Energia

Verano Energy garante US$187 milhões para construir uma gigantesca usina solar com baterias em O’Higgins

A Verano Energy garantiu um financiamento de US$187 milhões para o projeto solar Observatorio, em O'Higgins, que combinará geração fotovoltaica e armazenamento de energia.

Verano Energy garante US$187 milhões para construir uma gigantesca usina solar com baterias em O’Higgins

O financiamento acordado com o MUFG permitirá avançar no projeto Observatorio, que combinará 123 MWp de geração fotovoltaica com armazenamento de 606 MWh e fornecimento de energia contratado com a Copec Emoac.

A Verano Energy garantiu um financiamento de US$187 milhões para avançar na construção de Observatorio, seu projeto híbrido de geração solar e armazenamento de energia localizado no município de Marchigüe, na Região de O’Higgins. A operação, anunciada em 22 de outubro de 2026, foi estruturada com o grupo financeiro japonês Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) por meio de linhas de crédito garantidas, classificadas integralmente como empréstimos verdes.

O acordo representa um dos principais avanços financeiros da iniciativa, que já conta com aprovação ambiental, contrato de compra de energia com a Copec Emoac e fornecedor de tecnologia para o sistema de baterias.

A operação reforça o respaldo financeiro de uma usina projetada para gerar eletricidade durante as horas de incidência solar e armazenar parte dessa produção para uso em outros períodos do dia.

Para a Verano Energy, Observatorio também representa seu segundo projeto de grande porte que combina geração fotovoltaica e armazenamento em baterias, como parte de sua estratégia de expansão como produtora independente de energia no Chile e na América Latina.

MUFG lidera financiamento de nova usina de energia renovável

O pacote financeiro de US$187 milhões prevê linhas de crédito preferenciais garantidas, conhecidas no mercado internacional como senior secured credit facilities.

Esse tipo de financiamento prevê obrigações respaldadas por garantias e confere aos credores posição preferencial em relação a determinadas outras dívidas do tomador.

O MUFG participou da estruturação da operação como coordenador principal, organizador do financiamento e coordenador dos empréstimos verdes. A transação também contou com o apoio local do Scotiabank.

A empresa destacou que todas as linhas de crédito foram classificadas como financiamento verde, modalidade destinada a apoiar iniciativas que atendem a critérios relacionados a investimentos ambientalmente sustentáveis.

Neste caso, os recursos estão vinculados à construção de infraestrutura de geração renovável e armazenamento de energia.

O valor anunciado corresponde ao financiamento garantido para o projeto e não necessariamente a recursos já desembolsados ou gastos integralmente. A utilização das linhas de crédito estará sujeita às condições previstas nos respectivos contratos.

A operação representa um avanço diferente das autorizações ambientais e dos contratos tecnológicos anunciados anteriormente, pois trata diretamente de uma das condições essenciais para executar projetos de energia de grande porte: a disponibilidade de financiamento.

Observatorio combinará 123 MWp de energia solar com 606 MWh de armazenamento

O projeto está localizado em Marchigüe, na província de Cardenal Caro, e prevê uma usina fotovoltaica de 123 megawatts-pico (MWp), de acordo com a configuração divulgada recentemente pela Verano Energy.

A instalação será complementada por um sistema de armazenamento em baterias, conhecido pela sigla BESS, em inglês, com capacidade energética anunciada de 606 megawatts-hora (MWh).

A diferença entre as duas unidades é importante para entender como a usina funciona.

Megawatts expressam potência, ou seja, a capacidade de gerar ou fornecer eletricidade em determinado momento. Megawatts-hora, por sua vez, representam a quantidade de energia que pode ser produzida, armazenada ou consumida ao longo de um período.

Na prática, o sistema permitirá armazenar parte da eletricidade gerada pelos painéis solares e fornecê-la posteriormente ao sistema elétrico, conforme as condições de operação e as necessidades comerciais.

Essa característica busca superar uma das principais limitações da geração fotovoltaica convencional: a concentração da produção nas horas de luz natural.

O armazenamento permite deslocar energia para períodos de maior demanda ou preços mais favoráveis, embora o volume efetivamente fornecido dependa da potência de descarga, da eficiência do sistema e das condições operacionais.

As características técnicas do projeto passaram por ajustes ao longo de seu desenvolvimento. Comunicados anteriores mencionaram configurações de 660 e 720 MWh, enquanto as informações mais recentes da Verano Energy apontam uma capacidade de 606 MWh.

Por isso, os números divulgados devem ser entendidos no contexto da evolução da engenharia e dos acordos comerciais do projeto.

Sungrow fornecerá baterias e prestará serviços por 25 anos

Um dos acordos anteriores mais relevantes foi a escolha da empresa chinesa de tecnologia Sungrow para fornecer o sistema de armazenamento de Observatorio.

A parceria, anunciada em agosto de 2026, prevê o uso da plataforma PowerTitan 2.0, desenvolvida para aplicações de armazenamento de energia em grande escala.

A solução reúne sistemas integrados de baterias, conversão de potência e controle, componentes necessários para gerenciar os ciclos de carga e descarga.

O acordo também prevê um contrato de serviços de longo prazo por 25 anos, destinado a dar suporte à manutenção, à disponibilidade e ao desempenho dos equipamentos durante sua vida útil.

Esse componente é importante porque os sistemas BESS exigem gestão técnica contínua para controlar fatores como temperatura, degradação das baterias, eficiência e segurança operacional.

A duração do contrato de serviços não significa que a usina tenha operação ininterrupta garantida por 25 anos. Significa apenas que haverá uma relação contratual de suporte tecnológico durante esse período, conforme as condições acordadas.

Para a Verano Energy, a escolha do fornecedor é um elemento importante de sua estratégia de desenvolver e operar ativos próprios, em vez de limitar sua participação à engenharia e à construção de usinas para terceiros.

A Copec Emoac já tem um acordo para comprar a energia

O Observatorio também conta com um contrato de compra e venda de energia, conhecido como PPA, firmado com a Copec Emoac.

O acordo foi anunciado no fim de 2025 e prevê a comercialização de eletricidade vinculada ao projeto.

Esse tipo de contrato permite estabelecer compromissos de fornecimento entre geradores e compradores, oferecendo maior previsibilidade para parte das receitas futuras das usinas.

Também é um antecedente relevante para as instituições financeiras, que avaliam a capacidade de um projeto de gerar fluxos de caixa suficientes para cumprir suas obrigações de dívida.

No caso do Observatorio, a combinação de geração solar, armazenamento e um contrato comercial busca estruturar uma oferta de energia capaz de atender a necessidades que vão além do horário de maior incidência solar.

A localização na região central do Chile também faz parte da estratégia do projeto, pela relativa proximidade de importantes centros de consumo e pelas condições de radiação solar disponíveis na Região de O’Higgins.

No entanto, o contrato de fornecimento não significa que a usina já esteja gerando eletricidade comercialmente nem garante, por si só, determinado nível de rentabilidade.

Usina tem aprovação ambiental e prevê início das operações em 2028

O projeto Observatorio, da Verano, tem registros ambientais oficiais desde 2023, quando obteve uma Resolução de Qualificação Ambiental favorável.

Posteriormente, a desenvolvedora avançou com alterações técnicas, trâmites de conexão, acordos comerciais e a contratação do sistema de armazenamento.

Em 2026, a Verano Energy informou o início das obras do Observatorio. Assim, o novo fechamento financeiro se soma a uma iniciativa que já havia superado diferentes etapas preparatórias.

A empresa havia previsto o início da operação comercial para o primeiro semestre de 2028.

Esse prazo corresponde ao cronograma da empresa e depende do andamento das obras, da instalação e do comissionamento dos equipamentos, dos testes técnicos e do cumprimento dos requisitos necessários para a conexão e a operação no Sistema Elétrico Nacional.

O financiamento de US$187 milhões não significa que o Observatorio já tenha começado a fornecer eletricidade comercialmente.

Também não deve ser confundido com o investimento total efetivamente realizado, pois os dois conceitos correspondem a etapas financeiras distintas.

Armazenamento ganha destaque nos investimentos em energia no Chile

O avanço do Observatorio ocorre em um momento de crescente interesse do mercado de energia chileno por projetos que combinam armazenamento e geração renovável.

A expansão da capacidade solar e eólica aumentou a necessidade de tecnologias que permitam gerenciar a variabilidade da produção e transferir eletricidade de períodos de maior oferta para horários de maior consumo.

Em determinadas condições, a falta de capacidade de transmissão ou de demanda suficiente obriga a reduzir a geração das usinas renováveis, fenômeno conhecido como vertimento de energia.

Os sistemas de baterias podem ajudar a reduzir parte dessas perdas, armazenando eletricidade que, de outra forma, não poderia ser aproveitada. Sua eficácia, porém, depende da localização, da capacidade de conexão e das condições específicas de operação.

A Verano Energy também desenvolve essa estratégia por meio do Domeyko Solar + BESS, projeto localizado na Região de Atacama que combina geração fotovoltaica e armazenamento e conta com um financiamento de US$204 milhões anunciado anteriormente.

Os dois projetos fazem parte da expansão da empresa em direção a um modelo de produtora independente de energia, com participação direta no desenvolvimento, financiamento, construção e operação de seus ativos.

No Observatorio, os próximos avanços importantes serão a execução das obras, a instalação do sistema BESS, os testes de funcionamento e o cumprimento das condições para o início da operação comercial.

O fechamento financeiro anunciado nesta quinta-feira dá respaldo à continuidade dessa etapa, mas o resultado final dependerá da conclusão da construção da usina e de sua integração ao sistema elétrico, conforme as condições técnicas e comerciais previstas.