
A Comissão Nacional de Energia prevê um investimento de US$77,1 milhões em dois projetos de infraestrutura elétrica para as regiões de Los Lagos e La Araucanía. O sistema de armazenamento permitiria antecipar em dois anos uma solução para reduzir os riscos de abastecimento.
A Comissão Nacional de Energia (CNE) incluiu uma bateria de grande porte, com potência de 200 megawatts (MW) e capacidade de armazenamento de 400 megawatts-hora (MWh), em sua Proposta Preliminar de Obras Necessárias e Urgentes 2026, publicada em 7 de outubro. A instalação está prevista para a subestação Tineo, na Região de Los Lagos, e faz parte de uma carteira de aproximadamente US$77,1 milhões destinada a reforçar a segurança do fornecimento de energia elétrica no sul do Chile.
A iniciativa busca enfrentar as restrições de transmissão que afetam o território ao sul da subestação Cautín, onde a infraestrutura existente tem limitações para transportar energia em determinadas condições operacionais.
A proposta também prevê o aumento da capacidade da linha elétrica Lastarria-Loncoche, em La Araucanía, para reforçar o abastecimento de localidades como Villarrica, Pucón e Loncoche.
As duas iniciativas foram incluídas por meio da Resolução Exenta Nº 552, de 6 de outubro de 2026, que aprovou uma carteira preliminar previamente respaldada pelo Ministério da Energia. A decisão ainda não representa uma autorização definitiva para o início das obras, já que os projetos precisam cumprir as etapas restantes do processo regulatório.
Bateria de 400 MWh para reforçar a rede elétrica
O projeto de maior porte é a ampliação da subestação Tineo, de 220 quilovolts, instalação vinculada à Transelec Concesiones S.A.
A obra prevê um investimento de referência de US$71,13 milhões, o equivalente a aproximadamente 92% do orçamento da carteira proposta.
O sistema usaria a tecnologia BESS (Battery Energy Storage System), que permite armazenar eletricidade e, posteriormente, injetá-la na rede quando as condições operacionais exigirem.
Suas principais características são potência nominal de 200 MW e capacidade energética de 400 MWh. Em termos técnicos, essa combinação permitiria fornecer sua potência máxima por aproximadamente duas horas, de acordo com as condições de projeto consideradas.
No entanto, o objetivo dessa instalação vai além de armazenar excedentes de energia renovável. A CNE propõe utilizá-la como infraestrutura de apoio à transmissão, capaz de contribuir para a estabilidade do sistema e melhorar sua capacidade de resposta a contingências.
Por que o sul precisa reforçar sua infraestrutura elétrica
Um dos principais desafios está no corredor de transmissão Cautín-Ciruelos, que é a única ligação do Sistema de Transmissão Nacional que conecta a área ao sul de Cautín ao restante do sistema elétrico do país.
Embora exista um projeto decretado para aumentar sua capacidade, a execução enfrenta dificuldades devido às restrições para desligar temporariamente os circuitos existentes.
Essas interrupções são necessárias para a realização de determinados trabalhos, mas podem comprometer o abastecimento quando a infraestrutura opera com altos níveis de utilização.
A situação se torna especialmente complexa quando cai a disponibilidade de geração hidrelétrica e eólica ou há limitações no fornecimento de combustíveis para as usinas de respaldo.
Os estudos técnicos da CNE identificam cenários em que a geração disponível e a capacidade de transmissão podem ser insuficientes para atender integralmente à demanda.
A instalação de baterias busca reduzir esse risco e criar condições para executar as ampliações pendentes sem comprometer desnecessariamente a continuidade do serviço.
Como a bateria funcionaria em caso de falha elétrica
Uma das características mais relevantes do sistema proposto é sua capacidade de operar com a tecnologia Grid Forming, que permite contribuir para o controle de tensão e frequência de uma rede elétrica.
Essa função pode ser decisiva quando uma parte do sistema fica temporariamente isolada do restante da infraestrutura nacional.
Durante as intervenções no corredor Cautín-Ciruelos, o sistema de armazenamento poderia ajudar a manter a operação elétrica do território ao sul de Cautín enquanto a geração disponível é reorganizada.
Após a conclusão do reforço da transmissão, a bateria poderia ser utilizada como Grid Booster, modalidade destinada a aproveitar melhor a capacidade de transporte das linhas existentes e responder a determinadas contingências.
As análises de engenharia indicam que essa configuração poderia aumentar em até 200 MW a capacidade de transferência do corredor Cautín-Tineo, dependendo das condições operacionais.
Esses resultados se baseiam em estudos e simulações técnicas. Ainda não representam um desempenho comprovado em uma instalação operacional deste projeto.
Reforço elétrico para Villarrica, Pucón e Loncoche
A segunda iniciativa da carteira prevê aumentar a capacidade da linha de transmissão de circuito duplo Lastarria-Loncoche, que opera em 66 quilovolts.
O investimento de referência é de US$6,04 milhões, e as instalações envolvidas pertencem à CGE Transmisión S.A. e à Transelec S.A.
A ampliação busca reforçar o fornecimento de energia associado às subestações de Loncoche, Villarrica, Pucón, Pullinque e Panguipulli.
A necessidade decorre das restrições de capacidade enfrentadas por essa infraestrutura diante das projeções de crescimento da demanda.
Estudos da CNE alertam que, sob determinadas condições, em fevereiro de 2031 os fluxos elétricos projetados podem se aproximar ou superar a capacidade térmica de transmissão da linha.
O problema ganha relevância porque há outras obras estruturais destinadas a melhorar o abastecimento de Villarrica e Pucón, mas parte dessa infraestrutura ainda está em fase de estudos de faixa e não teve sua licitação iniciada.
Assim, o reforço Lastarria-Loncoche é apresentado como uma intervenção para mitigar as restrições existentes enquanto avançam as soluções de prazo mais longo.
O investimento busca antecipar obras previstas para 2032
A proposta está sendo encaminhada pelo mecanismo de Obra









