
A interconexão elétrica entre Chile e Peru está entre os corredores estratégicos identificados pela Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE) em seu Plano Indicativo de Interconexão Elétrica Regional até 2040. O estudo propõe ampliar o intercâmbio de eletricidade entre os países para reduzir os custos de suprimento e aproveitar melhor os recursos energéticos disponíveis.
Os resultados, apresentados durante a XI Semana da Energia, em Santo Domingo, contemplam 16 interconexões candidatas, avaliadas em seis cenários de demanda, preços de combustíveis e condições climáticas.
Desse total, 12 projetos integram a carteira ideal no cenário-base, enquanto as 16 conexões apresentam benefícios econômicos em pelo menos um dos cenários analisados.
Chile e Peru: um corredor para conectar dois sistemas regionais
Um dos principais resultados para o Chile é a importância atribuída a uma eventual conexão com o Peru. Segundo Rodrigo Moreno, diretor do Centro de Energia ENLACE, as interconexões de maior valor incluem aquelas capazes de conectar sistemas elétricos de diferentes sub-regiões.
Nessa análise, o corredor Peru-Chile permitiria conectar o sistema elétrico andino ao Cone Sul, enquanto a conexão Panamá-Colômbia teria função equivalente entre a América Central e a região andina.
A proposta busca facilitar o intercâmbio de eletricidade entre redes nacionais que hoje operam com integração limitada. Isso permitiria aproveitar diferenças na disponibilidade de geração e responder com mais flexibilidade às necessidades de suprimento.
Para o Chile, a proposta é especialmente relevante devido à disponibilidade de recursos solares e eólicos no norte do país. Uma conexão internacional poderia ampliar as alternativas para aproveitar essa geração, embora os benefícios efetivos dependam da capacidade de transmissão, das condições operacionais e dos acordos comerciais entre os dois países.
Benefícios regionais de até US$ 5.000 milhões anuais
A avaliação da OLACDE estima que uma maior integração elétrica latino-americana poderia gerar benefícios líquidos de entre US$ 1.000 milhões e US$ 5.000 milhões por ano, dependendo das condições consideradas.
Esses valores correspondem ao conjunto das interconexões regionais estudadas, e não apenas à ligação entre Chile e Peru.
A análise também calcula relações benefício-custo de 3,7 a 18,5 vezes, associadas principalmente a uma operação mais eficiente dos sistemas elétricos e a um melhor planejamento dos investimentos em geração e armazenamento.
Como referência, o plano regional apresentado em junho de 2026 previa investimentos iniciais estimados em US$ 3.500 milhões até 2040, com capacidade ideal de interconexão de aproximadamente 5.000 megawatts (MW).
As projeções não representam economias já concretizadas nem significam que todos os corredores avaliados tenham financiamento ou autorização para serem construídos.
Regulação e financiamento condicionam os avanços
A concretização dessas conexões exige resolver questões técnicas, regulatórias e financeiras entre os países envolvidos.
Durante a apresentação dos resultados, Álvaro González, representante da ISA Energía Chile, alertou que “o planejamento técnico e o planejamento regulatório precisam avançar ao mesmo tempo”.
O encontro também discutiu a necessidade de estabelecer mecanismos de governança, distribuir adequadamente os riscos dos investimentos e criar condições para financiar obras de transmissão internacional.
O plano é conduzido pela OLACDE em conjunto com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e a Comissão Europeia, por meio do programa EUROCLIMA e com implementação da cooperação alemã GIZ.
Por enquanto, a conexão Chile-Peru segue como uma alternativa avaliada no planejamento regional. Sua eventual execução dependerá de decisões bilaterais, acordos regulatórios e definições de investimento que permitam transformar os resultados técnicos em infraestrutura efetiva.









