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Canadá: Centenario Gold amplia zona mineralizada de cobre e cobalto para mais de 850 metros e prepara campanha de perfuração

Mais de 350 amostras ainda aguardam análise enquanto a Centenario busca confirmar se a mineralização observada em Cabot continua em profundidade.

Canadá: Centenario Gold amplia zona mineralizada de cobre e cobalto para mais de 850 metros e prepara campanha de perfuração

A mineradora canadense avança na exploração do projeto Cabot, em Terra Nova e Labrador, com mais de 350 amostras de canal pendentes de análise e um programa inicial de 1.500 metros de perfuração previsto para novembro.

A Centenario Gold Corp. (CSE: CTG) ampliou para mais de 850 metros a extensão superficial identificada da zona mineralizada de Cabot, um sistema com presença de cobre e cobalto localizado na península de Baie Verte, na província de Terra Nova e Labrador, no Canadá. Os novos trabalhos de exploração ampliam a área de interesse geológico e preparam uma campanha de perfuração para investigar a continuidade da mineralização em profundidade.

A atualização, divulgada em 5 de novembro de 2026, inclui avanços na abertura de trincheiras, na amostragem geoquímica, na interpretação geofísica e na preparação de acessos a novos alvos de exploração. A companhia prevê iniciar uma primeira fase de 1.500 metros de sondagens antes do fim de novembro, condicionada à disponibilidade de equipamentos.

O projeto fica a aproximadamente 10 quilômetros da localidade de Baie Verte, em um distrito com histórico de exploração de depósitos de sulfetos maciços vulcanogênicos, conhecidos como VMS, uma categoria geológica relevante para a exploração de cobre, zinco, ouro e outros metais associados.

Exploração amplia continuidade superficial do sistema Cabot

Os trabalhos realizados em 2026 incluíram aproximadamente 1.000 metros adicionais de abertura de trincheiras, ampliando para mais de 850 metros de extensão a faixa mineralizada exposta.

A campanha incluiu oito novas trincheiras na zona principal de Cabot e 16 linhas de amostragem de canal distribuídas pelos afloramentos mineralizados.

Ao todo, as equipes coletaram mais de 350 amostras de canal, cujos resultados analíticos ainda estão pendentes. Também foram coletadas aproximadamente 580 amostras de solo para aprimorar a delimitação de anomalias geoquímicas e sua relação com alvos geofísicos.

A exploração incluiu levantamentos com drones equipados com tecnologia LiDAR, usada para gerar informações topográficas de alta resolução e auxiliar na interpretação estrutural do terreno.

A extensão identificada representa a continuidade superficial de uma tendência geológica, mas ainda não permite definir um recurso mineral nem confirmar a continuidade econômica em profundidade.

As análises pendentes serão determinantes para avaliar as concentrações de cobre e de outros metais, bem como a distribuição da mineralização entre as áreas expostas.

Cobre e cobalto associados a um sistema de sulfetos vulcanogênicos

A zona de Cabot apresenta características compatíveis com um sistema de sulfetos maciços vulcanogênicos, formado por processos hidrotermais associados à atividade vulcânica submarina.

Nesse tipo de depósito, os fluidos mineralizantes podem gerar acumulações de sulfetos metálicos e zonas de veios estreitos ou disseminações, que ajudam a reconstituir a circulação de soluções hidrotermais.

Em Cabot, o cobre foi identificado principalmente em minerais como calcopirita e bornita, presentes em unidades vulcânicas e sedimentares alteradas.

Os dados históricos incluem amostras seletivas de rocha com concentrações de até aproximadamente 7% de cobre.

No entanto, esses valores correspondem a amostras pontuais coletadas em campanhas anteriores e não representam necessariamente os teores médios do sistema. Além disso, os resultados históricos ainda precisam de verificações adicionais por meio de exploração sistemática.

A presença de cobalto aumenta o interesse pelo projeto, por se tratar de um metal usado em determinadas tecnologias de armazenamento de energia e em aplicações industriais.

No entanto, a existência de mineralização com cobalto não significa, automaticamente, que o metal possa ser recuperado comercialmente. Seu eventual aproveitamento dependerá de fatores como concentração, mineralogia, recuperação metalúrgica e custos de processamento.

Centenario prepara 5.000 metros de perfuração entre 2026 e 2027

O programa de exploração prevê duas etapas de perfuração que, se executadas integralmente, totalizarão 5.000 metros.

A primeira fase prevê 1.500 metros de sondagens para avaliar o sistema principal de Cabot em profundidade e verificar alvos identificados com base em dados geofísicos.

O início dessa campanha está previsto para antes do fim de novembro de 2026, sujeito à disponibilidade de equipamentos.

Na sequência, a Centenario avalia realizar outros 3.500 metros de perfuração nos primeiros meses de 2027.

Essa segunda etapa dependerá dos resultados obtidos na campanha inicial e da disponibilidade de financiamento.

Um dos objetivos será investigar possíveis extensões mineralizadas ao norte, onde há um corredor de aproximadamente 2.000 metros que ainda precisa ser mais bem avaliado por meio de exploração.

O planejamento reflete uma estratégia de exploração progressiva: usar informações de superfície e geofísicas para selecionar alvos antes de destinar recursos adicionais à perfuração.

Do ponto de vista econômico, essa abordagem permite concentrar os investimentos iniciais nas áreas com melhores indicações geológicas, embora não elimine os riscos inerentes à exploração mineral.

Magellan e outros alvos ampliam o potencial exploratório

Além do sistema principal de Cabot, a companhia trabalha em outros quatro alvos, denominados Magellan, Columbus, Erickson e Cook.

Essas áreas apresentam coincidência entre anomalias geoquímicas de metais básicos e condutores eletromagnéticos identificados em levantamentos geofísicos históricos.

Os quatro alvos ainda não foram avaliados por meio de trincheiras ou perfurações.

Magellan aparece entre as áreas prioritárias por estar localizado cerca de um quilômetro ao norte de Cabot e apresentar alteração hidrotermal caracterizada por sericita e pirita em rochas vulcânicas félsicas.

A empresa está abrindo acessos a Magellan e Columbus para viabilizar novas atividades de escavação, amostragem e eventuais sondagens.

A interpretação dos dados eletromagnéticos e magnéticos também permitirá atualizar os modelos tridimensionais usados para delimitar possíveis corpos mineralizados.

Em depósitos VMS, a combinação de condutividade elétrica, alteração hidrotermal e anomalias geoquímicas pode ajudar a identificar áreas com potencial de acumulação de sulfetos.

No entanto, uma anomalia eletromagnética, por si só, não comprova a existência de mineralização economicamente explotável. A confirmação depende de sondagens e análises laboratoriais.

Projeto Cabot está próximo a um distrito cuprífero em desenvolvimento

A área de exploração fica a cerca de 15 quilômetros do depósito Ming, associado ao projeto Green Bay, da FireFly Metals.

Este último tem recursos minerais medidos e indicados reportados de 57,3 milhões de toneladas, com teor de 2,4% de cobre equivalente, além de recursos inferidos de 17,9 milhões de toneladas, com 2,8% de cobre equivalente, conforme atualização de agosto de 2026.

A proximidade entre os dois projetos situa Cabot em um contexto geológico com histórico de mineralização cuprífera significativa.

No entanto, os recursos identificados em Ming pertencem exclusivamente a esse depósito e não podem ser extrapolados para o projeto Cabot.

A atividade mineral regional também inclui operações auríferas e projetos de infraestrutura de processamento, fatores que podem favorecer a disponibilidade de serviços especializados, empreiteiras e capacidade técnica.

Para uma empresa de exploração, atuar em um distrito com infraestrutura rodoviária e energética existente pode representar uma vantagem logística em relação a áreas isoladas.

Ainda assim, qualquer desenvolvimento futuro terá de comprovar sua viabilidade técnica, ambiental e econômica por meio de estudos específicos.

Marble Cove amplia o potencial aurífero do portfólio

O projeto Cabot também inclui o prospecto aurífero Marble Cove, geologicamente distinto do sistema de cobre e cobalto.

Nesse setor, foram identificados veios de quartzo com sulfetos e há registros históricos de amostragens seletivas que chegaram a concentrações de até 70,38 gramas de ouro por tonelada.

Essas amostras correspondem a resultados pontuais e não permitem determinar teor médio, tonelagem ou recursos minerais.

Marble Cove fica cerca de quatro quilômetros a oeste de tendências mineralizadas associadas ao distrito de Point Rousse, que tem histórico de produção aurífera.

A presença de alvos de cobre e ouro oferece diferentes possibilidades de exploração na propriedade, embora cada sistema exija programas independentes para que seu potencial seja determinado.

Resultados laboratoriais vão definir os próximos passos

O principal desafio imediato para a Centenario Gold será transformar os avanços na superfície em informações geológicas quantificáveis.

Os resultados das amostras de canal permitirão avaliar as concentrações de metais em diferentes setores da tendência Cabot, enquanto a primeira campanha de sondagem buscará determinar se a mineralização continua em profundidade.

A interpretação geofísica pendente também será importante para selecionar novos alvos e definir prioridades de investimento ao longo de 2027.

Por enquanto, Cabot segue em fase de exploração e, nesta atualização, não conta com estimativa confirmada de recursos minerais nem com decisão de construção ou produção.

Para a indústria de mineração, o projeto é um exemplo de exploração de cobre e metais associados em um distrito canadense com infraestrutura e contexto geológico favoráveis.

Sua evolução dependerá da qualidade dos resultados analíticos, da continuidade das estruturas mineralizadas, da capacidade de financiamento e da eficácia das próximas sondagens.

A campanha prevista para novembro será o próximo passo técnico para determinar se a extensão identificada na superfície pode corresponder a um sistema mineralizado de maior porte e justificar novos investimentos em exploração.