
A mineradora canadense iniciou os trabalhos ambientais e socioeconômicos necessários para solicitar as licenças do projeto, localizado no Pará. Paralelamente, conduz uma campanha de sondagem de 6.000 metros e prepara o estudo de prefactibilidade.
A mineradora canadense GoldMining Inc. iniciou os estudos de linha de base ambiental e socioeconômica de seu projeto de ouro São Jorge, localizado no estado do Pará, no Brasil. A iniciativa marca uma nova etapa de desenvolvimento, voltada ao avanço do processo de licenciamento e à conclusão dos dados técnicos necessários para a futura construção. A avaliação econômica preliminar prevê uma operação de mineração a céu aberto, com produção média de 51.250 onças de ouro por ano ao longo de uma vida útil estimada em 10,6 anos.
O avanço, anunciado em 5 de novembro de 2026, ocorre paralelamente ao estudo de prefactibilidade e a uma campanha de sondagem diamantada que busca aprimorar a classificação dos recursos minerais existentes.
A GoldMining detém 100% de São Jorge, ativo localizado no distrito aurífero de Tapajós, uma região com atividade mineradora e potencial de exploração no norte do Brasil.
A empresa busca transformar os resultados da avaliação econômica preliminar em uma base técnica mais robusta para definir o projeto de lavra, as condições de processamento e as exigências ambientais do projeto.
GoldMining contrata especialistas para avançar na engenharia e no licenciamento ambiental
A nova etapa prevê a participação de duas consultorias especializadas, com atribuições distintas no desenvolvimento de São Jorge.
A SLR Consulting foi escolhida para liderar os trabalhos multidisciplinares de engenharia e metalurgia do estudo de prefactibilidade. As atividades serão coordenadas a partir de Belo Horizonte, um dos principais centros de serviços técnicos para a indústria de mineração brasileira.
A consultoria já conhece o depósito, pois participou da elaboração do relatório técnico e da estimativa de recursos minerais do projeto.
A CLAM Environmental, por sua vez, ficará responsável pelos estudos ambientais e socioeconômicos que servirão de base para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA).
Os dois documentos fazem parte do processo de licenciamento ambiental brasileiro e permitirão avaliar os possíveis impactos de uma futura operação sobre o território, seus componentes ambientais e as comunidades da área de influência.
A CLAM também tem experiência no estado do Pará, onde realizou trabalhos ambientais relacionados ao projeto de ouro Tocantinzinho.
A atuação das duas empresas permitirá abordar simultaneamente dois aspectos decisivos para o desenvolvimento da mina: a viabilidade técnica e econômica do depósito e as condições necessárias para avançar no licenciamento ambiental.
Sondagens avançam com três equipamentos e ultrapassam 1.000 metros
Enquanto os estudos ambientais são realizados, a GoldMining mantém ativa sua campanha de sondagem diamantada de 2026.
O programa prevê 6.000 metros de sondagem, dos quais mais de 1.000 metros já foram concluídos por três equipamentos que operam atualmente em campo.
As sondagens se concentram principalmente em áreas com recursos minerais classificados como inferidos, sobretudo no entorno do núcleo principal de mineralização.
O objetivo é reduzir o espaçamento entre os furos, aprimorar a interpretação geológica e obter mais informações sobre a continuidade do depósito.
Essa estratégia pode permitir que parte dos recursos inferidos seja reclassificada como indicada, desde que os resultados geológicos e estatísticos sustentem a mudança.
A distinção é importante para o estudo de prefactibilidade, pois os recursos inferidos têm nível de confiança insuficiente para serem convertidos diretamente em reservas minerais.
Além de aprimorar a estimativa de recursos, as novas amostras de sondagem serão usadas em estudos mineralógicos, testes metalúrgicos e análises geotécnicas.
Esses dados permitirão estudar o comportamento do minério durante o processamento e avaliar as condições de estabilidade da futura cava a céu aberto e das instalações previstas.
São Jorge prevê planta com capacidade para processar 5.500 toneladas por dia
A avaliação econômica preliminar, apresentada em junho de 2026, definiu um cenário conceitual de lavra convencional a céu aberto, combinado a um circuito de recuperação de ouro por gravidade e lixiviação.
O projeto prevê capacidade de processamento de 5.500 toneladas de minério por dia, o equivalente a aproximadamente 1,9 milhão de toneladas por ano.
Nesse cenário, o projeto apresenta os seguintes indicadores:
|
Indicador |
Avaliação preliminar |
|---|---|
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Produção média de ouro |
51.250 onças por ano |
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Vida útil estimada |
10,6 anos |
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Capacidade de processamento |
5.500 toneladas por dia |
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Processamento anual |
1,9 milhão de toneladas |
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Valor presente líquido após impostos, taxa de desconto de 5% |
US$532 milhões |
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Taxa interna de retorno após impostos |
42,4% |
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Preço do ouro considerado |
US$3.500 por onça |
Os números correspondem a um cenário econômico preliminar e não representam resultados definitivos de viabilidade.
O estudo inclui recursos minerais inferidos e, portanto, ainda há incertezas relacionadas à continuidade geológica, aos custos operacionais, à recuperação metalúrgica e às condições econômicas do futuro empreendimento.
O estudo de prefactibilidade deverá revisar esses parâmetros e estabelecer um projeto com maior nível de detalhamento.
Também será decisivo avaliar como eventuais mudanças no preço do ouro, nos custos de construção e nas necessidades de infraestrutura podem afetar a rentabilidade projetada.
Licenciamento ambiental será determinante para o desenvolvimento do projeto
O início dos estudos ambientais é uma etapa necessária para avançar rumo ao licenciamento de São Jorge, mas ainda não significa a obtenção de autorizações para construir ou explorar a jazida.
No Brasil, os projetos de mineração devem passar por processos de avaliação que consideram aspectos ambientais, sociais e técnicos antes da concessão das autorizações pertinentes.
No caso de São Jorge, os estudos de linha de base permitirão caracterizar as condições atuais da região e reunir informações sobre os componentes que poderiam ser afetados por uma futura operação.
A avaliação deverá considerar as características do projeto, suas instalações e os impactos associados às diferentes etapas de desenvolvimento.
O estado do Pará tem atividade mineradora expressiva e experiência institucional na avaliação de projetos de extração. Ainda assim, cada iniciativa precisa atender a requisitos técnicos e ambientais próprios.
Para a GoldMining, avançar desde cedo nesses estudos permitirá incorporar as restrições ambientais ao projeto de engenharia e reduzir o risco de mudanças posteriores.
A empresa ainda precisará concluir os estudos, apresentar a documentação exigida e avançar pelas diferentes etapas de avaliação antes de obter as autorizações pertinentes.
Distrito de Tapajós concentra interesse em novos projetos de ouro
São Jorge está localizado no distrito aurífero de Tapajós, uma extensa província mineralizada no estado do Pará que concentra atividades de exploração e extração de ouro.
O projeto fica ao lado da rodovia federal BR-163, importante via de conexão regional e transporte terrestre.
Do ponto de vista geológico, o depósito é um sistema aurífero associado a intrusões graníticas, característica que integra seu modelo de exploração.
A localização em um distrito com histórico de mineração é um fator relevante para a avaliação da infraestrutura, dos serviços especializados e da disponibilidade de empresas contratadas.
No entanto, a presença de infraestrutura regional não elimina a necessidade de estudos específicos sobre acessos, fornecimento de energia, disponibilidade de água e outras instalações necessárias para uma eventual operação.
A experiência de projetos próximos, como Tocantinzinho, também oferece referências sobre os desafios técnicos e ambientais enfrentados pela mineração de ouro nessa região do Brasil.
Estudo de pré-viabilidade marcará próxima etapa de investimento
O cronograma de desenvolvimento de São Jorge prevê o avanço do estudo de pré-viabilidade, cuja conclusão está atualmente prevista para o primeiro semestre de 2028.
Esse trabalho deverá incorporar os resultados das sondagens, uma estimativa atualizada dos recursos minerais e os dados obtidos nos estudos metalúrgicos e geotécnicos.
Também permitirá avaliar alternativas de processamento, critérios de projeto de mina e parâmetros econômicos com maior precisão.
A iniciativa é liderada por Alexandre Soares Pimenta, que assumiu o cargo em outubro de 2026 para conduzir a próxima fase de desenvolvimento.
Embora a avaliação preliminar indique resultados econômicos positivos de acordo com suas premissas, a GoldMining ainda precisa comprovar a viabilidade do projeto por meio de estudos mais detalhados e avançar no processo de licenciamento ambiental.
A evolução de São Jorge será relevante para acompanhar o avanço de novas jazidas de ouro brasileiras da fase de exploração para as etapas de engenharia e avaliação regulatória.
Em um mercado no qual o financiamento de novos projetos depende tanto da qualidade dos recursos quanto da segurança técnica e ambiental, os próximos resultados de sondagem e do estudo de pré-viabilidade serão determinantes para estabelecer as condições de uma eventual decisão de investimento.
Para São Jorge, o desafio imediato não é aumentar a produção, mas transformar seu potencial geológico e econômico em um projeto tecnicamente fundamentado, ambientalmente avaliado e com condições suficientes para que seu desenvolvimento futuro seja considerado.






