Pesquisa Mineral

Colômbia: Collective Mining intercepta 154 metros com 12,66 g/t de ouro equivalente e amplia potencial da jazida Apollo

Em Apollo, a perfuração encontrou mineralização de alto teor fora dos limites previstos pelo modelo geológico.

Colômbia: Collective Mining intercepta 154 metros com 12,66 g/t de ouro equivalente e amplia potencial da jazida Apollo

A perfuração realizada no projeto Guayabales identificou um intervalo de 30,45 metros com 39,01 g/t de ouro equivalente. Os resultados superam estimativas locais do modelo geológico e abrem novas possibilidades de expansão em profundidade.

A mineradora canadense Collective Mining obteve novos resultados de alto teor no depósito Apollo, localizado no projeto Guayabales, no departamento de Caldas, Colômbia. A sondagem APC174-D4 interceptou 154,30 metros com teor médio de 12,66 gramas por tonelada de ouro equivalente (AuEq), incluindo um intervalo de 30,45 metros com 39,01 g/t AuEq. O resultado, divulgado em 3 de novembro de 2026, é a interseção de alto teor mais extensa registrada até agora na chamada zona Ramp e reforça as perspectivas de ampliação do recurso mineral.

Os resultados são relevantes porque a perfuração identificou mineralização de alto teor tanto acima quanto abaixo dos limites previstos em setores do modelo de recursos existente. Além disso, a sondagem terminou em uma zona mineralizada que permanece aberta em profundidade, o que pode justificar novas campanhas de exploração.

Apollo é o principal depósito do projeto Guayabales, iniciativa de exploração de ouro, prata, cobre e tungstênio que a Collective Mining desenvolve em uma região com atividade mineradora consolidada.

Perfuração identifica teores de até 184,25 g/t de ouro equivalente

A sondagem APC174-D4 atravessou a porção sudeste do corpo de brecha mineralizada de Apollo, de leste para oeste, por meio de perfuração diamantada direcional.

Os resultados mostram uma concentração significativa de ouro em diferentes intervalos, especialmente em profundidades superiores a 1.200 metros abaixo da superfície.

Entre as principais interseções estão:

  • 154,30 metros com 12,66 g/t AuEq, incluindo 12,44 g/t de ouro e 11 g/t de prata.
  • 30,45 metros com 39,01 g/t AuEq, incluindo 38,47 g/t de ouro e 28 g/t de prata.
  • 4,75 metros com 184,25 g/t AuEq, incluindo 182,27 g/t de ouro e 102 g/t de prata.
  • 12,20 metros com 0,75 g/t AuEq no fim da perfuração, fora do recurso mineral atualmente delimitado.

As extensões correspondem a intervalos medidos ao longo da sondagem e não representam necessariamente a espessura verdadeira da mineralização. As espessuras verdadeiras estimadas variam entre 60% e 100% dos intervalos reportados.

A presença de trechos com teores particularmente elevados confirma a heterogeneidade do sistema mineralizado e indica a necessidade de continuar definindo sua distribuição espacial.

Do ponto de vista geológico, a mineralização está associada principalmente a brechas com sulfetos, sobretudo pirrotita e pirita, além de alteração hidrotermal caracterizada por albita.

Essas características podem orientar futuras perfurações para setores onde novas estruturas mineralizadas podem estar concentradas.

Resultados superam as estimativas do modelo geológico

Um dos aspectos mais relevantes do programa é a diferença entre os teores efetivamente interceptados e os projetados pelo modelo de recursos minerais.

Em determinados blocos atravessados pela APC174-D4, os teores obtidos foram mais de 75% superiores às estimativas existentes.

O modelo previa mineralização de alto teor, definida por valores iguais ou superiores a 5 g/t AuEq, entre aproximadamente 790 e 740 metros acima do nível do mar.

No entanto, a perfuração encontrou mineralização de alto teor entre aproximadamente 810 e 710 metros acima do nível do mar.

Isso representa uma extensão local do intervalo de alto teor de aproximadamente 20 metros em níveis mais altos e 30 metros em níveis mais baixos do que o previsto.

É especialmente relevante o intervalo de 30,45 metros com 39,01 g/t AuEq, localizado inteiramente abaixo da zona de alto teor prevista, em blocos cuja estimativa anterior era próxima de 1 g/t AuEq.

Embora esses resultados possam alterar a interpretação geológica do depósito, ainda não constituem uma atualização oficial dos recursos minerais.

Para incorporar novas áreas ao inventário, será necessário concluir perfurações adicionais, validar a continuidade da mineralização e atualizar o modelo geológico.

Apollo tem mais de 5,4 milhões de onças de ouro equivalente em recursos

O depósito Apollo conta com uma estimativa inicial de recursos minerais, que serve de base técnica para avaliar seu eventual desenvolvimento.

A estimativa contempla:

Categoria

Tonelagem

Teor de ouro equivalente

Ouro equivalente contido

Indicados

37,0 milhões de toneladas

2,17 g/t

2,58 milhões de onças

Inferidos

48,2 milhões de toneladas

1,83 g/t

2,83 milhões de onças

Juntas, as duas categorias representam aproximadamente 5,41 milhões de onças de ouro equivalente, embora os recursos indicados e inferidos devam ser mantidos separados por seus diferentes níveis de confiança geológica.

Em Apollo, a zona Ramp concentra parte da mineralização de maior teor.

Sua estimativa específica considera 200.000 onças de ouro equivalente em recursos indicados e 1,04 milhão de onças em recursos inferidos.

A zona atualmente modelada tem aproximadamente 315 metros de extensão, 120 metros de largura e 350 metros na vertical.

Os novos resultados sugerem que a mineralização pode se estender além de alguns limites estabelecidos, principalmente em setores profundos que ainda precisam ser explorados.

No entanto, recursos minerais não equivalem a reservas economicamente lavráveis. Sua eventual conversão dependerá de estudos técnicos, econômicos, metalúrgicos e ambientais.

Collective Mining prepara exploração subterrânea de três quilômetros

O avanço do projeto prevê uma nova etapa de investigação geológica por meio de infraestrutura subterrânea.

A Collective Mining planeja iniciar, em novembro de 2026, a construção de uma galeria exploratória com aproximadamente três quilômetros de extensão, projetada para dar acesso direto a setores profundos de Apollo.

A infraestrutura permitirá interceptar a zona Ramp a cerca de 700 metros acima do nível do mar, aproximadamente 1.350 metros abaixo da superfície.

A principal vantagem será permitir perfurações a partir do interior do maciço rochoso, reduzindo a extensão dos furos necessários para investigar setores profundos.

Atualmente, uma das principais limitações da exploração é a profundidade necessária para alcançar as estruturas mineralizadas a partir da superfície.

O furo APC174-D4, por exemplo, terminou dentro da zona mineralizada porque o equipamento utilizado atingiu sua capacidade máxima de perfuração.

Para superar essa limitação, a empresa incorporou um equipamento sobre esteiras, com capacidade para perfurações profundas, e espera adicionar uma segunda unidade em novembro.

O objetivo para 2027 é investigar a continuidade da zona Ramp até aproximadamente o nível do mar, o que corresponde a profundidades próximas de dois quilômetros a partir da superfície.

A exploração nessas profundidades permitirá avaliar se o sistema mantém continuidade geológica e teores atrativos. Também será necessário estudar as condições geotécnicas, a temperatura, o manejo da água e os possíveis custos de desenvolvimento subterrâneo.

Programa de exploração prevê até 90.000 metros em 2026

A Collective Mining mantém uma campanha de perfuração financiada para 2026, com previsão de até 90.000 metros.

Atualmente, o projeto Guayabales conta com 13 sondas diamantadas.

Até o início de novembro, a empresa havia recebido resultados de 207.500 metros de perfuração acumulada nos projetos Guayabales e San Antonio.

Desse total, aproximadamente 146.500 metros correspondem ao depósito Apollo.

Além disso, a empresa ainda aguarda os resultados de análises de 71 furos em Guayabales, incluindo 17 relacionados à zona Ramp.

O acúmulo de informações geológicas permitirá aprimorar a interpretação tridimensional do depósito e determinar se as novas interseções representam extensões contínuas ou concentrações mineralizadas mais localizadas.

O planejamento prevê a divulgação de uma atualização dos recursos minerais entre o quarto trimestre de 2027 e o primeiro trimestre de 2028, incorporando aproximadamente 100.000 metros adicionais de perfuração.

Em seguida, a Collective Mining planeja elaborar uma avaliação econômica preliminar, etapa que permitirá examinar alternativas de lavra e processamento, além de investimentos e custos operacionais.

O que a descoberta representa para a mineração de ouro na Colômbia

Os resultados de Apollo reforçam o interesse em explorar sistemas auríferos profundos na Colômbia, especialmente aqueles com mineralização polimetálica associada a processos hidrotermais.

Para a indústria da mineração, as interseções de alto teor são relevantes porque podem influenciar o projeto de lavra, a seletividade e a avaliação econômica de um eventual empreendimento.

A rentabilidade, no entanto, não depende exclusivamente dos teores obtidos nas sondagens.

Também são determinantes fatores como a continuidade do corpo mineralizado, a recuperação metalúrgica, a diluição, a estabilidade geotécnica, a infraestrutura, a disponibilidade de energia, a gestão da água e as licenças.

Em Apollo, a profundidade dos setores de maior teor será um fator central para determinar a viabilidade de uma futura operação.

O projeto também abre oportunidades para fornecedores especializados em perfuração profunda, serviços geológicos, engenharia subterrânea, instrumentação e tecnologias de caracterização mineral.

Ainda assim, a descoberta permanece em fase de exploração e não representa uma decisão de construção de uma mina nem permite estimar números de empregos ou investimentos produtivos.

Continuidade em profundidade será decisiva para Apollo

A próxima etapa do projeto se concentrará em verificar se a mineralização identificada no furo APC174-D4 continua em zonas ainda não incluídas no modelo de recursos.

A presença de ouro visível em outros furos próximos é um dado geológico de interesse, mas os teores precisarão ser confirmados por análises laboratoriais.

Para a Collective Mining, o desafio será transformar os resultados das perfurações em informações suficientes para definir recursos adicionais e avaliar cenários de desenvolvimento tecnicamente viáveis.

A combinação de altos teores, novas extensões mineralizadas e acesso subterrâneo previsto coloca Apollo em uma fase decisiva de exploração avançada.

A evolução do projeto dependerá dos próximos resultados analíticos, da execução da infraestrutura exploratória e da capacidade de demonstrar que a mineralização profunda pode sustentar um empreendimento de mineração economicamente competitivo.

Colômbia: Collective Mining intercepta 154 metros com 12,66 g/t de ouro equivalente e amplia potencial da jazida Apollo - REDIMIN Brasil