Energia

África do Sul planeja meg usina capaz de armazenar 21 GWh e gerar eletricidade por 14 horas

A Eskom busca parceiros para desenvolver uma usina hidrelétrica reversível na África do Sul, capaz de armazenar 21 GWh e gerar eletricidade por 14 horas, reforçando o abastecimento energético do país.

África do Sul planeja meg usina capaz de armazenar 21 GWh e gerar eletricidade por 14 horas
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A estatal Eskom iniciou a busca por investidores para desenvolver uma usina hidrelétrica reversível de 1.500 MW, que poderá se tornar a instalação do tipo com maior potência da África do Sul e reforçar o abastecimento elétrico por meio do armazenamento de longa duração.

A África do Sul avança no desenvolvimento de um de seus maiores projetos de infraestrutura energética. A estatal Eskom anunciou, em 13 de outubro de 2026, o início de um processo para selecionar parceiros estratégicos que viabilizem o financiamento e a execução de Tubatse, uma usina hidrelétrica de armazenamento por bombeamento projetada na província de Limpopo, com capacidade para armazenar 21 gigawatts-hora (GWh) e fornecer eletricidade em potência máxima por aproximadamente 14 horas consecutivas.

A instalação terá potência de 1.500 megawatts (MW), distribuída em quatro unidades reversíveis de 375 MW cada. O objetivo é aproveitar os excedentes de geração elétrica, especialmente de fontes renováveis, para disponibilizar energia quando o consumo aumentar ou a produção solar e eólica diminuir.

O projeto será implantado perto de Roossenekal, no município de Elias Motsoaledi. Embora já tenha avançado nas áreas ambiental e técnica, a construção ainda não começou. Também é necessário concluir a seleção de parceiros, definir o financiamento e estabelecer acordos comerciais.

Uma usina que funcionará como uma gigantesca bateria de água

A tecnologia proposta para Tubatse utiliza um sistema hidrelétrico de armazenamento por bombeamento, conhecido internacionalmente como pumped storage.

Ao contrário de uma usina hidrelétrica convencional, cujo funcionamento depende principalmente do aproveitamento de um fluxo natural de água, esse sistema permite armazenar energia movimentando água entre dois reservatórios localizados em diferentes altitudes.

Quando há eletricidade disponível e as condições do sistema permitem, a instalação consome energia para bombear água do reservatório inferior para o superior.

Depois, nos períodos de maior demanda, a água desce por condutos e aciona as turbinas, convertendo novamente sua energia potencial em eletricidade.

As quatro unidades previstas para Tubatse poderão operar tanto no modo de bombeamento quanto no de geração, permitindo armazenar e recuperar energia com o mesmo conjunto de equipamentos.

A capacidade total prevista equivale a 21.000 megawatts-hora (MWh). Em termos operacionais, uma descarga de 1.500 MW durante 14 horas corresponde a exatamente 21 GWh.

Isso não significa que a usina produzirá eletricidade adicional sem consumir recursos energéticos. Para elevar a água, é preciso usar energia gerada previamente e, devido às perdas inerentes ao processo, a usina recupera menos eletricidade do que consome durante o bombeamento.

Sua principal vantagem é transferir grandes volumes de energia de períodos de menor demanda para momentos em que o abastecimento é mais necessário.

Por que a África do Sul aposta no armazenamento de eletricidade por 14 horas

O projeto responde a um dos principais desafios associados à incorporação de fontes renováveis: disponibilizar eletricidade quando as condições meteorológicas reduzem a geração.

Usinas solares geram principalmente durante as horas de maior incidência de radiação, enquanto as eólicas dependem da disponibilidade de vento. Essa variabilidade exige tecnologias capazes de equilibrar geração e consumo.

As baterias de íons de lítio permitem responder rapidamente às oscilações da rede e armazenar energia por algumas horas. Já as grandes usinas hidrelétricas reversíveis podem ser projetadas para fornecer energia por períodos consideravelmente mais longos.

No caso de Tubatse, as 14 horas de geração permitiriam atender a períodos prolongados de alta demanda ou baixa geração renovável, conforme a disponibilidade operacional da usina.

Além disso, a instalação foi projetada para oferecer serviços de estabilidade elétrica, como regulação de frequência, reservas operacionais e suporte de tensão.

Essas funções são necessárias para manter o equilíbrio de uma rede que incorpora uma parcela cada vez maior de geração variável.

A diferença entre as duas tecnologias não significa que uma substitua completamente a outra. Baterias eletroquímicas e usinas de bombeamento têm características distintas de resposta, duração, localização e infraestrutura e, por isso, podem operar de forma complementar.

Terá potência superior à das atuais usinas reversíveis do país

A Eskom tem experiência na operação de usinas hidrelétricas reversíveis.

Atualmente, administra cerca de 2.732 MW de potência de bombeamento distribuídos entre as usinas Drakensberg, Palmiet e Ingula.

A última, que entrou em operação comercial plena em 2017, conta com quatro unidades de 333 MW, totalizando 1.332 MW de potência instalada.

Ingula também tem capacidade energética aproximada de 21 GWh, embora distribuída por cerca de 16 horas de geração contínua.

Assim, Tubatse superaria Ingula em potência instalada, mas não necessariamente em quantidade total de energia armazenável. Seu diferencial seria fornecer mais potência durante um período mais curto.

A experiência acumulada nessas instalações é uma das referências técnicas que a Eskom pretende aproveitar no desenvolvimento do novo projeto.

Projeto já recebeu autorização ambiental e apoio financeiro internacional

Tubatse não é uma iniciativa apresentada pela primeira vez em outubro de 2026.

Em novembro de 2024, a Eskom e a Agência Francesa de Desenvolvimento firmaram um acordo de 6,5 milhões de euros, equivalentes, na época, a aproximadamente 125 milhões de rands sul-africanos, destinado a apoiar o desenvolvimento e a preparação do projeto.

Os recursos vêm de um financiamento da União Europeia canalizado por meio da instituição francesa. O objetivo é apoiar as etapas preparatórias e a estruturação da participação privada, e não financiar, por si só, a construção integral da usina.

Desde então, o projeto registrou avanços importantes.

A Eskom confirmou que já dispõe dos terrenos necessários, obteve autorização ambiental e desenvolveu estudos técnicos e projetos de infraestrutura viária de acesso.

Também houve avanços nos estudos para a conexão ao sistema elétrico nacional.

Na área de recursos hídricos, o Departamento de Água e Saneamento da África do Sul confirmou a disponibilidade de água da barragem De Hoop para o projeto.

Esses avanços reduzem algumas incertezas iniciais, embora ainda sejam necessárias decisões financeiras, contratuais e técnicas antes do início das obras.

Eskom busca investidores para financiar e construir a usina

A principal novidade anunciada em 13 de outubro é a abertura de uma chamada internacional para identificar organizações interessadas em participar do financiamento, desenvolvimento e execução do projeto.

O procedimento é uma solicitação de qualificação, identificada como RFQ E3611GXR, por meio da qual a Eskom avaliará a experiência técnica, a capacidade financeira e o histórico dos interessados.

As organizações aprovadas nesta etapa poderão participar posteriormente de um processo formal de apresentação de propostas.

A empresa também considera estruturar a iniciativa por meio de uma sociedade de propósito específico, que permita administrar os recursos e as obrigações relacionados ao projeto.

Uma das alternativas comerciais em análise é firmar um contrato de compra de energia ou capacidade com a National Transmission Company South Africa, sujeito às autorizações cabíveis.

Também estão sendo avaliados possíveis acordos com compradores privados e mecanismos de comercialização no mercado elétrico sul-africano.

A busca por parceiros faz parte do desenvolvimento da Eskom Green, iniciativa pela qual a estatal pretende ampliar seu portfólio de energias renováveis e armazenamento.

Próximas datas para definir o futuro de Tubatse

A Eskom programou uma reunião informativa para os possíveis interessados em 29 de outubro de 2026, enquanto o prazo para a apresentação dos documentos de qualificação termina em 30 de novembro de 2026.

Na sequência, serão realizadas as etapas de avaliação, apresentação de propostas e negociação dos acordos necessários para financiar e executar a iniciativa.

O anúncio mais recente não informa o valor definitivo do investimento nem confirma uma data para o início das obras ou para a entrada em operação comercial.

Por enquanto, Tubatse é um projeto em estágio avançado de preparação, mas ainda depende de decisões essenciais para se tornar uma instalação em operação.

Seu desenvolvimento reflete o interesse crescente por sistemas de armazenamento capazes de gerenciar grandes volumes de eletricidade por períodos prolongados — uma necessidade cada vez mais relevante com a expansão das usinas solares e eólicas.

Se for concretizado, a África do Sul terá uma usina hidrelétrica reversível de 1.500 MW e 21 GWh, ampliando sua infraestrutura para armazenar energia e recuperá-la quando o sistema elétrico mais precisar.