Pesquisa Mineral

Estados Unidos: Edge Copper descobre sistema de cobre, ouro, prata e molibdênio de 5 quilômetros sob o projeto Zonia

Enquanto Zonia concentrava sua avaliação econômica nos óxidos, as sondagens chegaram a uma zona profunda que não fazia parte do plano inicial.

Estados Unidos: Edge Copper descobre sistema de cobre, ouro, prata e molibdênio de 5 quilômetros sob o projeto Zonia

A empresa canadense confirmou mineralização sulfetada nas 13 sondagens executadas abaixo do depósito de óxidos de Zonia, no Arizona. A descoberta inclui uma interseção de 267 metros com 0,38% de cobre equivalente e abre uma nova etapa de exploração em profundidade.

A mineradora canadense Edge Copper Corporation descobriu um extenso sistema de pórfidos de cobre, ouro, prata e molibdênio abaixo do depósito de óxidos do projeto Zonia, localizado no estado do Arizona, Estados Unidos. Os resultados, apresentados em 5 de novembro de 2026, confirmaram mineralização sulfetada nas 13 sondagens que chegaram à zona inferior da jazida, enquanto estudos geofísicos identificaram uma anomalia com aproximadamente cinco quilômetros de extensão.

A descoberta amplia consideravelmente o potencial geológico do projeto, que até agora concentrava suas avaliações econômicas na exploração de cobre oxidado. As novas sondagens confirmaram mineralização sulfetada ao longo de 2.980 metros, enquanto a interpretação geofísica indica que o sistema pode se estender para além das áreas investigadas.

Um dos principais resultados foi obtido na sondagem ZND0063, que interceptou aproximadamente 267 metros com teor médio de 0,38% de cobre equivalente, incluindo intervalos com maiores concentrações de cobre e metais associados. A sondagem foi encerrada enquanto ainda atravessava rocha mineralizada.

A descoberta representa uma nova oportunidade para a Edge Copper, proprietária de 100% de Zonia, pois identifica um sistema mineralizado adicional que não havia sido incluído na avaliação econômica preliminar de 2026.

Treze sondagens confirmam mineralização sulfetada

A campanha de sondagem de 2026 foi planejada principalmente para definir e ampliar o conhecimento sobre o depósito superficial de óxidos de cobre.

No entanto, os trabalhos permitiram identificar uma mineralização mais profunda, associada a processos hidrotermais característicos dos grandes sistemas de pórfidos de cobre.

As 13 sondagens que avançaram abaixo da zona oxidada interceptaram sulfetos de cobre e mineralização associada a ouro, prata e molibdênio.

Desse total, sete sondagens foram prolongadas intencionalmente para investigar o sistema em profundidade, enquanto as outras seis foram encerradas pouco depois de entrar na zona sulfetada.

A mineralização foi identificada ao longo de quase três quilômetros, desde o extremo sudoeste da área avaliada até o setor nordeste.

Essa continuidade espacial é um dos principais indícios da descoberta, embora ainda seja necessária uma campanha mais sistemática para determinar o volume, a geometria e a distribuição dos teores do depósito.

Sondagem ZND0063 intercepta 267 metros com 0,38% de cobre equivalente

Entre as sondagens de destaque, a ZND0063 apresentou uma das interseções mais extensas do programa.

A sondagem registrou 876 pés, equivalentes a aproximadamente 267 metros, com teor médio de 0,38% de cobre equivalente.

Dentro desse intervalo, foram identificados trechos com concentrações mais altas, incluindo aproximadamente 24 metros com 0,57% de cobre equivalente e 12 metros com 0,70%.

Os resultados mais relevantes da campanha incluem:

Sondagem

Intervalo aproximado

Cobre equivalente

Cobre total

ZND0063

267 m

0,38%

0,26%

ZND0068

129 m

0,50%

0,34%

ZND0058

236 m

0,34%

0,24%

ZND0060

152 m

0,36%

0,23%

ZND0019

127 m

0,41%

0,26%

Na sondagem ZND0019, também foi identificada uma interseção de aproximadamente seis metros com 1,01% de cobre equivalente, incluindo 0,62% de cobre total, 0,40 grama de ouro por tonelada e 4,10 gramas de prata por tonelada.

Os resultados revelam variações significativas nas concentrações de metais dentro do sistema.

As extensões correspondem a intervalos medidos ao longo das sondagens e, portanto, não representam necessariamente as espessuras verdadeiras das estruturas mineralizadas.

O cobre equivalente permite expressar em uma unidade comum o valor combinado dos metais presentes, mas não corresponde ao teor efetivo de cobre contido na rocha.

Estudos geofísicos identificam anomalia de cinco quilômetros

Uma das características mais relevantes da descoberta é a extensão do sistema identificada por meio de estudos de polarização induzida, técnica geofísica usada para investigar materiais condutores e mineralização sulfetada.

Os levantamentos realizados em 2018 e 2026 foram integrados em um modelo tridimensional que identifica uma anomalia de cargabilidade com aproximadamente 5.000 metros de extensão e 1.000 metros de largura, a cerca de 600 metros de profundidade.

As sondagens disponíveis até o momento investigaram aproximadamente 60% da extensão longitudinal dessa anomalia.

O modelo também identifica áreas de maior intensidade geofísica, especialmente nos setores central e sudoeste do depósito.

Essas características permitem definir alvos para futuras campanhas, embora uma anomalia de cargabilidade, por si só, não comprove a existência de mineralização economicamente viável.

A resposta geofísica pode estar associada a diferentes minerais sulfetados, incluindo pirita, que não necessariamente contém concentrações comerciais de cobre.

Por isso, o potencial do sistema deverá ser confirmado por novas sondagens e análises químicas.

Alteração potássica reforça interpretação de sistema de pórfidos

As sondagens identificaram vênulas de quartzo do tipo A e zonas de intensa alteração potássica, características geológicas comuns em sistemas de pórfidos de cobre.

Esse tipo de associação mineralógica também é encontrado em grandes depósitos de cobre no Chile, no Peru e em outros distritos da cordilheira dos Andes.

Em Zonia, a presença dessas alterações, junto com cobre, ouro, prata e molibdênio, permite interpretar a ocorrência de um sistema hidrotermal que pode conter diferentes centros mineralizados.

Os resultados também mostram que algumas sondagens profundas terminaram em zonas com presença de sulfetos, mantendo aberta a possibilidade de identificar novas extensões verticais.

No entanto, ainda não há uma estimativa de recursos minerais para o sistema sulfetado reconhecido recentemente.

Também não foi definida uma alternativa de lavra nem uma capacidade de processamento para esse material.

Edge Copper planeja novas sondagens para 2027

O programa de exploração em andamento prevê aproximadamente 65.000 pés de sondagem, o equivalente a 19.812 metros.

Até o anúncio de novembro, haviam sido divulgados resultados de 54 sondagens.

A companhia prevê concluir, em meados de novembro, os trabalhos pendentes para delimitar o depósito de óxidos.

Depois, avançará na integração dos resultados geológicos, das análises de testemunhos e dos modelos geofísicos para atualizar a estimativa de recursos do setor oxidado no primeiro trimestre de 2027.

Essa atualização servirá de base para uma nova avaliação econômica preliminar do projeto.

Paralelamente, a Edge Copper prepara uma campanha de sondagens profundas para 2027, voltada especificamente à investigação da extensão do sistema sulfetado.

O objetivo será determinar a continuidade das zonas de maior teor e avançar na caracterização geológica para avaliar seu potencial econômico.

Nova descoberta amplia as alternativas de desenvolvimento de Zonia

O projeto Zonia agora conta com dois alvos de desenvolvimento distintos.

O primeiro é o depósito superficial de cobre oxidado, que dispõe de uma avaliação econômica preliminar e segue avançando com estudos técnicos.

O segundo é o sistema profundo de cobre, ouro, prata e molibdênio, cuja existência foi confirmada por sondagens, mas que ainda está em fase de exploração.

A distinção é importante porque cada tipo de mineralização pode exigir tecnologias de processamento diferentes.

Os óxidos de cobre costumam ser avaliados por meio de alternativas hidrometalúrgicas, enquanto os minerais sulfetados podem exigir processos de concentração e flotação, conforme suas características metalúrgicas.

A eventual inclusão do sistema profundo em um plano de desenvolvimento exigirá estudos independentes sobre recuperação de metais, custos, infraestrutura e rentabilidade.

A descoberta também não implica um aumento automático da vida útil ou da produção futura do projeto.

Arizona reforça seu potencial cuprífero

O Arizona é um dos principais polos de produção de cobre dos Estados Unidos e concentra numerosos depósitos associados a sistemas de pórfiro.

Nesse contexto, a descoberta da Edge Copper ganha relevância pela possibilidade de identificar mineralização adicional abaixo de um depósito já conhecido.

Para a indústria de mineração, resultados desse tipo demonstram a importância de investigar setores profundos que podem ficar fora dos programas convencionais de delimitação de recursos superficiais.

Também ressaltam o papel das tecnologias geofísicas e da modelagem tridimensional na orientação de campanhas de exploração para alvos com condições geológicas favoráveis.

O desafio da Edge Copper será comprovar quanto do sistema de cinco quilômetros identificado por métodos geofísicos corresponde, de fato, a uma mineralização de cobre com potencial econômico.

As 13 sondagens com sulfetos, a continuidade reconhecida ao longo de quase três quilômetros e as interseções de cobre equivalente fornecem subsídios para dar continuidade à exploração.

No entanto, a próxima etapa será decisiva: definir recursos, verificar as recuperações metalúrgicas e determinar se o sistema profundo pode se tornar uma alternativa de desenvolvimento complementar ao depósito de óxidos de Zonia.

Para o mercado de cobre, os resultados acrescentam um novo alvo de exploração em uma jurisdição minerária consolidada, embora sua eventual contribuição para a oferta futura dependa de estudos e decisões de investimento ainda pendentes.