuração foi projetada para atingir taxas de deposição de até 25 quilos de material por hora, dependendo das características de cada componente e do trabalho realizado.

A empresa também informa velocidade máxima de soldagem de quatro metros por minuto e velocidade de deslocamento de dez metros por minuto.

Esses valores correspondem às capacidades técnicas informadas pelo fabricante e não devem ser interpretados como desempenho constante em qualquer tarefa industrial.

Em testes anteriores, divulgados em setembro, o Mantis realizou determinadas soldas a velocidades de até 120 centímetros por minuto, acima do mínimo de 30 centímetros por minuto exigido naquele ensaio de aceitação.

A produtividade efetiva dependerá, entre outros fatores, da geometria das peças, das espessuras, da preparação das juntas e das inspeções de qualidade necessárias.

Aplicações na mineração e na fabricação pesada

A FBR aponta a mineração, a construção naval, a indústria de defesa e a fabricação de metais pesados como mercados para o Mantis.

Na mineração, os possíveis usos incluem a fabricação de grandes componentes de aço para equipamentos, instalações de processamento e estruturas industriais.

A soldagem é uma etapa importante na construção desses elementos, especialmente quando são necessárias juntas extensas, grandes espessuras e procedimentos repetitivos.

A automação pode facilitar a execução de trajetórias programadas e manter parâmetros de trabalho consistentes, embora sua implementação exija a preparação das peças, a definição de procedimentos de soldagem e o cumprimento das condições de segurança de cada instalação.

Até o momento, a FBR não anunciou a entrada em operação comercial do Mantis em nenhuma mina específica. O equipamento está avançando da validação técnica para testes com potenciais clientes industriais.

Primeira unidade será usada na Austrália antes de seguir para os Estados Unidos

Após a conclusão dos testes de aceitação, a FBR alterou o cronograma comercial de sua primeira unidade.

O robô ficará em Perth até o fim de 2026, participando de um programa-piloto remunerado, com trabalhos de soldagem e demonstrações para empresas interessadas.

A empresa programou atividades com potenciais clientes dos setores de mineração, naval e de fabricação pesada. Várias empresas industriais já forneceram informações sobre peças para avaliar o desempenho do sistema em geometrias usadas em aplicações reais.

Posteriormente, a primeira unidade será enviada aos Estados Unidos, onde está prevista sua instalação e integração nas instalações da State Machinery às margens do rio Mississippi.

O contrato comercial ficou a cargo da Industrial Robotics LLC, distribuidora do Mantis nos Estados Unidos e no Canadá, que concordou em pagar um depósito de 198.000 dólares australianos, correspondente a 20% do valor da operação.

A FBR explicou que manter temporariamente o robô na Austrália permitirá dar continuidade às demonstrações e evitar que o equipamento fique parado durante as cerca de oito semanas estimadas para o transporte marítimo e os trâmites de importação.

O envio está previsto para depois do fim do programa-piloto, em janeiro de 2027. Paralelamente, a empresa informou que está trabalhando na construção de uma segunda unidade.

Com os testes de fábrica concluídos, o próximo desafio do Mantis será comprovar seu desempenho em trabalhos industriais contratados e transformar o interesse de potenciais clientes em novas vendas. Sua aplicação na mineração dependerá dessa validação comercial e de sua integração em oficinas de fabricação de componentes e estruturas de grande porte.