Pesquisa Mineral

Canadá: Azimut identifica extenso sistema de veios de ouro de 5 quilômetros em Wabamisk e prepara nova campanha de sondagem

Em Rosa-Dome, boa parte da mineralização ainda não foi testada por sondagem: falta verificar se os veios continuam em profundidade.

Canadá: Azimut identifica extenso sistema de veios de ouro de 5 quilômetros em Wabamisk e prepara nova campanha de sondagem

A mineradora canadense ampliou o potencial aurífero de seu projeto em Quebec após identificar novas zonas mineralizadas e oito ocorrências de ouro. A empresa também prepara um programa de sondagem de pelo menos 7.000 metros antes do fim de 2026.

A canadense Azimut Exploration identificou um extenso sistema de veios auríferos, com 3 quilômetros de largura por 5 quilômetros de comprimento, no projeto Wabamisk, localizado na região de Eeyou Istchee James Bay, em Quebec, no Canadá. Os resultados da exploração, apresentados em 26 de outubro de 2026, ampliam as perspectivas geológicas do depósito e embasam a preparação de uma nova campanha de sondagem diamantada para investigar a continuidade da mineralização.

O reconhecimento do sistema se concentra no setor Rosa-Dome, onde os trabalhos de superfície permitiram identificar cinco zonas mineralizadas que, somadas, se estendem por pelo menos 5,4 quilômetros. Grande parte dessa área ainda não foi avaliada por sondagens e, por isso, é um dos principais alvos de exploração da empresa.

Os avanços também incluem a descoberta de uma nova ocorrência aurífera, denominada Ginger, no corredor de aproximadamente 15 quilômetros que separa as zonas Rosa e Fortin.

Wabamisk amplia potencial aurífero com novas descobertas

A exploração realizada em 2026 identificou características geológicas compatíveis com um sistema aurífero de grande extensão.

Desde junho, a Azimut identificou oito novas ocorrências significativas de ouro por meio de prospecção e trabalhos de decapeamento mecânico superficial. Além disso, nas últimas semanas foram encontrados pelo menos nove novos afloramentos mineralizados no setor Dome, cujos resultados analíticos ainda estão pendentes.

A mineralização está associada principalmente a veios de quartzo, alteração hidrotermal com turmalina e carbonatos de ferro, além de sulfetos como arsenopirita, pirita e pirrotita.

Essas características ocorrem em diferentes unidades geológicas, incluindo rochas vulcânicas máficas, gabros e sequências metassedimentares.

Um dos aspectos relevantes é a presença de estruturas geológicas subparalelas e de anomalias geofísicas de polarização induzida, que podem ajudar a identificar novas zonas mineralizadas.

O corredor Rosa-Dome apresenta condições estruturais que justificam investigar possíveis extensões tanto lateralmente quanto em profundidade. No entanto, a continuidade do sistema precisará ser confirmada por sondagens adicionais.

Resultados de ouro embasam novas sondagens

O histórico de exploração de Wabamisk inclui interceptações de ouro de alto teor, especialmente na zona Rosa, um dos setores mais estudados do projeto.

Entre os resultados de sondagem registrados, destacam-se:

  • 46,41 gramas de ouro por tonelada em 3,5 metros, na zona Rosa.
  • 9,29 gramas por tonelada em 5 metros, também em Rosa.
  • 1,29 grama por tonelada em 28,8 metros, no mesmo setor.
  • 9,33 gramas por tonelada em 0,9 metro, em Dome A.
  • 1,3 grama por tonelada em 7,5 metros, no setor Dome C.

Essas interceptações são resultados de exploração obtidos em diferentes campanhas e não representam teores médios do projeto.

Na zona Rosa, foram executados 46 furos, totalizando aproximadamente 6.651 metros de sondagem. Os demais setores têm um histórico de exploração mais limitado.

A distribuição dos resultados permite identificar áreas prioritárias para novos trabalhos, especialmente onde as anomalias geofísicas coincidem com evidências de mineralização na superfície.

O principal desafio será determinar se os veios têm continuidade suficiente para formar corpos mineralizados que possam embasar uma futura estimativa de recursos.

Nova descoberta em Ginger abre possibilidades entre Rosa e Fortin

Uma das descobertas recentes é Ginger, uma ocorrência aurífera localizada entre as zonas Rosa e Fortin.

Os primeiros trabalhos identificaram teores de até 3,71 gramas de ouro por tonelada em amostras seletivas de rocha, além de um resultado de 1,40 grama por tonelada em uma amostra de canal de 2 metros.

A mineralização tem espessura aparente próxima de 10 metros e está associada à arsenopirita disseminada e semimaciça em rochas metassedimentares com veios de quartzo.

Também foi identificada alteração albítica, característica que pode relacionar geologicamente esse setor à zona Fortin, onde há mineralização de antimônio e ouro.

Ginger coincide com uma anomalia geofísica de aproximadamente 5 quilômetros de extensão e com sinais geoquímicos de arsênio e antimônio nos solos.

A convergência desses indicadores reforça o interesse exploratório do corredor, mas ainda não permite confirmar uma conexão mineralizada contínua entre os diferentes setores.

Os trabalhos de remoção de cobertura superficial continuam para ampliar a área investigada e definir novos alvos de sondagem.

Azimut prepara campanha de pelo menos 7.000 metros

A próxima etapa em Wabamisk prevê um programa de sondagem diamantada de pelo menos 7.000 metros, com início previsto antes do fim de 2026.

A campanha buscará ampliar a zona Rosa, avaliar suas extensões a oeste e testar outros alvos em Dome e nos demais setores identificados recentemente.

O programa de exploração de superfície já apresenta avanços relevantes:

Atividade

Avanço em 2026

Geoquímica de solos

5.517 amostras coletadas

Resultados de amostras de solo pendentes

3.573 amostras

Amostras de rocha e canal

1.355 coletadas

Resultados de amostras de rocha pendentes

249 amostras

Estudo de sedimentos glaciais

102 amostras em processo de coleta

Prospecção geofísica

144 quilômetros lineares em andamento

Sondagem programada

Pelo menos 7.000 metros

A quantidade de amostras pendentes antecipa novas divulgações de resultados ao longo do programa.

A integração de informações geoquímicas, geofísicas e estruturais será determinante para selecionar os pontos de perfuração e reduzir as incertezas sobre a distribuição do ouro.

Na exploração aurífera, essa etapa é especialmente relevante porque permite diferenciar ocorrências isoladas de sistemas mineralizados com continuidade geológica.

Projeto abrange mais de 415 quilômetros quadrados em Quebec

Wabamisk pertence integralmente à Azimut Exploration e compreende 784 concessões minerais, que cobrem aproximadamente 415,2 quilômetros quadrados.

A propriedade inclui 73 concessões adicionadas recentemente e fica ao lado do projeto Wabamisk East, também controlado pela companhia.

Este último compreende 205 concessões em uma área de 108,5 quilômetros quadrados e apresenta alvos de exploração associados ao ouro e ao lítio.

Juntas, as duas propriedades dão acesso a um corredor geológico com aproximadamente 59 quilômetros de extensão na região de James Bay.

A localização é um fator relevante para a avaliação de longo prazo.

Wabamisk fica aproximadamente 70 quilômetros ao sul da mina de ouro Éléonore e 42 quilômetros a nordeste do depósito de lítio Whabouchi.

Além disso, linhas de transmissão de energia atravessam ou se aproximam da extremidade leste da propriedade, enquanto a estrada North Road fica cerca de 37 quilômetros ao sul.

A localidade mais próxima é Nemaska, uma comunidade cree situada aproximadamente 55 quilômetros a sudoeste.

Embora essa infraestrutura represente uma vantagem territorial para futuras avaliações, o projeto ainda está em fase de exploração e não conta com decisão de construção de uma mina.

O potencial geológico e os desafios para transformar exploração em recursos

A expansão do sistema Rosa-Dome coloca Wabamisk entre os ativos de exploração que a Azimut busca desenvolver em seu portfólio de minerais em Quebec.

O corredor fica próximo ao contato entre as províncias geológicas de La Grande e Opinaca, uma configuração estrutural com características comparáveis às de outros distritos auríferos canadenses.

A identificação de veios mineralizados, alteração hidrotermal e anomalias geofísicas em diferentes setores oferece fundamentos técnicos para ampliar a exploração.

No entanto, a extensão superficial de um sistema aurífero não equivale à existência de reservas lavráveis.

Para avançar rumo a uma eventual avaliação econômica, será necessário estabelecer a geometria dos corpos mineralizados, sua continuidade, a distribuição dos teores, o potencial de tonelagem e o comportamento metalúrgico.

Também será preciso considerar os requisitos de infraestrutura, as condições ambientais e os processos regulatórios aplicáveis.

Até o momento, os resultados apresentados não permitem determinar a capacidade futura de produção, o investimento necessário para a construção ou a vida útil de uma eventual operação.

Novas perfurações definirão o futuro de Wabamisk

A indústria aurífera internacional mantém o interesse em projetos capazes de incorporar novos recursos e sustentar futuros portfólios de produção. Nesse cenário, descobertas em estágio inicial exigem campanhas sistemáticas para reduzir os riscos geológicos antes de comprometer investimentos de maior escala.

Para a Azimut, o próximo programa de perfuração será decisivo na avaliação de Wabamisk.

Os trabalhos deverão determinar se as ocorrências identificadas em Rosa-Dome e Ginger integram estruturas mineralizadas contínuas e se há condições para avançar rumo à delimitação de recursos.

A ampliação da área reconhecida em 2026 oferece novas possibilidades de exploração, mas também aumenta a necessidade de priorizar alvos e alocar o capital disponível com eficiência.

O resultado mais relevante da próxima etapa não será apenas encontrar novos teores elevados de ouro, mas comprovar continuidade e volume mineralizado. Essas informações permitirão determinar se Wabamisk pode evoluir de um projeto de exploração regional para um ativo aurífero com perspectivas de desenvolvimento mineiro em Quebec.