Descubra

Cimenteira converte caminhões de mineração a diesel em elétricos e estima economizar US$500.000 por unidade

A empresa turca Nuh Çimento está prolongando a vida útil de máquinas pesadas com sistemas de propulsão elétrica. O projeto inclui um caminhão com 30 anos de uso que já acumula milhares de horas de operação sem consumir diesel.

Cimenteira converte caminhões de mineração a diesel em elétricos e estima economizar US$500.000 por unidade

A cimenteira turca Nuh Çimento apresentou novas informações sobre seu programa de eletrificação de equipamentos de mineração, desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia ABB. A iniciativa permite reaproveitar caminhões de mineração originalmente movidos a diesel e, segundo cálculos da companhia divulgados em 2026, evitar investimentos de aproximadamente US$500.000 por veículo em comparação com a compra de equipamentos novos.

O projeto é desenvolvido nas operações de extração de matérias-primas de Kocaeli-Körfez, na Turquia. Um dos primeiros resultados foi a conversão de um caminhão Euclid R85B que havia completado cerca de 30 anos de serviço. A máquina recebeu um sistema de propulsão totalmente elétrico e voltou a ser utilizada no transporte de materiais.

O projeto começou a ser elaborado em 2020, e a parceria com a ABB foi formalizada em 2022. O primeiro protótipo, chamado Mission Zero, entrou em operação em 2023, e sua conversão foi apresentada publicamente em maio de 2024. As informações mais recentes mostram os custos e os resultados operacionais acumulados.

Como funciona o caminhão de mineração elétrico

A conversão consiste em retirar o motor a diesel e a transmissão originais para instalar um motor elétrico, baterias de tração e sistemas eletrônicos de controle. O processo permite manter o chassi, a estrutura e outros componentes do equipamento, evitando a substituição completa de um veículo que ainda pode desempenhar funções produtivas.

Uma das características do projeto é o aproveitamento das condições geográficas da operação. Os caminhões descem carregados por rampas com inclinação entre 18% e 20%, usando um sistema de frenagem regenerativa que transforma parte da energia do movimento em eletricidade armazenada nas baterias.

Depois de descarregados, os veículos voltam morro acima com peso consideravelmente menor. Segundo a ABB, essa diferença permite fazer a subida com a energia recuperada durante a descida, reduzindo significativamente a necessidade de recargas externas.

A documentação apresentada pela Nuh Çimento informa que, nas condições específicas dessa operação, os intervalos entre recargas podem chegar a um a três meses. Esse desempenho depende diretamente das inclinações, das cargas transportadas e dos ciclos de trabalho, portanto não pode ser automaticamente projetado para outras operações de mineração.

Mais de 243.000 litros de diesel poupados

Os registros fornecidos pela empresa indicam que o primeiro caminhão convertido acumulou 5.535 horas de operação até dezembro de 2025, período em que teria deixado de consumir aproximadamente 243.540 litros de diesel.

Quando apresentou a conversão, em 2024, a ABB estimou que o veículo permitiria economizar cerca de 100.000 litros de combustível por ano e evitar 245 toneladas anuais de emissões de dióxido de carbono. Esses números correspondem às estimativas divulgadas pelas empresas envolvidas.

O projeto também foi ampliado para outras máquinas. De acordo com a atualização de 2026, o programa inclui cinco caminhões de mineração e doze escavadeiras e pás convertidos, além de 19 veículos elétricos novos. No total, a frota eletrificada chega a 36 equipamentos pesados e supera 100.000 horas de operação acumuladas, segundo a companhia.

Quanto custa converter um caminhão a diesel em elétrico

A eletrificação desses equipamentos exige um investimento considerável. A Nuh Çimento calcula que cada conversão custa aproximadamente US$750.000, incluindo novos componentes elétricos, baterias, sistemas de controle e os serviços de engenharia necessários.

Ainda assim, a empresa afirma que esse valor é inferior ao necessário para comprar equipamentos substitutos, com uma diferença estimada em US$500.000 por unidade. Trata-se de uma comparação econômica apresentada pela própria cimenteira, não de uma economia verificada de forma independente.

A essa diferença podem se somar reduções nos custos de manutenção. Os cálculos do projeto estimam até US$250.000 em gastos evitados com intervenções no motor ao longo de cinco anos e outros US$150.000 em reparos na transmissão. Essas estimativas dependem da vida útil e das necessidades de manutenção dos sistemas a diesel originais.

A conversão também envolve custos adicionais. A documentação aponta cerca de US$60.000 para a instalação de uma estação de recarga, além de gastos com consumo de eletricidade, treinamento de trabalhadores e eventual substituição das baterias.

Do ponto de vista ambiental, a retirada do motor a diesel elimina as emissões diretas durante a operação do veículo, embora o impacto climático total também dependa da origem da eletricidade usada para recarregá-lo.

A Nuh Çimento tem como meta eliminar até 2030 as emissões diretas associadas ao transporte de matérias-primas em suas operações. A experiência com o Euclid R85B é um dos exemplos operacionais desse programa, enquanto a empresa continua ampliando a eletrificação de outras unidades da frota.