Energia

Ñuble supera US$ 1,6 bilhão em projetos de energia aprovados e prevê cerca de 1.000 MW renováveis

A Região de Ñuble aprovou mais de US$ 1,6 bilhão em projetos de energia, incluindo usinas solares e parques eólicos, que devem gerar mais de 1.280 empregos durante a construção.

Ñuble supera US$ 1,6 bilhão em projetos de energia aprovados e prevê cerca de 1.000 MW renováveis
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A carteira inclui usinas solares, parques eólicos, sistemas de armazenamento em baterias e novas obras de transmissão. Os investimentos podem gerar mais de 1.280 empregos durante a construção.

A Região de Ñuble soma mais de US$ 1,6 bilhão em projetos de energia com aprovação ambiental, referentes a iniciativas aprovadas entre março e outubro de 2026. A carteira, apresentada pela Delegação Presidencial Regional em 15 de outubro, prevê cerca de 1.000 megawatts (MW) de capacidade de geração renovável e mais de 1.280 postos de trabalho durante as etapas de construção, ampliando as perspectivas de investimento no setor energético e para os fornecedores regionais.

As iniciativas incluem usinas fotovoltaicas, parques eólicos, sistemas de armazenamento de energia e obras de transmissão destinadas a facilitar a conexão de nova geração ao Sistema Elétrico Nacional (SEN).

O valor anunciado corresponde aos investimentos declarados pelos responsáveis pelos projetos que concluíram a avaliação ambiental. Portanto, não representa recursos já totalmente desembolsados nem instalações que estejam em operação.

Quatro grandes projetos concentram parte significativa dos investimentos

Entre as iniciativas de maior porte, destacam-se quatro projetos solares e eólicos que, somados, representam US$ 1,378 bilhão em investimentos previstos.

Um dos principais é o Parque Eólico Las Fresias, que prevê investimento de US$ 500 milhões e potência de até 310 MW, com a instalação de 43 aerogeradores de 7,2 MW cada.

A usina será instalada principalmente no município de Yungay, com estruturas associadas também na Região de Biobío. A avaliação ambiental foi feita em âmbito inter-regional, e o projeto recebeu aprovação do Serviço de Avaliação Ambiental em 14 de maio de 2026.

O projeto prevê conexão à infraestrutura de transmissão existente Charrúa–Los Notros e tem cronograma que considera o início das obras em 2027, sujeito às decisões e condições necessárias para a execução.

Outro investimento relevante é a Usina Fotovoltaica Las Mellizas, prevista para o município de Pemuco, com orçamento de US$ 400 milhões.

A iniciativa prevê capacidade solar de 300 MW, sistema de armazenamento com capacidade de 1.200 MWh e conexão por meio de infraestrutura de alta tensão de 500 quilovolts.

A aprovação foi anunciada em julho de 2026, e a vida útil estimada é de 30 anos. A potência instalada da usina não deve ser confundida com a potência líquida que poderá ser efetivamente injetada na rede, pois esses valores dependem de parâmetros técnicos diferentes.

Também está na lista o Parque Fotovoltaico Monterrico Solar, localizado entre Chillán e Coihueco, com investimento previsto de US$ 306 milhões.

A usina terá 404.433 painéis solares, capacidade fotovoltaica de 248,73 MWp e potência nominal de 200 MW. Também contará com baterias de potência máxima de 200 MW e capacidade de armazenamento por seis horas.

A iniciativa, aprovada ambientalmente em 28 de setembro, prevê até 400 trabalhadores durante a construção e cerca de 20 postos de trabalho na fase de operação.

A esses projetos se soma o Parque Eólico Andino Suiza, da Cóndor Los Lagos SpA, que prevê investimentos de US$ 172 milhões.

A usina, localizada em Ñiquén e San Carlos, terá 16 aerogeradores, com potência total de 115,2 MW, e vida útil estimada de 35 anos. A aprovação ambiental foi anunciada em 6 de agosto.

Baterias e transmissão ganham destaque

A carteira regional não se limita à construção de novas usinas de geração de energia. Também inclui sistemas de armazenamento, tecnologia que ganha importância à medida que cresce a participação de fontes solares e eólicas.

As baterias permitem armazenar parte da energia disponível em determinados horários e fornecê-la posteriormente, contribuindo para gerenciar a variabilidade dessas fontes.

No caso de Monterrico Solar, o sistema previsto terá potência de descarga de 200 MW por seis horas. Com essas especificações nominais, a capacidade energética equivale a 1.200 MWh.

Las Mellizas também prevê 1.200 MWh de armazenamento, ampliando as possibilidades de gerenciamento da energia produzida pela usina.

No entanto, a disponibilidade de baterias não elimina a necessidade de redes elétricas com capacidade suficiente para transportar a geração.

Ñuble enfrenta justamente desafios de capacidade de transmissão que motivaram projetos específicos de modernização.

Entre eles estão as ampliações das linhas Charrúa–Chillán e Monterrico–Cocharcas, promovidas pela CGE Transmisión.

Essas obras, que fazem parte de uma carteira anterior e não devem ser confundidas com as novas aprovações de 2026, representam investimentos aproximados de US$ 44,6 milhões e US$ 20,6 milhões, respectivamente.

Em junho de 2026, o Governo Regional informou que as obras estavam em andamento e que havia expectativa de conclusão em 2027.

Mais de 1.280 empregos previstos durante a construção

O impacto sobre o emprego é outro aspecto central da carteira anunciada.

As autoridades regionais estimam que os investimentos poderão gerar mais de 1.280 postos de trabalho durante as etapas de construção.

O número corresponde a oportunidades de trabalho previstas, não a empregos já criados. Também não significa necessariamente que todos esses trabalhadores serão contratados ao mesmo tempo, já que as obras dos projetos podem começar em datas diferentes.

As necessidades de mão de obra incluem atividades de movimentação de terra, montagem eletromecânica, instalação de estruturas, obras civis, conexões elétricas, transporte e serviços especializados.

Isso abre oportunidades para empresas contratadas e fornecedores de Ñuble ligados à construção, à manutenção industrial, à logística e a equipamentos elétricos.

O delegado presidencial Diego Sepúlveda destacou que o conjunto de aprovações pode impulsionar a atividade econômica regional e ampliar as oportunidades para trabalhadores e empresas locais.

No entanto, o impacto definitivo dependerá de quantos projetos avançarão efetivamente para a execução e da participação que as empresas da região conseguirão alcançar.

A região busca ampliar sua participação na geração de energia renovável

O avanço desses projetos ocorre enquanto Ñuble começa a desenvolver instalações renováveis de maior porte.

Um exemplo é o Parque Eólico Chequenes, da ENGIE Chile, localizado em Pemuco, que prevê 22 aerogeradores, capacidade de 165 MW e investimento de aproximadamente US$228 milhões.

Em junho de 2026, o Ministério da Energia informou que o projeto estava com 82% das obras concluídas e tinha três aerogeradores conectados à rede.

A combinação de usinas solares e parques eólicos permitiria diversificar as fontes de geração de energia na região, embora a produção efetiva dependa das condições de sol e vento, da disponibilidade das instalações e das restrições da rede.

O que falta para concretizar os US$1.600 milhões

O próximo desafio será transformar as aprovações ambientais em decisões definitivas de investimento, contratos de construção e usinas em operação.

Uma Resolução de Qualificação Ambiental favorável atesta que o projeto avaliado atende às exigências ambientais correspondentes, mas não garante seu financiamento nem substitui todas as licenças e condições necessárias para sua execução.

Os responsáveis pelos projetos deverão avançar na engenharia, na estruturação financeira, na contratação de equipamentos, nas conexões e no cumprimento dos compromissos ambientais.

Também deverão cumprir obrigações relacionadas à proteção da fauna, ao ruído, à segurança viária e ao patrimônio, entre outras questões previstas nas respectivas avaliações.

A aprovação dessa carteira permite identificar uma possível expansão da infraestrutura energética de Ñuble, mas ainda não há um cronograma único confirmado para a concretização de todos os investimentos anunciados.

A diferença entre projetos aprovados e projetos construídos será determinante para avaliar o resultado econômico dessa carteira. Se os projetos avançarem para a execução, Ñuble poderá aumentar consideravelmente sua capacidade de geração renovável, reforçar a infraestrutura elétrica e abrir novas oportunidades para a indústria regional nos próximos anos.