
A mineradora canadense ampliou a mineralização de alto teor no projeto Cobrasco, localizado no departamento de Chocó. A exploração identificou um intervalo de 32 metros com teor de 1,48% de cobre e mantém em aberto o potencial de expansão do sistema de pórfiro.
A canadense Andina Copper Corporation confirmou novos resultados de sondagem com alto teor no projeto de cobre e molibdênio Cobrasco, localizado no departamento de Chocó, na Colômbia. A sondagem CDH014 interceptou 76 metros com teor médio de 1,00% de cobre a partir de 52 metros de profundidade, incluindo um intervalo de 32 metros com 1,48% de cobre a partir dos 60 metros.
Os resultados, divulgados em 5 de novembro de 2026, reforçam a continuidade da mineralização próxima à superfície identificada anteriormente no setor noroeste do depósito. As sondagens recentes permitiram estender a zona de alto teor em aproximadamente 350 metros para noroeste em relação aos trabalhos anteriores.
A descoberta é relevante porque Cobrasco está em uma fase inicial de avaliação e apresenta características geológicas associadas a um sistema de pórfiro de cobre e molibdênio de grandes dimensões.
Com 14 sondagens e aproximadamente 11.000 metros perfurados, cujos resultados já foram divulgados, o projeto apresenta uma zona mineralizada delimitada pelos trabalhos exploratórios com aproximadamente 1.300 metros de comprimento e entre 550 e 700 metros de largura.
A mineralização continua aberta em diferentes direções, enquanto a companhia prossegue com as sondagens para determinar sua extensão e continuidade.
Sondagem CDH014 confirma intervalos de alto teor
O principal resultado da campanha é a sondagem diamantada CDH014, realizada a partir da mesma plataforma utilizada anteriormente para a CDH013.
A perfuração foi direcionada para nordeste, com inclinação de 80 graus abaixo da horizontal, e atingiu profundidade final de 565,95 metros.
O objetivo era investigar a continuidade vertical e lateral das estruturas mineralizadas identificadas anteriormente, especialmente em áreas próximas à superfície.
As análises apresentaram os seguintes resultados:
|
Intervalo |
Teor de cobre |
Molibdênio |
Prata |
|---|---|---|---|
|
212 metros a partir de 52 m |
0,50% |
112 ppm |
1,9 g/t |
|
76 metros a partir de 52 m |
1,00% |
191 ppm |
2,9 g/t |
|
32 metros a partir de 60 m |
1,48% |
272 ppm |
Não especificada |
Os intervalos de 76 e 32 metros estão contidos na interseção mais ampla de 212 metros e, portanto, não representam zonas independentes que possam ser somadas.
No setor de maior concentração mineral, foram identificadas amostras individuais de dois metros com teores de até 2,59% de cobre, além de outros resultados de 2,27% e 1,96%.
Essas concentrações indicam a presença de zonas enriquecidas no sistema, embora sua relevância econômica ainda precise ser avaliada por meio de perfurações adicionais, estimativas de recursos e estudos metalúrgicos.
Também é importante considerar que os comprimentos divulgados correspondem aos intervalos medidos ao longo da sondagem e não representam necessariamente a espessura verdadeira da mineralização.
Mineralização avança 350 metros para noroeste
Um dos aspectos geológicos mais relevantes dos resultados é a continuidade da mineralização de alto teor identificada na zona noroeste de Cobrasco.
As sondagens CDH013 e CDH014 permitem ampliar em aproximadamente 350 metros para noroeste a interpretação do sistema em relação à área explorada anteriormente.
A mineralização começa a cerca de 52 metros de profundidade na sondagem, logo abaixo de um trecho de rochas oxidadas.
Nesse setor predominam minerais sulfetados de cobre, como calcopirita e bornita, associados a microdioritos e brechas magmático-hidrotermais.
Também foi identificada calcocita de origem supérgena entre aproximadamente 52 e 104 metros, mineral que pode se formar por processos de enriquecimento secundário do cobre.
A presença dessa associação mineralógica permite interpretar processos de concentração de cobre relacionados tanto à evolução hidrotermal do sistema quanto a fenômenos posteriores de alteração.
Em maior profundidade, as perfurações identificaram mineralização disseminada de calcopirita e pirita, além de molibdenita em pequenas vênulas.
Os teores diminuem em determinados intervalos de pórfiros riolíticos e voltam a aumentar localmente em áreas associadas a falhas e zonas fraturadas.
Esse comportamento demonstra que a distribuição do cobre não é uniforme e que entender o controle geológico dos teores é um dos principais desafios a serem solucionados nas próximas etapas de exploração.
Cobrasco apresenta zona mineralizada com até 1.300 metros de extensão
A campanha realizada em 2026 permitiu ampliar progressivamente o conhecimento sobre o sistema de pórfiro de Cobrasco.
As 14 sondagens divulgadas até agora delimitaram uma zona mineralizada com aproximadamente 1,3 quilômetro de comprimento e entre 550 e 700 metros de largura.
Essas dimensões correspondem à área reconhecida por meio de perfurações e ainda não representam os limites definitivos do depósito.
A mineralização continua aberta em áreas onde as perfurações ainda não determinaram sua extensão total.
Em sistemas de pórfiro, a extensão lateral e vertical das zonas mineralizadas é fundamental para determinar o potencial de tonelagem e avaliar, posteriormente, as alternativas de lavra.
No entanto, Cobrasco ainda não conta com uma estimativa de recursos minerais baseada nos resultados atuais.
Por isso, as dimensões da zona perfurada não permitem calcular diretamente toneladas de minério, cobre contido ou reservas economicamente recuperáveis.
Para avançar nessas estimativas, será necessário aumentar a densidade de perfuração, definir com mais precisão a geometria dos corpos mineralizados e desenvolver modelos que permitam avaliar a distribuição espacial dos teores.
Andina Copper prepara uma segunda sonda de perfuração
A empresa mantém a exploração em andamento enquanto aguarda novos resultados analíticos.
Atualmente, há aproximadamente 3.000 metros adicionais de perfuração cujos resultados ainda estão pendentes.
Esses resultados podem trazer informações relevantes para verificar a continuidade das zonas mineralizadas, especialmente em áreas fora do perímetro delimitado até o momento.
A Andina Copper também planeja mobilizar uma segunda sonda de perfuração no trimestre entre outubro e dezembro de 2026.
A nova sonda será destinada a investigar a expansão da zona de maior teor, enquanto a equipe atualmente em operação continuará avaliando os limites do sistema mineralizado mais amplo.
Essa estratégia permitirá desenvolver duas linhas de investigação complementares.
A primeira busca determinar se os intervalos com maior concentração de cobre fazem parte de um volume mineralizado com continuidade suficiente para embasar futuras avaliações econômicas.
A segunda pretende definir as dimensões gerais do sistema e identificar novas áreas com potencial exploratório.
A incorporação de uma segunda sonda de perfuração ainda é uma atividade planejada, e sua execução dependerá da mobilização efetiva do equipamento e do andamento operacional da campanha.
O potencial do cobre na Colômbia e sua relação com a mineração andina
Os resultados de Cobrasco ganham relevância no contexto da exploração de cobre na América do Sul.
A Cordilheira dos Andes concentra alguns dos principais distritos cupríferos do mundo, especialmente no Chile e no Peru, onde sistemas de pórfiro são a base de numerosas operações de grande porte.
A Colômbia também apresenta condições geológicas favoráveis à existência de sistemas hidrotermais associados ao magmatismo andino, embora sua indústria de cobre seja consideravelmente menos desenvolvida que a dos principais produtores da região.
Nesse cenário, a identificação de mineralização de cobre de alto teor em profundidades relativamente rasas pode aumentar o potencial exploratório de determinados projetos.
No entanto, os teores obtidos nas perfurações são apenas um dos fatores que influenciam a viabilidade de uma futura mina.
A avaliação deverá considerar aspectos como a geometria do depósito, a recuperação metalúrgica, a infraestrutura, o acesso, a disponibilidade de energia, as condições ambientais e os custos operacionais.
Em uma região como Chocó, marcada por condições ambientais e territoriais que exigem atenção especial, qualquer eventual desenvolvimento produtivo também deverá levar em conta as exigências regulatórias e os processos de relacionamento com as comunidades.
A presença de mineralização com potencial econômico não significa, por si só, que exista uma operação de mineração aprovada ou uma decisão de construção.
Andina Copper mantém projetos no Chile e na Argentina
A Andina Copper desenvolve um portfólio de exploração concentrado no cinturão cuprífero sul-americano.
Além de Cobrasco, a empresa participa de iniciativas de exploração na Argentina e mantém um alvo de cobre e ouro ainda não perfurado na Cordilheira da Costa do Chile.
A presença de ativos em diferentes países permite à empresa avaliar sistemas geológicos com características diversas, mas também implica lidar com diferentes marcos regulatórios e condições operacionais.
Para o setor de mineração chileno, os resultados de Cobrasco oferecem uma referência adicional sobre a atividade exploratória em curso no cinturão andino.
O Chile ocupa uma posição central na produção mundial de cobre, mas a incorporação de novos projetos exige investimentos cada vez maiores em exploração, estudos técnicos e infraestrutura.
Descobertas em estágio inicial, como Cobrasco, permitem observar o potencial de novas áreas mineralizadas, embora ainda haja uma distância considerável entre um intercepto de alto teor e a construção de uma operação comercial.
Próximos resultados definirão a continuidade da descoberta
A próxima etapa de Cobrasco será marcada pelos resultados das análises de aproximadamente 3.000 metros de perfuração, ainda pendentes, e pela eventual incorporação de uma segunda sonda.
Os novos resultados serão fundamentais para determinar se os interceptos de maior teor apresentam continuidade lateral e vertical e se a mineralização pode se estender além dos limites atuais.
Também será necessário avaliar a distribuição do molibdênio, sua relação com as zonas enriquecidas em cobre e sua eventual importância como subproduto.
Até o momento, não há uma estimativa pública de investimento para desenvolver uma futura operação de mineração em Cobrasco, nem foram definidos capacidade de produção, vida útil ou data de construção.
O projeto permanece em fase de exploração, e seus resultados deverão ser complementados por estudos geológicos, metalúrgicos, ambientais e econômicos.
O dado mais significativo é a confirmação de 76 metros com teor de cobre de 1,00%, incluindo 32 metros com 1,48%, a partir de apenas 52 metros de profundidade na sondagem.
Para a Andina Copper, o desafio será transformar esses resultados pontuais em uma interpretação consistente do depósito.
A extensão da mineralização para noroeste, a presença de zonas de alto teor próximas à superfície e a continuidade do sistema em várias direções abrem novos alvos para a campanha.
O avanço das sondagens permitirá determinar se Cobrasco reúne as condições geológicas necessárias para evoluir de uma descoberta de cobre e molibdênio para um projeto com recursos minerais quantificados e potencial de desenvolvimento na mineração sul-americana.










