
A canadense identificou novas zonas com altos teores de ouro no complexo Harvey’s Reef, no estado australiano de Victoria. Os resultados ampliam os alvos de exploração e apoiam a realização de uma próxima campanha de sondagem diamantada em um projeto com potencial para ouro e antimônio.
A Au Gold Corp. (TSXV: AUGC) identificou novas amostras de superfície com concentrações de até 40,1 gramas de ouro por tonelada no projeto Havelock Gold-Antimony, no estado de Victoria, Austrália. Os resultados, divulgados em 5 de novembro de 2026, permitiram definir novos alvos de exploração no complexo Harvey’s Reef e avançar na preparação de uma campanha de sondagem diamantada.
A empresa também contratou a Prestige Drilling Services, companhia australiana especializada em sondagens, para executar os trabalhos que investigarão a continuidade das estruturas mineralizadas em profundidade.
Os dados geológicos incluem amostras adicionais com 25,1 g/t, 22 g/t, 16,3 g/t e 16,1 g/t de ouro, coletadas em diferentes setores de um corredor mineralizado com aproximadamente 600 metros.
Os resultados reforçam o interesse exploratório em Havelock, mas se referem a amostras selecionadas e ainda não permitem estimar recursos minerais nem determinar a viabilidade econômica de uma futura operação.
Amostras de alto teor ampliam os alvos auríferos
A campanha de exploração realizada em junho de 2026 incluiu trabalhos de reconhecimento geológico em uma extensão de aproximadamente 1.000 metros do complexo Harvey’s Reef.
As atividades identificaram diferentes ocorrências de mineralização aurífera associadas a antigas escavações superficiais, muitas delas com menos de 1,5 metro de profundidade.
Ao todo, 16 amostras selecionadas da área ampliada apresentaram concentrações superiores a um grama de ouro por tonelada.
Entre os resultados mais expressivos está o de uma amostra coletada em Ant Reef, estrutura situada no setor sul do complexo, que registrou 40,10 g/t de ouro.
A amostra é de material de veio deslocado de sua posição original, associado a uma brecha de quartzo com óxidos de ferro. Foram observadas espessuras de aproximadamente 12 a 16 centímetros.
Em outros setores de Harvey’s Reef, as análises identificaram concentrações de 25,10 g/t, 22,00 g/t, 16,30 g/t e 16,10 g/t de ouro.
Os teores são de amostras coletadas em antigas escavações de mineração superficial distribuídas ao longo de aproximadamente 600 metros da tendência principal.
A mineralização está associada a veios de quartzo, fraturamento secundário, óxidos de ferro e alterações hidrotermais.
Embora os teores sejam elevados para amostras de superfície, eles não representam necessariamente o teor médio de um eventual depósito, devido à natureza seletiva da amostragem e à pequena espessura de algumas estruturas.
Harvey’s Reef tem sistema de veios paralelo a Shaw-McFarlane
O complexo Harvey’s Reef fica aproximadamente 800 metros a oeste da tendência mineralizada Shaw-McFarlane, outro dos alvos geológicos do projeto Havelock.
As estruturas estão relacionadas a um sistema de veios com orientação predominantemente norte-sul, desenvolvido ao redor de um dique de lamprófiro identificado em estudos geológicos históricos.
Esse tipo de configuração pode favorecer a circulação de fluidos hidrotermais e a formação de mineralização aurífera em fraturas e contatos entre diferentes unidades geológicas.
Em Harvey’s Reef, foram identificados veios de quartzo com diferentes graus de laminação, brechação e alteração mineralógica.
No setor sul também ocorrem estruturas oblíquas chamadas Lund’s Reef e Ant Reef, interpretadas como possíveis ramificações estruturais entre Harvey’s Reef e Shaw-McFarlane.
A identificação dessas estruturas é relevante porque amplia a busca por mineralização para além do veio principal.
Do ponto de vista exploratório, um dos desafios será determinar se as diferentes ocorrências de superfície correspondem a corpos independentes ou se fazem parte de um sistema estrutural mais contínuo.
Sondagens históricas encontraram ouro em pequena profundidade
Os novos resultados complementam dados de campanhas realizadas nas décadas de 1980 e 1990.
No setor norte do complexo, foram realizadas três sondagens por circulação reversa, com profundidades entre 48 e 51 metros, além de cinco sondagens RAB, que chegaram a profundidades entre 59 e 71 metros.
Esses trabalhos investigaram uma estrutura paralela situada aproximadamente 170 metros a oeste da principal área de antigas explorações.
Entre as interseções históricas, destacam-se:
- 9,24 g/t de ouro em 1,5 metro, em sondagem por circulação reversa.
- 3,49 g/t de ouro em 1 metro, em sondagem RAB.
- 1,33 g/t de ouro em 1 metro, também em sondagem RAB.
A interseção de 9,24 g/t de ouro foi obtida em uma sondagem realizada em 1985, a partir de aproximadamente 34,5 metros de profundidade.
A interpretação geológica atual relaciona a projeção de superfície dessa estrutura a uma amostra identificada anteriormente, que registrou 12,20 g/t de ouro e 1.800 partes por milhão de antimônio, equivalentes a 0,18%.
Essa relação abre uma linha de investigação sobre a possível continuidade da mineralização aurífera e a presença de antimônio em estruturas paralelas.
No entanto, as sondagens históricas são limitadas. Ainda será necessário verificar a geometria, a extensão lateral e a continuidade vertical dos veios por meio de novas perfurações.
Au Gold contrata Prestige Drilling para campanha de sondagem diamantada
Com os novos alvos definidos, a Au Gold contratou a Prestige Drilling Services para realizar trabalhos de sondagem diamantada em Havelock.
A contratada tem sede em Bendigo, no estado de Victoria, e dispõe de sondas montadas sobre esteiras, adequadas para se deslocar em terrenos com acesso restrito.
A campanha prevista buscará avaliar os alvos considerados prioritários em um trecho de aproximadamente 700 metros do complexo Harvey’s Reef.
A sondagem diamantada permitirá recuperar testemunhos de rocha, informações fundamentais para estudar a mineralogia, a distribuição dos veios, a orientação estrutural e as características da alteração hidrotermal.
Ao contrário da amostragem superficial, esse método fornece dados contínuos do subsolo, que podem ser usados na construção de modelos geológicos tridimensionais.
A empresa mantém os preparativos operacionais da campanha, cujos locais de sondagem ficariam principalmente em terras públicas administradas pela Coroa australiana.
Até esta atualização, não foi divulgado um metragem definitiva para a campanha específica de Harvey’s Reef, nem uma data confirmada para o início das sondagens.
Também não foram detalhados os valores de investimento associados à contratação da Prestige Drilling.
Antimônio acrescenta uma dimensão estratégica ao projeto
Embora os resultados recentes se concentrem principalmente em ouro, Havelock também apresenta mineralização associada ao antimônio.
Esse elemento tem aplicações industriais em ligas metálicas, retardantes de chama, componentes eletrônicos e determinadas tecnologias energéticas.
Sua classificação como mineral crítico em diferentes economias ampliou o interesse em identificar e diversificar novas fontes de suprimento.
A Austrália é uma jurisdição relevante nessa busca, devido ao seu histórico geológico e à capacidade de desenvolver projetos de mineração conforme padrões técnicos e regulatórios estabelecidos.
Em Havelock, a presença de antimônio em amostras mineralizadas de quartzo e estibina levanta a possibilidade de investigar associações entre os dois metais.
No entanto, os dados disponíveis ainda não permitem comprovar concentrações comerciais de antimônio em escala de depósito.
Para avaliar essa possibilidade, será necessário determinar a distribuição do mineral, sua associação com outros sulfetos e as características metalúrgicas que poderiam condicionar uma eventual recuperação.
A presença de teores elevados em amostras isoladas também não permite projetar a produção futura nem a receita com esse metal.
Histórico da região reforça exploração do distrito
O complexo Harvey’s Reef faz parte de uma área com longa história de mineração de ouro.
Durante o século XIX, diferentes setores da região foram explorados por meio de pequenas escavações subterrâneas e atividades de recuperação de ouro aluvionar.
Entre eles estão Waverley Gully e Pinch Gut Lead, antigos canais auríferos relacionados geograficamente à tendência Harvey’s Reef.
Registros históricos apontam intensa atividade em Pinch Gut Lead em 1861, quando milhares de mineiros trabalhavam nos depósitos de cascalho aurífero.
Em 1862, também foi documentada a descoberta de uma pepita de aproximadamente 100 onças de ouro nas proximidades da área.
Essas referências históricas ajudam a explicar o interesse geológico pela região, embora não sejam evidência suficiente para determinar o tamanho dos corpos mineralizados atualmente investigados.
A exploração moderna busca identificar as possíveis estruturas primárias que deram origem às antigas concentrações de ouro aluvionar.
Nesse contexto, os veios de quartzo identificados em Harvey’s Reef são alvos que precisam ser avaliados sistematicamente por meio de sondagens e análises estruturais.
Novas sondagens vão determinar o potencial de Havelock
Os resultados obtidos pela Au Gold permitem ampliar o portfólio de alvos do projeto Havelock e definir prioridades para a próxima etapa de exploração.
A presença de amostras de alto teor em diferentes setores é um dado relevante, especialmente quando combinada com interseções de sondagens históricas e estruturas geológicas identificadas na superfície.
No entanto, o potencial econômico dependerá de fatores ainda não determinados, entre eles a espessura efetiva dos veios, a continuidade da mineralização, a recuperação metalúrgica e o volume de rocha potencialmente lavrável.
O projeto continua em fase de exploração, e os resultados atuais não equivalem à descoberta de reservas comerciais.
Para a indústria de mineração australiana, Havelock é uma iniciativa voltada à investigação de novas concentrações de ouro e antimônio em uma região historicamente produtora.
A próxima campanha de sondagem diamantada será decisiva para verificar se os altos teores registrados em amostras superficiais têm continuidade em profundidade.
Os resultados desses trabalhos permitirão determinar se Harvey’s Reef pode deixar de ser um conjunto de alvos geológicos e se tornar uma zona mineralizada com dimensões suficientes para justificar estudos técnicos mais avançados.






