
A Fiscalía Nacional Económica (FNE) autorizou, sem impor condições, a aquisição da The AES Corporation, controladora da AES Andes, por um consórcio liderado pela Global Infrastructure Management (GIM), pertencente à BlackRock, e pela EQT Fund Management. A decisão permite o avanço de uma das maiores operações internacionais do setor de energia anunciadas em 2026.
A decisão, datada de 1º de outubro e publicada em 21 de outubro, estabelece que a transação não apresenta riscos suficientes para reduzir substancialmente a concorrência nos mercados analisados no Chile.
O acordo, anunciado em março, prevê o pagamento de US$15 por ação, equivalente a US$10.700 milhões pelo capital acionário da AES. Incluindo a dívida existente, o valor da empresa na transação chega a aproximadamente US$33.400 milhões.
BlackRock e EQT ampliam exposição ao mercado de energia chileno
Um dos pontos considerados no relatório da FNE é a participação que os compradores já têm em diferentes atividades ligadas ao setor elétrico nacional.
A GIM administra fundos ligados à Atlas Energía e Chile Renovables, enquanto a BlackRock mantém investimentos por meio da PMGD Holdco. Além disso, a GIM tem participação na Aligned Data Centers, conhecida comercialmente no Chile como Odata.
O documento aponta uma relação prévia entre os compradores e a AES: fundos administrados ou assessorados pela GIM detêm 49% da Chile Renovables, enquanto os 51% restantes pertencem à AES.
Por sua vez, a EQT tem participações por meio da Urbaser, ligada à geração de energia elétrica pela KDM Energía, e da Zelestra, que presta serviços de engenharia, construção, operação e manutenção de projetos fotovoltaicos e sistemas de armazenamento. A empresa também tem participação na EdgeConneX, operadora de centros de dados.
Essa estrutura levou a autoridade a examinar possíveis efeitos sobre a concorrência tanto entre empresas geradoras quanto entre atividades relacionadas ao longo da cadeia de fornecimento de energia elétrica.
FNE descarta riscos na geração e nos centros de dados
A investigação avaliou os efeitos da aquisição sobre a geração de energia elétrica, as energias renováveis não convencionais, a comercialização para consumidores livres, a transmissão e os sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS).
Também analisou a relação entre os negócios de energia elétrica dos compradores e seus investimentos em centros de dados, instalações que exigem fornecimento contínuo de eletricidade.
Nesse segmento, a FNE concluiu que a operação não dará capacidade suficiente para restringir o fornecimento de energia elétrica a operadores concorrentes da Odata e da EdgeConneX.
O órgão identificou pelo menos seis grupos empresariais independentes com geração de energia renovável que poderiam servir como alternativas de fornecimento.
Em relação à transmissão, a análise também descartou riscos relevantes, considerando as baixas participações da AES e da Atlas no sistema nacional.
A autoridade chegou a conclusões semelhantes sobre os serviços de construção, operação e manutenção de instalações solares e sistemas BESS, assim como sobre a integração tecnológica de baterias, atividade em que a AES atua por meio da Fluence.
Operação ainda precisa concluir o fechamento internacional
Embora a autorização chilena elimine uma etapa regulatória importante, isso não significa que a aquisição global tenha sido concluída.
Os acionistas da AES aprovaram a transação em junho de 2026. De acordo com o cronograma divulgado inicialmente pela companhia, a conclusão está prevista para o fim de 2026 ou o início de 2027, sujeita às demais autorizações e condições aplicáveis.
Após a conclusão, a AES deixará de ser negociada na Bolsa de Nova York e se tornará uma companhia de capital fechado sob o controle do consórcio comprador.









