
O projeto Hemera prevê 94,6 MW de geração fotovoltaica, armazenamento de 541,44 MWh e uma linha elétrica de 23 quilômetros. As obras ainda não começaram e poderão gerar até 350 empregos.
A Comissão de Avaliação Ambiental da Região do Maule aprovou o Parque Fotovoltaico Hemera, iniciativa do grupo internacional Metlen que prevê investimentos de US$130 milhões nos municípios de Río Claro e San Rafael, na província de Talca. A decisão, comunicada em 20 de outubro de 2026, permite avançar com um projeto que combinará geração solar e baterias de grande capacidade para armazenar eletricidade e injetá-la posteriormente no Sistema Elétrico Nacional (SEN).
A usina terá potência fotovoltaica de 94,6 megawatts (MW), enquanto seu sistema de armazenamento BESS contará com capacidade nominal de 541,44 megawatts-hora (MWh), com potência máxima de injeção projetada de 90 MW durante cinco horas.
A aprovação representa um marco importante para a iniciativa, que iniciou o processo de licenciamento ambiental em 2025. No entanto, não significa que o investimento já tenha sido realizado nem que a usina esteja em construção. O cronograma divulgado pelos desenvolvedores prevê a conclusão das obras até o fim de 2027, sujeita ao avanço das etapas necessárias para viabilizar o projeto.
Mais de 157 mil painéis solares e 144 contêineres de baterias
De acordo com os documentos apresentados durante a avaliação ambiental, o Hemera prevê a instalação de aproximadamente 157.680 painéis solares e 144 contêineres de baterias de lítio.
A infraestrutura ocupará uma área total estimada em 216,4 hectares, considerando as instalações de geração, armazenamento e transmissão associadas ao projeto.
A estrutura principal ficará em Río Claro, aproximadamente 11,7 quilômetros a nordeste da área urbana do município. Parte das obras de conexão elétrica se estenderá até San Rafael.
O projeto acompanha uma tendência crescente no setor de energia: desenvolver usinas renováveis que não apenas produzam eletricidade, mas também tenham capacidade para armazená-la.
Neste caso, as baterias permitirão gerenciar parte da energia gerada durante as horas de incidência solar e disponibilizá-la posteriormente, conforme as necessidades de operação e as condições técnicas do sistema.
O modelo pode contribuir para aproveitar melhor a geração fotovoltaica e deslocar o fornecimento de eletricidade para períodos em que a produção solar diminui.
Como funcionará o sistema BESS de 541,44 MWh
Um dos principais componentes do projeto é o sistema de armazenamento de energia em baterias, conhecido pela sigla BESS, em inglês.
A tecnologia permite armazenar eletricidade e liberá-la posteriormente de forma controlada, por meio de sistemas de conversão e gestão de energia.
Para compreender a dimensão do Hemera, é necessário distinguir dois conceitos: megawatts (MW), que representam potência, e megawatts-hora (MWh), que expressam uma quantidade de energia.
A instalação terá capacidade nominal de armazenamento de 541,44 MWh, enquanto o projeto prevê fornecer até 90 MW ao Sistema Elétrico Nacional durante cinco horas.
Isso significa que, nas condições previstas pelo projeto, o sistema de armazenamento poderá manter uma injeção dessa magnitude pelo período indicado.
No entanto, a quantidade de eletricidade efetivamente fornecida dependerá do nível de carga, da operação do sistema, das perdas de conversão e das restrições aplicáveis.
Esse tipo de infraestrutura ganha importância no Chile devido ao crescimento da geração solar e à necessidade de gerenciar melhor as diferenças entre os horários de produção e de consumo de eletricidade.
As baterias oferecem flexibilidade operacional, embora sua contribuição efetiva dependa das condições do mercado elétrico e da capacidade da rede para receber a energia.
Linha elétrica de 23 quilômetros conectará Hemera à subestação Los Maquis
O projeto não prevê apenas painéis fotovoltaicos e baterias. Também exige infraestrutura de transformação e transmissão para conectar a eletricidade à rede.
O planejamento prevê a construção de uma subestação elevadora denominada Hemera, que permitirá elevar a tensão de 33 quilovolts (kV) para 66 kV.
A partir dali, será construída uma linha elétrica de aproximadamente 23 quilômetros, em circuito simples, até a subestação Los Maquis, instalação existente de propriedade da CGE.
Essa infraestrutura é essencial para o projeto, pois permitirá estabelecer seu ponto de conexão com o sistema elétrico.
A potência máxima de injeção projetada é de 90 MW, valor que deve ser diferenciado dos 94,6 MW de capacidade fotovoltaica instalada.
A construção da linha também exigirá obras fora da área principal do parque. Por isso, a coordenação territorial e o cumprimento das exigências ambientais serão etapas necessárias para viabilizar a iniciativa.
Investimento de US$130 milhões e até 350 postos de trabalho
O investimento declarado para o Hemera é de US$130 milhões, valor destinado ao desenvolvimento da infraestrutura solar, das baterias e das instalações elétricas complementares.
No período de pico das obras, o projeto poderá empregar até 350 trabalhadores, segundo os documentos apresentados pelo empreendedor.
Esse número é uma estimativa de empregos durante o período de maior atividade da construção e não representa necessariamente 350 contratos permanentes nem o total de trabalhadores da usina durante a operação.
A execução inclui atividades de obras civis, montagem de estruturas, instalações elétricas, construção da subestação e implantação do sistema de armazenamento.
Também serão necessários equipamentos especializados para os testes, o comissionamento e a integração dos componentes elétricos.
Embora esse tipo de projeto possa gerar oportunidades para empreiteiras e fornecedores, ainda não há um balanço dos contratos adjudicados que permita identificar quais empresas participarão ou qual parcela dos contratos será executada por fornecedores regionais.
O cronograma divulgado prevê a conclusão da construção até o fim de 2027, mas essa data ainda é uma projeção e dependerá do cumprimento das etapas administrativas, técnicas e de execução.
O projeto iniciou sua avaliação ambiental em 2025
A aprovação anunciada nesta semana é resultado de um processo que se estendeu por mais de um ano.
A responsável formal pela iniciativa é a Bellavista Solar SpA, empresa ligada ao grupo Metlen.
A Declaração de Impacto Ambiental entrou em avaliação em fevereiro de 2025 e, posteriormente, foi analisada pelos órgãos com competência ambiental.
Em abril daquele ano, o Serviço de Avaliação Ambiental de Maule abriu uma etapa de participação cidadã, que permitiu o envio de observações sobre as características e os possíveis impactos do projeto.
A troca de informações técnicas prosseguiu ao longo de 2026. Em setembro, a empresa apresentou um adendo complementar e, em 8 de outubro, foi emitido o Relatório Consolidado de Avaliação correspondente.
O projeto foi incluído na sessão ordinária da Comissão de Avaliação Ambiental de Maule, convocada para segunda-feira, 19 de outubro. Em seguida, sua aprovação foi anunciada.
Essa decisão é uma etapa importante do processo regulatório, mas não substitui o cumprimento de outras autorizações setoriais e condições exigidas antes da execução de determinadas obras.
O que falta para Hemera começar a fornecer eletricidade
Após a aprovação ambiental, o projeto deverá avançar para as próximas etapas de desenvolvimento, entre elas a concretização do investimento, a construção das instalações e os trâmites técnicos relacionados à conexão elétrica.
Na sequência, deverão ser realizados os testes e os procedimentos de comissionamento necessários para integrar a usina à operação do sistema.
Até o momento, as informações divulgadas não confirmam o início efetivo das obras nem permitem estabelecer uma data definitiva para o início da operação comercial.
Também não foram divulgados contratos de fornecimento de energia, acordos específicos de financiamento ou principais contratos de construção relacionados a essa nova etapa.
A relevância de Hemera está em sua configuração tecnológica: uma usina solar combinada com armazenamento de grande capacidade, projetada para administrar o fornecimento de energia além do período de geração fotovoltaica.
Se o projeto avançar conforme o previsto, Maule terá uma nova instalação de geração renovável com capacidade de armazenamento e infraestrutura própria de conexão.
Por enquanto, o fato confirmado é a aprovação ambiental de um investimento projetado em US$130 milhões. A construção, o início da operação e a contribuição efetiva do projeto para o Sistema Elétrico Nacional dependerão das etapas que ainda precisam ser concluídas.









