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Brasil: Spark Energy Minerals identifica alvo de terras raras de 21,3 km² e prepara nova campanha de sondagem

As anomalias de Boa Vista aparecem em pontos distantes, mas as sondagens ainda precisam verificar se formam um sistema contínuo em subsuperfície.

Brasil: Spark Energy Minerals identifica alvo de terras raras de 21,3 km² e prepara nova campanha de sondagem

A mineradora canadense delimitou uma área de exploração com 13 quilômetros de extensão no projeto Arapaima, em Minas Gerais. Resultados geoquímicos e sondagens anteriores embasam um novo programa de 35 furos para investigar o potencial de terras raras e gálio.

A empresa canadense Spark Energy Minerals identificou um alvo de exploração de 21,3 quilômetros quadrados com anomalias de terras raras no setor de Boa Vista, parte do projeto Arapaima, localizado no estado de Minas Gerais, Brasil. A área, delimitada com base em análises geoquímicas de sedimentos, amostras de rocha e estudos de bacias de drenagem, tem 13 quilômetros de extensão e uma superfície quase três vezes maior que a área previamente perfurada em Cruzeta.

O anúncio, feito em 3 de novembro de 2026, inclui 37 novas amostras e permite definir dois setores prioritários de exploração, chamados Boa Vista South e Boa Vista North. Os dados se somam a sondagens anteriores que interceptaram mineralização de terras raras e gálio, dois grupos de matérias-primas relevantes para as cadeias industriais de tecnologias avançadas.

A empresa prevê realizar cerca de 1.750 metros de perfuração em 35 sondagens de circulação reversa, destinadas a verificar a continuidade e a distribuição das anomalias identificadas.

O principal desafio será determinar se a extensa área delimitada corresponde a um sistema mineralizado com continuidade suficiente para justificar avaliações de recursos minerais.

Boa Vista supera amplamente a área explorada em Cruzeta

O novo alvo fica aproximadamente entre sete e oito quilômetros ao sul do setor de Cruzeta, onde a Spark Energy Minerals realizou uma campanha de sondagem que permitiu identificar mineralização de terras raras.

Em Cruzeta, 36 sondagens distribuídas por uma área de aproximadamente 7,8 quilômetros quadrados interceptaram intervalos mineralizados com concentrações iguais ou superiores a 500 partes por milhão de óxidos totais de terras raras (TREO).

A área delimitada em Boa Vista soma 21,3 quilômetros quadrados, o equivalente a aproximadamente 2,7 vezes a área de referência usada em Cruzeta.

O novo alvo é formado por dois setores principais:

Setor

Área

Extensão aproximada

Bacias anômalas

Boa Vista South

13,5 km²

7,5 × 4,3 km

11

Boa Vista North

7,8 km²

6,5 × 5,2 km

17

Total de Boa Vista

21,3 km²

13 km de tendência

28

As duas áreas têm orientação predominante nordeste e estão associadas ao mesmo contexto geológico.

No entanto, os 21,3 quilômetros quadrados correspondem a uma área prioritária para exploração, não à extensão comprovada de um depósito mineral economicamente lavrável.

A delimitação abrange zonas de drenagem com resultados geoquímicos anômalos e deverá ser validada por meio de sondagens adicionais.

Amostras apresentam concentrações superiores a 10.000 ppm de terras raras

A análise das amostras identificou valores elevados de óxidos totais de terras raras em diferentes pontos do sistema de Boa Vista.

Entre os resultados mais expressivos está a amostra de sedimentos ARA-SS-271, localizada em Boa Vista South, que atingiu 10.036 ppm de TREO, o equivalente a aproximadamente 1,0% de óxidos totais de terras raras.

No mesmo setor, a amostra de solo ARA-SL-219 registrou concentração de 1,54% de TREO, um dos resultados geoquímicos mais altos obtidos até agora no projeto Arapaima.

Em Boa Vista North, a nova amostra ARA-SS-394 apresentou 4.356 ppm de TREO, dos quais 22,1% correspondem a óxidos de terras raras usados em aplicações magnéticas.

Os resultados indicam mineralização em setores separados por vários quilômetros e ajudam a orientar as próximas sondagens.

Das 37 novas amostras incorporadas ao programa, 25 registraram valores considerados anômalos e oito superaram 1.000 ppm de TREO.

Considerando os dados acumulados em Boa Vista, 33 das 53 amostras de sedimentos de corrente apresentam concentrações superiores a 500 ppm de TREO.

Esses números mostram uma ampla distribuição de anomalias geoquímicas, embora as concentrações obtidas em sedimentos e solos não possam ser extrapoladas diretamente para os teores minerais em subsuperfície.

As amostras de superfície são ferramentas de prospecção e devem ser complementadas por dados geológicos, sondagens e análises metalúrgicas.

Sondagens anteriores confirmam mineralização de terras raras e gálio

A delimitação do alvo de Boa Vista não se baseia apenas em resultados de superfície.

Em agosto de 2026, a Spark Energy Minerals concluiu cinco sondagens iniciais de circulação reversa na área central de Boa Vista.

As sondagens interceptaram mineralização de terras raras a profundidades entre 20 e 32 metros abaixo da superfície do platô.

Os intervalos compostos registraram concentrações entre 1.188 e 1.565 ppm de TREO, enquanto a participação de óxidos de terras raras magnéticas variou de 17,3% a 23,4% do conteúdo total de terras raras.

As cinco sondagens também identificaram gálio desde a superfície.

Posteriormente, a sondagem ARA-RC-032, localizada aproximadamente 5,2 quilômetros a sudeste das sondagens iniciais, interceptou:

  • 34 metros com 776 ppm de TREO, a partir de quatro metros de profundidade.
  • Um intervalo incluído de dois metros com 1.054 ppm de TREO.
  • 12 metros com 60,0 g/t de óxido de gálio, desde a superfície.

A presença de mineralização em pontos separados é um dado favorável para dar continuidade à investigação do sistema.

Ainda assim, é preciso estabelecer se há continuidade entre as zonas perfuradas, quais são suas espessuras efetivas e como os teores se distribuem em todo o alvo.

Nova campanha prevê 35 sondagens e 1.750 metros de perfuração

A Spark Energy Minerals elaborou um programa inicial para investigar os setores prioritários identificados por meio da análise de bacias.

A proposta prevê cerca de 35 sondagens de circulação reversa, com profundidade próxima de 50 metros e espaçamento inicial de 400 metros.

O programa prevê começar por Boa Vista South, onde estão as sondagens iniciais e algumas das amostras geoquímicas com maiores concentrações de terras raras.

Em seguida, os trabalhos avançariam para Boa Vista North, especialmente no entorno das áreas associadas às amostras ARA-SS-394 e ARA-CR-191.

Nas áreas em que as primeiras sondagens confirmarem mineralização, a companhia pretende reduzir o espaçamento entre os furos para aproximadamente 200 metros.

Também estão previstas sondagens de extensão e de preenchimento no entorno dos cinco furos iniciais de Boa Vista Central.

A execução dependerá das condições operacionais, da disponibilidade de financiamento e da obtenção de permissões e autorizações de acesso.

O plano busca verificar se as anomalias superficiais correspondem a horizontes mineralizados com continuidade lateral e características geológicas semelhantes às observadas nas primeiras sondagens.

Terras raras e gálio ampliam o interesse por minerais críticos

O projeto Arapaima apresenta características geológicas relevantes para a exploração de minerais estratégicos.

A mineralização está associada a argilas de adsorção iônica desenvolvidas sobre granitos intemperizados da unidade geológica Caladão.

Esse tipo de sistema difere de outros depósitos de terras raras hospedados em rocha dura, pois parte dos elementos pode se concentrar em materiais de alteração formados por processos de intemperismo.

Seu eventual aproveitamento industrial depende de fatores como composição mineralógica, proporção de elementos recuperáveis, comportamento químico e eficiência de extração.

Entre as terras raras, elementos como neodímio e praseodímio são usados em ímãs permanentes aplicados em motores elétricos, aerogeradores e equipamentos industriais.

O gálio, por sua vez, é importante na fabricação de semicondutores e componentes eletrônicos especializados.

A presença dos dois grupos de elementos em Boa Vista amplia o interesse exploratório pelo projeto, especialmente diante do crescente foco internacional na diversificação das cadeias de suprimento de minerais críticos.

No entanto, a identificação de concentrações geoquímicas não garante viabilidade econômica para a recuperação metalúrgica.

Será necessário avaliar as características das argilas, a mobilidade dos elementos e os processos de extração antes de definir qualquer alternativa de desenvolvimento comercial.

Projeto Arapaima abrange aproximadamente 91.900 hectares

A Spark Energy Minerals concentra suas principais atividades de exploração no Brasil, onde mantém um portfólio de propriedades voltadas a terras raras, gálio, lítio e outros minerais estratégicos.

Seu principal ativo é o projeto Arapaima, que abrange aproximadamente 91.900 hectares distribuídos por diferentes municípios da região conhecida como Lithium Valley, em Minas Gerais.

A propriedade inclui os setores Cruzeta e Boa Vista, onde foram conduzidos os programas de exploração mais recentes.

A empresa também mantém interesse em pegmatitos com potencial para lítio como alvo secundário.

Fora de Arapaima, a companhia detém o projeto Seridó, no Rio Grande do Norte, voltado à exploração de tungstênio, além do projeto Solonópole, no Ceará.

Esse portfólio reflete uma estratégia diversificada de exploração de minerais utilizados tanto em tecnologias de energia quanto em aplicações industriais.

Em Boa Vista, a companhia detém direitos sobre cinco processos minerários que abrangem o alvo delimitado, embora alguns trâmites administrativos e autorizações necessários para trabalhos futuros ainda estejam em andamento.

Potencial geológico ainda precisa de validação técnica

A expansão de Boa Vista abre uma nova etapa de exploração para a Spark Energy Minerals, mas o projeto ainda não conta com uma estimativa de recursos minerais que permita quantificar as toneladas, o teor médio do depósito ou o conteúdo recuperável de terras raras.

Também não foram definidos o investimento para a construção, a capacidade de processamento, a produção anual nem o cronograma de entrada em operação.

A área de 21,3 quilômetros quadrados serve como base para o planejamento da exploração, mas não representa uma estimativa do porte econômico de uma eventual jazida.

Os próximos resultados deverão estabelecer a continuidade dos horizontes mineralizados, sua distribuição vertical e a relação entre as concentrações de terras raras e de gálio.

Também será fundamental determinar que proporção dos elementos identificados poderá ser recuperada por meio de processos metalúrgicos compatíveis com as características do depósito.

No Brasil, o avanço de projetos como Arapaima acompanha a tendência de pesquisa de recursos minerais ligados à eletrificação, à indústria eletrônica e à fabricação de tecnologias de alto desempenho.

O principal resultado da Spark Energy Minerals foi delimitar uma nova área prioritária de exploração de 21,3 km², respaldada por anomalias geoquímicas e sondagens que já identificaram mineralização.

A próxima campanha, com 35 sondagens, será decisiva para determinar se Boa Vista pode deixar de ser um alvo regional de exploração e se tornar um depósito com continuidade geológica comprovada e potencial para futuras estimativas de recursos minerais.