Energia

Alemanha instalará bateria gigante de mais de 1.000 MWh em área de antiga usina nuclear

Vattenfall e Fluence desenvolverão uma gigantesca bateria de mais de 1.000 MWh na Alemanha, aproveitando a área de uma antiga usina nuclear para ampliar o uso de energia renovável.

Alemanha instalará bateria gigante de mais de 1.000 MWh em área de antiga usina nuclear
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A empresa de energia Vattenfall contratou a Fluence para desenvolver um dos maiores sistemas de armazenamento de energia elétrica da Alemanha. A instalação terá potência de 254 MW, poderá fornecer energia por aproximadamente quatro horas e deve entrar em operação no fim de 2028.

A empresa sueca de energia Vattenfall anunciou em 14 de outubro de 2026 a contratação da Fluence Energy para construir um sistema de baterias com mais de 1.000 megawatts-hora (MWh) em Brunsbüttel, no norte da Alemanha, em uma área de uma antiga usina nuclear que está em processo de descomissionamento. O projeto terá potência de 254 megawatts (MW) e será a maior instalação de armazenamento em baterias desenvolvida até agora pela Vattenfall. A iniciativa busca aproveitar a infraestrutura energética existente para facilitar a integração de eletricidade renovável à rede alemã.

Uma antiga usina nuclear terá uma nova função energética

O projeto será desenvolvido em Brunsbüttel, município do estado de Schleswig-Holstein, perto da foz do rio Elba e de uma área estratégica para a infraestrutura elétrica do norte da Alemanha.

A usina nuclear de Brunsbüttel começou a fornecer eletricidade em 1976 e gerou aproximadamente 118 terawatts-hora (TWh) ao longo de sua vida operacional. A instalação está fora de operação desde 2007 e, posteriormente, foi incluída no processo de abandono da energia nuclear promovido pela Alemanha.

Atualmente, as instalações nucleares continuam em processo de descomissionamento, enquanto parte da área é preparada para receber novas tecnologias energéticas. A reutilização de terrenos industriais e o acesso à infraestrutura de transmissão são duas das vantagens que levaram à escolha do local.

A iniciativa avançou por etapas. Em dezembro de 2025, as autoridades municipais de Brunsbüttel aprovaram o plano urbanístico necessário para dar continuidade ao projeto. Na época, a Vattenfall previa uma bateria de 254 MW e 700 MWh.

Em 2026, o projeto evoluiu para uma capacidade de armazenamento superior a 1.000 MWh, mantendo a potência nominal de 254 MW.

Em 10 de setembro, a Vattenfall confirmou sua decisão final de investimento e, em 14 de outubro, formalizou o contrato com a Fluence para executar o projeto.

Como funcionará a bateria de 1.000 MWh

A instalação utilizará tecnologia de armazenamento eletroquímico projetada para absorver eletricidade da rede e devolvê-la quando necessário.

Suas duas principais características técnicas são a potência de 254 MW e a capacidade de armazenamento superior a 1.000 MWh.

A diferença entre essas duas grandezas é fundamental. A potência determina quanta eletricidade a instalação pode fornecer em determinado momento, enquanto a capacidade de armazenamento estabelece por quanto tempo ela pode manter esse fornecimento.

Neste caso, a bateria foi projetada para fornecer energia por aproximadamente quatro horas à sua potência nominal, embora o tempo efetivo dependa das condições de operação.

A principal função será aproveitar a eletricidade disponível em períodos de alta geração renovável, especialmente eólica e solar, e fornecê-la posteriormente, quando a demanda aumentar ou a geração diminuir.

Essa capacidade permitirá transferir energia entre diferentes horários do dia e participar de serviços que ajudam a equilibrar o sistema elétrico.

Ao contrário da antiga usina nuclear, a bateria não produzirá eletricidade de forma independente. Sua operação dependerá da energia armazenada previamente e da possibilidade de recarga.

O sistema será conectado à rede de transmissão de 380 quilovolts operada pela 50Hertz, por meio de uma infraestrutura de conexão que também faz parte do projeto.

Fluence construirá a instalação e prestará serviços de longo prazo

O acordo prevê o uso da plataforma Gridstack Pro 5000, desenvolvida pela Fluence para projetos de armazenamento de energia elétrica em grande escala.

A solução inclui módulos de baterias, equipamentos eletrônicos de conversão de potência e um sistema de gestão de energia responsável por coordenar os processos de carga, descarga e operação.

A Fluence ficará responsável pela execução integral do projeto, incluindo engenharia, aquisição de equipamentos, construção, comissionamento e manutenção de longo prazo.

A empresa norte-americana já mantém uma relação comercial com a Vattenfall que inclui oito projetos de armazenamento em três países europeus. Além disso, afirma ter desenvolvido mais de 20 projetos de baterias na Alemanha.

A escolha da Fluence define quem será responsável por concretizar a instalação, após a aprovação do investimento pela Vattenfall em setembro.

As obras estão previstas para começar em 2027, enquanto a entrada em operação do sistema de armazenamento e sua conexão à rede estão previstas para o fim de 2028.

As empresas não divulgaram o valor do contrato no anúncio de 14 de outubro.

Alemanha amplia sua capacidade de armazenamento de energia elétrica

A construção em Brunsbüttel ocorre em um cenário de rápido crescimento do armazenamento de energia na Alemanha, impulsionado pela expansão da geração renovável e pela necessidade de administrar as variações na produção de eletricidade.

Em 2025, o mercado alemão adicionou 6,6 GWh de nova capacidade de armazenamento em baterias, segundo dados da SolarPower Europe.

O crescimento é resultado tanto da maior participação das fontes eólica e solar quanto da evolução dos preços da eletricidade, da redução dos custos dos sistemas de armazenamento e das novas oportunidades comerciais relacionadas à flexibilidade do fornecimento.

Quando a geração renovável é elevada, os preços no mercado atacadista podem cair consideravelmente. As baterias permitem armazenar parte dessa energia e comercializá-la posteriormente, em períodos de maior demanda.

As baterias também podem prestar determinados serviços de suporte à rede elétrica, dependendo de suas características técnicas e das condições do mercado.

As operadoras alemãs de transmissão projetam que a capacidade instalada de grandes baterias poderá superar 80 GW até 2040. Esse número é uma previsão de longo prazo, não a capacidade disponível atualmente.

Para a Vattenfall, Brunsbüttel também representará uma expansão considerável de seus negócios de armazenamento.

Antes de incorporar o projeto, a empresa tinha um portfólio de baterias de 270 MW, sendo 150 MW em operação e outros 120 MW em construção.

A nova instalação acrescentará 254 MW, praticamente dobrando a capacidade desse portfólio quando os projetos previstos entrarem em operação.

Paralelamente, a Vattenfall busca ampliar sua atuação na gestão e comercialização de sistemas de armazenamento de terceiros, com o objetivo de otimizar um portfólio de até 1.500 MW até 2029.

A reconversão de uma infraestrutura nuclear

Um dos aspectos mais relevantes do projeto é o aproveitamento de um local que, durante décadas, foi destinado à geração de energia nuclear.

Antigas usinas costumam contar com terrenos industriais, instalações auxiliares e acesso a redes de alta tensão. Essas características podem facilitar o desenvolvimento de novas infraestruturas energéticas, embora cada projeto exija avaliações, autorizações e obras de adaptação próprias.

Em Brunsbüttel, a transformação não envolve o reaproveitamento direto dos componentes radioativos do reator. O desmantelamento nuclear segue como um processo separado da construção da futura instalação de armazenamento.

A nova bateria também não substituirá a capacidade de geração contínua da usina nuclear. Sua contribuição será diferente: oferecer flexibilidade para aproveitar melhor a eletricidade disponível e responder a variações de curto prazo entre oferta e demanda.

Com o contrato de fornecimento e construção já concedido, o próximo marco será o início das obras, em 2027. A entrada em operação no fim de 2028 dependerá do andamento da construção, dos testes técnicos e da liberação da conexão elétrica.

O projeto permitirá que uma área associada durante décadas à geração nuclear volte a fazer parte do sistema energético alemão, desta vez como infraestrutura de armazenamento destinada a dar suporte a uma rede com maior participação de fontes renováveis.