Pesquisa Mineral

Brasil: Altamira Gold formaliza recursos de 1,31 milhão de onças de ouro no projeto Maria Bonita

A estimativa de Maria Bonita considera uma cava conceitual, mas os recursos ainda não são reservas lavráveis.

Brasil: Altamira Gold formaliza recursos de 1,31 milhão de onças de ouro no projeto Maria Bonita

A mineradora canadense apresentou o relatório técnico NI 43-101 que sustenta o aumento de 82% no ouro contido no depósito Maria Bonita, localizado em Mato Grosso. A atualização reforça o potencial de lavra a céu aberto do distrito de Cajueiro.

A mineradora canadense Altamira Gold Corp. formalizou em 4 de novembro de 2026 a atualização dos recursos minerais do depósito de ouro Maria Bonita, parte do projeto Cajueiro, no estado de Mato Grosso, Brasil. A companhia apresentou o relatório técnico conforme a norma canadense NI 43-101, que sustenta uma estimativa de aproximadamente 1,31 milhão de onças de ouro contido, alta de 82% em relação ao inventário inicial divulgado em maio de 2025.

O documento tem data efetiva de 16 de setembro de 2026 e confirma os números divulgados em 21 de setembro, sem alterações materiais. A apresentação representa um avanço técnico e regulatório para o projeto, ao consolidar as informações geológicas que vão orientar novas campanhas de sondagem e futuras avaliações econômicas.

Maria Bonita faz parte de um distrito aurífero em expansão, onde a Altamira mantém dois depósitos com recursos definidos: Maria Bonita e Cajueiro Central.

Maria Bonita amplia em 82% o inventário de ouro contido

A atualização dos recursos minerais incorpora os resultados das campanhas de exploração realizadas entre agosto de 2022 e agosto de 2026.

Nesse período, as sondagens permitiram estender o sistema mineralizado para setores a oeste, noroeste e em profundidade em relação à estimativa inicial.

O novo modelo geológico incorpora 3.868 metros adicionais de sondagem, distribuídos em 11 furos realizados após a primeira estimativa de recursos, divulgada em 5 de maio de 2025.

A avaliação considera recursos potencialmente lavráveis a céu aberto, com teor de corte de 0,24 grama de ouro por tonelada.

Os resultados atualizados são os seguintes:

Categoria de recursos

Tonelagem

Teor de ouro

Ouro contido

Indicados

25,0 milhões de toneladas

0,50 g/t

403.877 onças

Inferidos

70,0 milhões de toneladas

0,41 g/t

908.477 onças

Total combinado

95,0 milhões de toneladas

—

1.312.354 onças

As categorias de recursos indicados e inferidos correspondem a diferentes níveis de confiança geológica e não devem ser interpretadas como reservas minerais economicamente lavráveis.

Em comparação com a estimativa de 2025, a tonelagem total aumentou aproximadamente 90%, enquanto o ouro contido cresceu 82%.

O aumento foi especialmente expressivo na categoria de recursos inferidos, que registrou expansão de 150% em onças contidas. Os recursos indicados cresceram 12%.

Essa distribuição mostra que uma parcela considerável do crescimento vem de áreas recentemente incorporadas ao modelo, onde ainda serão necessárias sondagens adicionais para elevar o nível de confiança geológica.

Setor de maior teor concentra mais de 512.000 onças

Um dos destaques da atualização é a expansão do setor de maior teor do depósito Maria Bonita.

Com um teor de corte de 0,50 g/t de ouro, a estimativa aponta recursos indicados de 9,30 milhões de toneladas, com teor médio de 0,75 g/t, equivalentes a 225.630 onças de ouro.

A esse volume somam-se recursos inferidos de 11,11 milhões de toneladas, com teor médio de 0,80 g/t, que contêm outras 286.859 onças.

No total, esse setor reúne 512.489 onças de ouro contido, distribuídas entre as duas categorias de recursos.

O inventário de ouro contido nesse setor aumentou 56% em relação à avaliação anterior, considerando o mesmo teor de corte.

Em uma eventual operação de mineração, a identificação de áreas com teores superiores à média do depósito pode influenciar a sequência de lavra, o planejamento do processamento e os resultados econômicos.

No entanto, qualquer definição sobre a lavra exigirá estudos específicos que considerem recuperação metalúrgica, custos operacionais, investimentos e condições técnicas.

O setor de maior teor faz parte do inventário geral de Maria Bonita e, portanto, suas onças não devem ser somadas novamente às 1,31 milhão de onças estimadas para o depósito.

Modelo de lavra prevê operação a céu aberto

A estimativa de recursos foi elaborada dentro de uma cava conceitual a céu aberto, otimizada com base em parâmetros técnicos e econômicos.

O modelo considera uma relação aproximada de 0,4 tonelada de estéril para cada tonelada de material mineralizado.

Essa relação é uma variável relevante na avaliação dos possíveis custos de extração, pois determina a quantidade de material sem valor econômico que precisaria ser removida para acessar o minério.

Uma relação estéril-minério relativamente baixa pode favorecer a avaliação de uma operação a céu aberto, embora seu efeito dependa das condições geotécnicas, das distâncias de transporte, dos equipamentos, da produtividade e do projeto definitivo da cava.

A estimativa adotou o preço de referência de US$3.300 por onça de ouro e recuperação metalúrgica de 90% para materiais saprolíticos e rocha fresca.

Esses parâmetros fazem parte do exercício técnico de estimativa de recursos e não representam necessariamente as condições econômicas do projeto no momento de uma eventual decisão de investimento.

Além disso, a estimativa está limitada a um projeto conceitual de cava, o que não implica a aprovação de uma operação de mineração.

Projeto Cajueiro reúne dois depósitos de ouro separados por sete quilômetros

O projeto Cajueiro fica aproximadamente 75 quilômetros a noroeste de Alta Floresta, em Mato Grosso, dentro do cinturão aurífero de Alta Floresta, no Centro-Oeste do Brasil.

A propriedade tem acesso por estradas, disponibilidade de energia elétrica e fontes locais de água, condições que serão relevantes na avaliação de alternativas de desenvolvimento.

O distrito reúne dois depósitos com estimativas independentes de recursos minerais, separados por aproximadamente sete quilômetros.

Além de Maria Bonita, o depósito Cajueiro Central tem recursos indicados de 185.000 onças de ouro e recursos inferidos de 515.000 onças.

Considerando as duas estimativas, o distrito soma aproximadamente 588.877 onças indicadas e 1.423.477 onças inferidas, o equivalente a pouco mais de dois milhões de onças de ouro contido nas duas categorias.

Esse total representa um inventário geológico conjunto, e não uma reserva mineral consolidada nem um plano integrado de lavra.

A existência de dois depósitos relativamente próximos abre possibilidades para avaliar alternativas de infraestrutura compartilhada, logística e processamento. No entanto, ainda é preciso determinar se uma solução operacional conjunta é tecnicamente adequada e economicamente viável.

Exploração avançará para oeste e em profundidade

Apesar do crescimento registrado na atualização, o depósito Maria Bonita permanece aberto para oeste, sul e em profundidade.

A Altamira mantém atividades de exploração voltadas a investigar extensões laterais do sistema mineralizado e áreas que não fazem parte da estimativa atual.

Entre as áreas de interesse está uma extensão a oeste, recentemente acessível, em uma área de aproximadamente 58 quilômetros quadrados.

A companhia também prevê trabalhos de reconhecimento e sondagem em outros alvos do distrito, incluindo Novo Sonho.

A continuidade dessas campanhas permitirá determinar se os corpos mineralizados se estendem além dos limites definidos atualmente.

Do ponto de vista técnico, a prioridade será identificar áreas capazes de acrescentar novos recursos e aprimorar a classificação daqueles que hoje permanecem na categoria inferida.

A coleta de informações adicionais também será necessária para avaliar a geometria da jazida, a distribuição dos teores e as características metalúrgicas dos diferentes materiais.

Relatório NI 43-101 consolida a base técnica do projeto

O relatório técnico apresentado em novembro foi elaborado pela VMG Consultoria e Soluções Ltda., com sede em Belo Horizonte, Minas Gerais, sob a responsabilidade do geólogo Volodymyr Myadzel.

A norma NI 43-101 estabelece requisitos de divulgação técnica para projetos de mineração de empresas sujeitas às regras canadenses de divulgação de informações sobre mineração.

Sua aplicação permite apresentar estimativas respaldadas por procedimentos de avaliação geológica, classificação de recursos e revisão profissional.

No caso de Maria Bonita, a apresentação do relatório confirma formalmente os números divulgados em setembro e fornece uma base documental para as próximas etapas de avaliação.

No entanto, o documento não equivale a um estudo de viabilidade nem estabelece que os recursos identificados possam ser integralmente convertidos em reservas.

Também não define investimento para construção, data de início da produção, capacidade de processamento ou geração de empregos associada a uma futura mina.

Essas variáveis dependerão de avaliações técnicas e econômicas posteriores, além das autorizações exigidas pela legislação brasileira.

O que a indústria de mineração observará em Maria Bonita

O crescimento de Maria Bonita reflete o potencial de depósitos de ouro de grande porte que, mesmo com teores moderados, podem ganhar relevância devido aos volumes expressivos de mineralização e a condições favoráveis de extração.

O principal desafio da Altamira será transformar o aumento dos recursos em um projeto de mineração respaldado por estudos de engenharia, processamento, custos e infraestrutura.

A proporção de recursos inferidos também será determinante. Atualmente, essa categoria concentra cerca de 69% do ouro contido estimado em Maria Bonita, o que evidencia a necessidade de aprofundar o conhecimento geológico.

Paralelamente, a exploração de novas extensões poderá ampliar o inventário mineral do distrito Cajueiro.

A apresentação do relatório NI 43-101 consolida um depósito com 1,31 milhão de onças de ouro contido e crescimento de 82% em relação a 2025, mas o avanço rumo a uma eventual operação comercial dependerá da comprovação da viabilidade econômica desses recursos.

Para a mineração brasileira, Maria Bonita é um projeto de ouro em estágio avançado de exploração, cujo desenvolvimento continuará condicionado aos resultados das sondagens, à definição de reservas, aos estudos econômicos e às licenças necessárias para uma eventual operação.