
As empresas concluíram 24 sondagens, totalizando 4.526 metros, nos projetos Murmac e Strike, em Saskatchewan. Os trabalhos identificaram zonas de radioatividade próximas à superfície e estruturas geológicas favoráveis a novas descobertas de urânio.
As empresas canadenses Fortune Bay Corp. e Manhattan Uranium Discovery Corp. concluíram uma campanha de exploração de urânio nos projetos Murmac e Strike, localizados perto de Uranium City, no norte de Saskatchewan, Canadá. Os trabalhos identificaram radioatividade anômala em seis das 24 sondagens realizadas, incluindo um intervalo que atingiu 1.890 contagens por segundo (cps) no alvo Tena, no projeto Strike.
Os resultados, apresentados em 3 de novembro de 2026, são de uma campanha de sondagem diamantada realizada entre junho e setembro deste ano, que totalizou 4.526,4 metros.
A campanha foi financiada integralmente pela Manhattan Uranium e executada tecnicamente pela Fortune Bay, como parte de um acordo de opção destinado a ampliar a participação da Manhattan nos dois projetos.
As sondagens identificaram rochas grafíticas, estruturas de falhas e alterações hidrotermais associadas a ambientes geológicos favoráveis à concentração de urânio.
No entanto, as medições são resultados radiométricos preliminares. As análises químicas de laboratório ainda estão pendentes e serão necessárias para determinar as concentrações reais de urânio presentes nas amostras.
Campanha concluiu 24 sondagens em Murmac e Strike
O programa de exploração abrangeu duas áreas com características geológicas relacionadas ao contexto da bacia de Athabasca, reconhecida internacionalmente por abrigar depósitos de urânio de alto teor.
A distribuição das sondagens foi a seguinte:
|
Projeto |
Sondagens |
Metros perfurados |
|---|---|---|
|
Murmac |
15 |
2.978,4 |
|
Strike |
9 |
1.548,0 |
|
Total |
24 |
4.526,4 |
Em Murmac, os trabalhos se concentraram nos setores Pitchvein, Armbruster, Howland e Howland East.
Em Strike, as sondagens investigaram alvos associados aos condutores eletromagnéticos J, K e L, além do setor Tena, onde há registros históricos de mineralização.
A escolha desses alvos levou em conta estudos eletromagnéticos e gravimétricos, interpretação estrutural, registros históricos e resultados de sondagens anteriores.
Um dos principais objetivos era verificar a presença de estruturas que pudessem favorecer o acúmulo de minerais de urânio no embasamento rochoso.
Durante os trabalhos, foram identificadas unidades grafíticas com espessuras verdadeiras estimadas em até aproximadamente 25 metros, em contato com rochas mais competentes, como quartzitos e granitos.
Essas diferenças litológicas podem favorecer processos de deformação e circulação de fluidos hidrotermais, condições relevantes para determinados sistemas mineralizados.
Sondagem em Strike registra até 1.890 contagens por segundo
O resultado radiométrico mais expressivo foi registrado na sondagem S26-020, realizada no alvo Tena, no projeto Strike.
A perfuração investigou uma estrutura próxima a antigas escavações de mineração, onde estudos anteriores haviam identificado condições favoráveis à presença de mineralização.
A sondagem encontrou vários intervalos com radioatividade elevada em profundidades relativamente rasas.
Entre os principais registros estão:
- 6,80 metros com média de 348 cps, a partir de 22,50 metros de profundidade, incluindo 0,60 metro com 737 cps.
- 5,60 metros com 324 cps, a partir de 34,50 metros, incluindo 0,20 metro com 950 cps.
- 1,90 metro com 489 cps, a partir de 59,13 metros, incluindo 0,20 metro com 1.890 cps.
As leituras foram obtidas com um espectrômetro portátil Super-SPEC RS-225, aplicado diretamente sobre os testemunhos de sondagem.
O intervalo com a maior resposta radioativa está associado a rochas metamórficas pelíticas com fraturamento, falhamento e alteração por hematita.
Essas características são importantes para interpretar possíveis trajetórias de fluidos mineralizantes no sistema geológico.
No entanto, uma leitura de 1.890 cps não equivale a um teor de urânio nem permite estimar diretamente o conteúdo de óxido de urânio (U₃O₈).
A radiação gama medida nas amostras pode estar relacionada ao urânio, ao tório ou ao potássio, entre outros elementos naturalmente presentes em determinadas rochas.
Portanto, os resultados precisam ser confirmados por análises químicas antes que seu significado econômico possa ser estabelecido.
Murmac identifica radioatividade em estruturas fraturadas
No projeto Murmac, duas sondagens registraram intervalos com radioatividade acima do limite utilizado para classificar anomalias.
A sondagem M26-037, realizada no alvo P8 do corredor Pitchvein, identificou um intervalo de 0,81 metro com média de 314 cps, entre 131,06 e 131,87 metros de profundidade.
Em um trecho maior, de 61,36 metros, também foram registradas respostas radioativas intermitentes. Ao todo, 7,54 metros de testemunho apresentaram valores anômalos.
O potencial de mineralização está sendo investigado em um ambiente composto por granito, gnaisse e unidades pelíticas grafíticas.
Já a sondagem M26-040 investigou o alvo A1, localizado no extremo sul do corredor Armbruster.
A perfuração atravessou uma unidade grafítica entre 91,41 e 138,04 metros de profundidade e identificou respostas radioativas em áreas próximas ao contato com um quartzito.
As observações geológicas incluíram fraturamento intenso e alteração por hematita.
Nos dois casos, as anomalias dão respaldo à continuidade dos trabalhos de exploração, embora ainda não permitam determinar se há uma concentração de urânio em dimensões suficientes para justificar a lavra.
Resultados geológicos vão orientar novas sondagens
A exploração de urânio em ambientes de embasamento exige a combinação de informações geológicas, geoquímicas e geofísicas.
Nos projetos Murmac e Strike, as empresas buscam estruturas que tenham favorecido a circulação e a concentração de fluidos mineralizantes.
Os sistemas grafíticos são particularmente relevantes porque podem apresentar contrastes elétricos detectáveis por levantamentos eletromagnéticos.
As zonas de falhamento e brechação também podem servir como caminhos para a circulação hidrotermal.
A presença simultânea desses elementos aumenta o interesse exploratório por um alvo, mas, por si só, não confirma a existência de um depósito comercial.
Em Strike, as sondagens S26-014, S26-015 e S26-017 também identificaram anomalias radiométricas em unidades de gnaisse e rochas pelíticas, algumas associadas a fraturas e hematização.
A sondagem S26-014, por exemplo, registrou um intervalo de 0,56 metros com média de 378 cps a partir de 111,27 metros de profundidade.
A integração de todos esses resultados permitirá revisar as interpretações estruturais e selecionar novas áreas para investigação.
Laboratório vai analisar o teor real de urânio
As amostras coletadas durante a campanha foram enviadas ao SRC Geoanalytical Laboratories, em Saskatoon, para determinar suas concentrações de U₃O₈ e realizar análises multielementares.
As análises permitirão distinguir as respostas radiométricas causadas pelo urânio daquelas associadas a outros elementos radioativos.
Também contribuirão para avaliar a distribuição de possíveis zonas mineralizadas e sua relação com as estruturas identificadas durante as perfurações.
Essa etapa será determinante para estabelecer a relevância técnica dos resultados.
As empresas ainda não têm teores químicos confirmados referentes às interseções radioativas do programa de 2026.
Também não foram determinadas as espessuras verdadeiras dos intervalos registrados nas sondagens.
Por isso, não é possível definir recursos minerais, reservas, toneladas recuperáveis ou uma estimativa econômica das zonas investigadas recentemente.
Os resultados analíticos serão a próxima referência concreta para definir a continuidade do programa.
Manhattan Uranium busca elevar participação para 70%
A estrutura societária de Murmac e Strike também faz parte da estratégia de desenvolvimento.
Nos termos de um acordo de opção firmado originalmente em dezembro de 2023, a Manhattan Uranium obteve uma participação inicial de 51% nos dois projetos em 30 de abril de 2026.
A companhia mantém o direito de elevar essa participação para até 70%, sujeito ao cumprimento dos compromissos restantes.
O acordo prevê compromissos acumulados de:
- C$6 milhões em gastos com exploração.
- C$1,35 milhão em pagamentos em dinheiro.
- C$2,15 milhões por meio da emissão de ações ordinárias.
Esses valores incluem obrigações já cumpridas e, portanto, não representam apenas investimentos futuros.
A Fortune Bay continua como operadora técnica durante o período de opção e tem direito a receber uma comissão de administração equivalente a 10% dos gastos com exploração.
Esse modelo permite que a Manhattan financie o avanço dos projetos para aumentar sua participação, enquanto a Fortune Bay mantém as responsabilidades operacionais e concentra recursos corporativos em outras iniciativas.
Saskatchewan mantém atratividade para a exploração de urânio
A Bacia de Athabasca é uma das principais províncias geológicas de urânio do mundo.
Historicamente, seus depósitos se destacam pela presença de mineralização de alto teor, embora as características de cada projeto possam variar bastante.
O interesse por novas fontes de urânio está relacionado ao papel desse mineral como combustível para usinas nucleares e aos esforços de diversos países para garantir cadeias de fornecimento de energia.
O desenvolvimento de novos projetos, porém, está sujeito a exigências técnicas e regulatórias específicas, relacionadas à radioproteção, à gestão ambiental, ao tratamento de materiais e ao controle de resíduos radioativos.
Nesse contexto, a exploração em estágio inicial é essencial para identificar recursos potenciais antes de comprometer investimentos em desenvolvimento.
Os projetos Murmac e Strike ainda estão nessa fase de pesquisa.
A campanha de 2026 confirmou respostas radiométricas em seis perfurações e identificou condições geológicas que justificam avaliações adicionais.
Mas a presença de radioatividade não deve ser confundida com a descoberta de urânio de alto teor comprovadamente viável do ponto de vista econômico.
Os próximos avanços dependerão dos resultados das análises químicas em laboratório e de sua integração aos modelos estruturais dos dois projetos.
Se as análises confirmarem concentrações relevantes de urânio, a Fortune Bay e a Manhattan poderão avaliar novas perfurações para verificar a continuidade e a extensão das zonas mineralizadas.
Por enquanto, a campanha concluída em Saskatchewan fornece informações para orientar futuras decisões de exploração: foram perfurados 4.526,4 metros e identificados novos alvos, que precisarão ser avaliados antes que seu verdadeiro potencial mineral possa ser estabelecido.










